«(...) mesmo se todas as políticas fossem as correctas, nenhum iluminado, nenhum "novo Marquês", mudaria o país por decreto. O problema reside, como sempre, nos portugueses e na sua cultura de dependência e mão estendida, de fé no desenrasca e de preguiça face ao trabalho árduo e rigoroso. Aí o Governo só pode actuar pelo exemplo. Ora no que a tal toca...»
Estas são as palavras finais do editorial de José Manuel Fernandes do "Público" de hoje. O tom diz tudo: qual conversa de café ou de taxista, é a vitória do "achismo", do senso comum, da generalização vaga e fácil que é antitética de uma análise séria. Mas isto se calhar era pedir demais.
terça-feira, 17 de abril de 2007
Street-level analysis
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Hugo Mendes
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01:10
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Labels: José Manuel Fernandes, Público, senso comum
Act17 - «Não vi o livro, mas li o filme»
Aqui, para ver o programa completo e lista de participantes, mas também lá vai estar a Peão Vallera na quinta-feira, 19 de Abril, às 16.30h com o título Citizen Slade: Velvet Goldmine de Todd Haynes e Citizen Kane de Orson Welles.
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Anónimo
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00:17
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Labels: Act17, cinema, Conferências, Universidade
segunda-feira, 16 de abril de 2007
Está demonstrado cientificamente: os humanos têm motivações igualitárias
Os autores concluem que os individuos têm uma motivação genuinamente altrutista, uma vontade de igualitarismo, para adoptar comportamentos cooperativos.
The evidence here indicates that social inequality arouses negative emotions that motivate both the reduction and augmentation of others' incomes. This finding supports research that indicates humans are strongly influenced by egalitarian preferences. Furthermore, the results distinguish between models of inequality aversion: models that specify which players' incomes will be altered for egalitarian reasons capture subject behaviour better than models that do not. Finally, the results are also consistent with the punishment of non-contributors and the reward of contributors in public good games. Although concerns for equality are clearly not the only motive for human behaviour in these contexts, our results suggest that egalitarian motives may underlie strong reciprocity and, thus, play an important role in the maintenance of cooperation.
A caixa dos comentários está aberta para quem quiser contestar este artigo (de preferência depois de o ter lido).
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Zèd
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Labels: ciência, ciências sociais, igualitário
Mais debate no 'lado b'
Para os que achavam depois do posta anterior do Renato e da minha réplica que as coisas no debate aqui no 'Peão' resvalaram para um local algures entre o impenetrável e o aborrecido, aproveito para chamar a atenção para a posta do Carlos Leone sobre determinismos no 'lado b' do blogue.
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Hugo Mendes
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01:43
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Labels: Lado B
domingo, 15 de abril de 2007
Exploração
A exploração económica é uma forma específica de opressão económica caracterizada por um tipo especial de mecanismo através do qual o bem-estar dos exploradores se prende com as privações dos explorados através de uma relação de causalidade. Na exploração, o bem-estar material dos exploradores depende causalmente da capacidade destes para se apropriarem do fruto do trabalho dos explorados. O bem-estar do explorador depende, por conseguinte, do esforço do explorado, e não apenas das privações por este último sofridas.
Numa opressão económica de tipo não-explorador, não se verifica qualquer transferência do fruto do trabalho do oprimido para o opressor; o bem-estar do opressor depende, não do esforço do oprimido, mas antes da exclusão deste no que refere ao acesso a certos recursos. Em ambas as situações, as desigualdades em questão entroncam na propriedade e no controlo dos recursos produtivos.
E. Olin Wright (1994), “Análise de classes, história
e emancipação”, Revista Crítica de Ciências Sociais, nº40.
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Renato Carmo
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19:42
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Labels: classes sociais, desigualdades sociais, exploração
O Pós-Modernismo de Sócrates e Aristóteles
Republic Dogs, By Nathaniel Daw
(...) Aristotle: [Draws a gun, fires a shot into the air, and points it at Alcibiades] Interrupt me again, motherfucker. Interrupt me again. Nobody's trading with anybody. This is my allegory.
[Alcibiades gestures submission.]
Aristotle: [Putting away gun.] So as the philosopher king, it would be my duty to keep seditious literature out of the city
-- Socrates: I got it. I understand.
Aristotle: Shut up, motherfucker, how can you understand my perfect city when I haven't explained it yet?
Socrates: No, dickhead, not that, I understand what you were saying before, about perfection. It's all about forms.
Aristotle: Forms?
Socrates: Yeah, motherfucker, forms. Like, something don't have to physically exist for it to be perfect; it exists as the perfect ideal, the perfect form, beyond mortal comprehension.
Alcibiades: Socrates, you're supposed to pour your libations on the ground, not drink them till you're talking like a crazy Bacchae bitch.
Socrates: Normally, I'd be pouring libations with your spinal fluid right now, but since I'm feeling at peace with the universe I'll try to enlighten your sorry ass instead. Imagine there's this dark, underground cave. (...)
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vallera
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15:33
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Labels: Alcibíades, Aristóteles, cinema, Filosofia, Pós-modernismo, Sócrates, Tarantino
sábado, 14 de abril de 2007
Pergunta do dia
Haverá alguma economia política de esquerda que seja verdadeiramente progressista?
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Renato Carmo
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22:39
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Attica! Attica!
"A Dog Day Afternoon" (1975), um filme magistral de Sidney Lumet, vale bem a pena ver e rever. Baseado em factos reais, o filme relata (reconstitui? reconstroi?) uma tentativa de assalto a um banco ocorrida em Manhattam, no Verão de 1972. Os assaltantes, completamente amadores, deixam a situação escapar-se-lhes do controlo e num ápice vêem-se encurraldos entre polícias, televisões e populares, com uma dezena de reféns entre as mãos. Sonny Wortzik, o protagonista, num desempenho fabuloso de Al Pacino (ainda fresco do Actors Studio), não pode deixar de gerar simpatia. Gera simpatia da parte dos reféns, dos populares, provavelmente dos polícias, e seguramente do espectador. Destaca-se a cena mais citada do filme, em que se materializa essa simpatia, quando Sonny grita no passeio fente ao Banco "Attica! Attica!" (uma referência a isto), e que pode ver-se no excerto do YouTube ali em cima. Muito bem realizado, especialmente bem filmados os exteriores, em que as cenas de maior tensão trazem inapelavelmente os nervos à flor da pele. Mas o que me ficou mesmo foi o personagem Sonny Wortzik, o seu drama psicológico, uma interessante reflexão sobre a natureza humana (como muitas outras, mas bem conseguida). Aliás todos os personagens são interessantes, com boas interpretações, e sobretudo, como convém, são demasiado não-sei-o-quê para serem credíveis enquanto personagens reais.
P.S. - Como seria de esperar, John Wojtowicz, em cuja história "Dog Day Afternoon" se baseia não gostou do filme.
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Zèd
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20:20
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Labels: A Dog Day Afternoon, Al Pacino, Attica, cinema
Prémios ou patentes?
Lembram-se da discussão - iniciada pelo Zèd - em torno da importância (ou falta dela) das patentes e a estrutura de incentivos à inovação na descoberta e produção de novos medicamentos? Foi há mais de 2 meses aqui no "Peão".
Agora, descobri por acaso um artigo muito interessante de Joseph Stiglitz sobre esta questão.
Um excerto:
There is an alternative way of financing and incentivizing research that, at least in some instances, could do a far better job than patents, both in directing innovation and ensuring that the benefits of that knowledge are enjoyed as widely as possible: a medical prize fund that would reward those who discover cures and vaccines. Since governments already pay the cost of much drug research directly or indirectly, through prescription benefits, they could finance the prize fund, which would award the biggest prizes for developers of treatments or preventions for costly diseases affecting hundreds of millions of people.
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Hugo Mendes
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17:49
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Labels: medicamentos, patentes, política de investigação, política de saúde, Stiglitz
Contos e estórias de encantar, para miúdos e graúdos!!
Para aqueles pais que gostam tanto dos seus filhotes que até lhes dão descanso (mútuo), aqui fica uma dica maravilhosa, meus amigos...
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Daniel Melo
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13:04
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Labels: hora do conto, literatura infantil, literatura portuguesa, literatura tradicional
Quero sair do impasse...
... e entrar no admirável mundo novo das declarações electrónicas!

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Cláudia Castelo
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Labels: Câmara Municipal de Lisboa, declaração electrónica do IRS, Finanças, freguesia do Lumiar, toponímia
O que dá jogar (mal) à defesa
Lido no 'Público' on-line:
O secretário-geral do PS, José Sócrates, rejeitou sexta-feira as acusações de dirigir um Governo de direita, apontando as leis do aborto, da procriação médica assistida e da paridade como exemplos de políticas de esquerda.
Num plenário com os militantes do PS de Leiria e num discurso sem novidades, José Sócrates considerou que estas leis “marcam a diferença entre o centro-esquerda e o centro-direita”, rejeitando assim as críticas feitas pelos partidos à esquerda do PS.
Involuntariamente, José Sócrates caiu na teia argumentativa que motiva a maioria das críticas à esquerda do PS. Mas José Sócrates, malgré lui, não tem razão - e está a ser injusto com o seu próprio governo. Não é só na "política da vida" que o PS tem estado, razoavelmente bem, à esquerda. Há muitas outras áreas e medidas que podem e devem ser defendidas como, pelo menos moderadamente, progressistas e redistributivas - e que tendem a ser vistas por muitos como intervenções meramente "tecnocráticas", mas que não são (a das convergência das reformas entre o público e o privado, que referi e expliquei rapidamente ontem porquê, é uma delas - e que muitos olham, injustamente, como o "início do fim do Estado social"). Um dia destes volto a isto, porque no meio da tecnocracia, das percentagens e outras coisas chatas que desmotivam os que acham que a verdadeira política está necessariamente nas revistas académicas de social and political theory, esconde-se muitas vezes filosofia e economia política de esquerda. É preciso é ir lá ao fundo, destilá-la e apresentá-la, justificadamente, como tal.
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Hugo Mendes
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04:38
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Labels: esquerda, governo, José Sócrates, PS
sexta-feira, 13 de abril de 2007
Compensa...
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Hugo Mendes
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Labels: educação, Novas Oportunidades, qualificações, salários
Seminário de Medicina Tradicional Chinesa
Hoje parece ser o dia das novidades...
Aconselho vivamente a participação num Seminário Prático de Medicina Tradicional Chinesa que irá decorrer em Lisboa nos próximos dias 28, 29 e 30 de Abril.
Trata-se de uma excelente oportunidade para conhecerem um dos poucos ocidentais formado de raiz pela Universidade de Nanjing em Medicina Tradicional Chinesa, totalizando 12 anos de estudo na República Popular da China.
Clique no cartaz em baixo para mais detalhes.
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gdsantos
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18:51
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O livro da semana
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gdsantos
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Labels: Agência, Cultura, Interacção Social, Linguagem
A blogofrase da semana
A alternativa era esperar, mas a vida está feita para que se espere pela morte, não pelos mortos.
Eduardo Basto no Terra Habitada
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Zèd
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13:33
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Labels: Agrafo, blogofrase da semana, Eduardo Basto, Terra Habitada
Até amanhã camaradas
E já que estou teatral e em maré de elogios, também gostaria de lembrar que hoje foi o último dia de Odete Santos no Parlamento, de quem espero que ficha biográfica na Assembleia não contenha emendas. Espero, igualmente, continuar a vê-la em intervenções públicas que até podem ser a propósito e a despropósito conforme nos habituou.
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Anónimo
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Labels: Odete Santos
A Dúvida
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Anónimo
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Labels: A dúvida, Ana Luísa Guimarães, Bernardo Sassetti, Diogo Infante, Eunice Muñoz, Isabel Abreu, João Mendes Ribeiro, Lucília Raimundo, Teatro, Teatro Maria Matos
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Só mais uma achega
Lá atrás falava por que motivo devíamos evitar os falsos purismos em toda esta história do "diploma Sócrates". Era por isto - a resposta à pergunta: será possível "realizar um processo de equivalências sem a entrega prévia de um certificado com as disciplinas feitas noutra instituição?" é esta, nas palavras do Rui Pena Pires:
É legal e é possível, faz-se todos os dias e é aconselhável que se faça, instruir um processo com base em declarações sob compromisso de honra, condicionando a efectividade das conclusões do processo à futura comprovação dessas declarações. Faz-se em processos de transferências, entre instituições como entre planos de estudos, nas equivalências Erasmus, em candidaturas a ciclos de estudos subsequentes à licenciatura ou, como previsto nos respectivos regulamentos, nos concursos de bolsas FCT. Entre outras situações.
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Hugo Mendes
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23:17
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Labels: certificação, José Sócrates, organizações, Rui Pena Pires
Entre parênteses
Dado que há uma "discordância" de política editorial aqui no Peão relativamente ao local da colocação de textos :), eu venho alertar os leitores para a posta do Carlos Leone no "lado b" do Peão, muito pertinente nos tempos que correm sobre o que podem ou não podem as ordens profissionais. É que assim não fica ali perdida :)
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Hugo Mendes
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22:47
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Labels: Lado B, ordens profissionais
Entre «rounds»
A descarada campanha contra Sócrates chegou hoje a um momento de pausa.
Depois de tudo tentado, ver a sondagem com que a TVI abriu o noticiário ou as vacuidades de Fernandes e Sarsfield na ERC é revelador da seriedade da «classe jornalística» (aliás em agitação pela mais que justa condenação do Público por uma pseudo-notícia caluniosa sobre o Sporting, que só peca por tardia e insuficiente).
A conferência de imprensa de Mendes foi pífia, a Esquerda já se afasta do assunto, resta saber que mais patranhas falta sacar do esgoto de onde veio esta «investigação». (Curiosamente surgida no jornal da Sonae a seguir ao insucesso da OPA sobre a PT por causa da CGD, se pensarmos do mesmo modo que os jornalistas de serviço...)
A próxima semana deve ainda trazer mais alguma coisa, mas as eleições do PP, a crise do Benfica e o desinteresse do grande público por questões processuais em geral irão provavelmente extinguir o caso.
Mesmo que assim seja, é evidente que o «estado de graça» de Sócrates terminou, justamente quando surgiram propostas no sentido de responsabilizar os jornalistas. E, agora que o Governo é acusado por não reagir rápido e por pressionar, por deixar andar e por ser uma central de informações apenas preocupado com a imagem, ou seja, por tudo e pelo seu contrário, será preciso escolher uma via própria. A presidência da UE pode ajudar ou complicar, dependerá da capacidade de resposta de Sócrates e do PS. Mas provavelmente tudo dependerá do que se quiser fazer com a segunda metade do mandato, agora que a Imprensa já não pode ser acusada de favorecimento.
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CLeone
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22:13
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Labels: governo, jornalismo
Reformas
Título do "Diário Económico":
Pensionistas do Estado recebem o triplo
É por isso que a convergência* entre os regimes de aposentação da Caixa Geral de Aposentações e da Segurança Social - i.e., entre as regras do regime público e do privado - é, por muito estranho que pareça à primeira vista, uma medida progressista e redistributiva.
Temos que saber se queremos um Estado que estruture e reproduza as desigualdades (alimentando dualizações inaceitáveis e injustificáveis) ou um Estado que lute contra elas.
*Desde Janeiro de 2006, a idade legal para a reforma dos funcionários públicos (60 anos), bem como os anos de serviço necessários para obter a pensão completa (36 anos) começou a aproximar-se gradualmente (ao ritmo de seis meses por ano), até 2015, do que é exigido aos pensionistas da Segurança Social (65 anos de idade e 40 de serviço).
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Hugo Mendes
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16:40
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Labels: estado, pensões de reforma, segurança social
Omissões
A propósito da não-conspiração movida a bitoque que o Hugo aqui linkou, uma nota.
Ontem foi noticiado que no iraque a Al-Qaeda utiliza de forma sistemática crianças com deficiência mental como bombistas suicidas. Quem o diz é a ONU.
Até agora, em blogs e em media tradicionais, mal dei por interesse no caso. Será por essa prática sistemática ser a violação de direito humanos de que acusam tantas vezes «o Ocidente» a pretexto de casos pontuais infinitamente menos graves?
Não estou, claro, a defender o pasquim «P» e muito menos o seu director. Estou só a constatar o silêncio dos profissionais da indignação.
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CLeone
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16:40
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Labels: direitos humanos, polémicas
Os méritos da análise comparativa
Aqui. Mas eu juro que não é uma conspiração contra o "Público".
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Hugo Mendes
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15:46
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Explicações
José Sócrates já se explicou ontem ao país. Agora, falta o mais importante: o SLB e Fernando Santos. Vão ter que se explicar ao país e o país exige uma explicação.
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vallera
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14:27
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Labels: Benfica, José Sócrates, SLB
Deixem o homem explicar
O desempenho dos jornalistas, José Alberto Carvalho e Maria Flor Pedroso, deixou, hoje à noite, muito a desejar. É verdade que a sua tarefa não era fácil. Depois do silêncio - provavelmente demasiado longo - de Sócrates, todo o país estava de olhos postos na TV, e nenhum deles queria ficar na história como o "jornalista-que-estendeu-a-passadeira-vermelha-ao-primeiro-ministro" numa entrevista onde estava em avaliação muito mais do que o balanço de dois anos de governo.
Na parte relativa à Universidade Independente, a coisa não foi particularmente má: deixaram José Sócrates falar (para aqueles que acham que ele não respondeu a todas as suspeitas, então é porque contra suspeitas baseadas em insinuações fáceis que atacam directamente a honra pessoal, então a vítima não pode fazer muito mais jurar a pés juntos que "isso é, obviamente, mentira". Como é lógico, no fim deste exercício ficamos basicamente no mesmo sítio de onde começámos: a insinuação vale o que vale, e o desmentido vale o que vale. Acredita quem quiser, no que quiser. Para aqueles que, depois disto, acham que ele é um aldrabão, então o estrago está feito).
Mas foi na parte relativa ao desempenho económico que a agressividade jornalística veio ao de cima, e José Alberto Carvalho fez lembrar os saudosos tempos de Manuela Moura Guedes, conhecida por tentar intimidar o seu adversário, perdão, entrevistado, não o deixando falar. O problema, aqui, é que José Sócrates precisava mesmo de falar, de explicar, pedagogicamente, com calma e por A mais B porque é que o desempenho da economia é o que é, porque é que é muito difícil ser de outra forma, e porque não vale a pena estar aqui a pedir a política da varinha mágica. Mas os jornalistas não estavam interessados em saber porque é que coisas são como são, ou porque é muito difícil serem de forma bastante diferente: se calhar porque não percebiam a explicação, que estava ao nível da cadeira de 1º ano de macroeconomia (se Sócrates pedir uma equivalência, ainda lha dão). Ora, obrigá-lo a fazer promessas milagrosas de números de crescimento e de redução de desemprego sem ter minimamente em conta a fragilidade estrutural da nossa economia, o ponto de partida conjuntural deste governo há 2 anos atrás, e de como é difícil conseguir um crescimento à base das exportações (ou seja, não é o crescimento insuflado pela procura interna) enquanto se procede à redução do défice que foi efectuada não é muito sério.
Pode ser um display de agressividade e pode lavar algumas consciências, mas não é bom jornalismo, quanto mais não seja porque demonstra ignorância de alguns factos básicos.
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Hugo Mendes
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00:35
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Labels: jornalismo, José Alberto Carvalho, José Sócrates, Maria Flor Pedroso, Universidade Independente
É normal ser mau professor
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Renato Carmo
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quarta-feira, 11 de abril de 2007
Nicolas - how far can you go? - Sarkozy
Acreditem que até faço um esforço para não escreveu muito sobre Sarkozy, mas não é fácil, ele consegue sempre ir um bocadinho mais longe. Desta vez o homem decidiu falar sobre Genética, eu não podia deixar de escrever aqui qualquer coisa (disclaimer: sou geneticista de profissão). Acreditem também que não considero Sarkozy como fascista ou sequer próximo da extrema-direita. De direita, sim, uma direita autoritária, nacionalista, e que por estratégia eleitoral decidiu conquistar o eleitorado de Le Pen, mas isso não faz dele fascista. Talvez por isso, esta recente gafe da Genética seja bastante preocupante.Numa longa entrevista dada ao filósofo Michel Onfray, para a revista "Philosophie Magazine", Sarkozy afirmou que a pedofilia é inata, e que os suicídios de jovens se devem a uma fragilidade genética (pode ler-se o excerto relevante da entrevista aqui). Claro que é algo dito no meio de uma conversa (algo crispada, conforme Onfray conta no seu próprio blog), talvez até retirada do seu contexto, mas é por isso mesmo muito reveladora. Não sendo uma tomada de posição política, refectida e programada, é uma gafe que certamente não estava nos apenas nos planos, mas por ser assim "expontânea", "natural" é mais que provavelmente aquilo que Sarkozy realmente pensa. Na sua visão das coisas o ser humano está geneticamente predestinado, determinado, condenado a ser pedófilo ou suicida, logo à nascença, está nos genes. Levanta-se logo a questão de saber o que mais acha Sarkozy ser determinado geneticamente; a agressividade?, a delinquência?, a criminalidade?, a inteligência?, e achará Sarkozy que esses determinantes genéticos são diferentes em "raças" diferentes?
A discordância não é, da minha parte, ideológica, é científica. Não recuso a priori que uma qualquer característica humana tenha uma forte componente genética por convicção ideológica. Simplesmente não há evidência científica nenhuma de que o suicídio ou a pedofilia sejam determinados geneticamente, pelo contrário tudo indica que o ambiente seja muito mais determinante. Se e quando houver alguma evidência em favor das causas genéticas a discussão pode e deve existir, no plano científico. Como seria de esperar as declarações de Sarkozy foram condenadas por diversos cientistas. Quando um candidato à presidência faz uma afirmação destas, está a trazer para o plano político uma questão que nem sequer foi resolvida no plano científico. Quando o faz sem qualquer suporte científico (bem pelo contrário), apenas por pura profissão de fé, está a revelar apenas uma coisa: preconceito.
Nunca esquecendo que foi Sarkozy quem lançou um projecto de lei que entre outras coisas preconizou a detecção de potenciais delinquentes a partir dos três anos (!), nunca esquecendo que Sarkozy tem uma visão racial dos problemas da banlieue - terá confidenciado a Thuram (ainda ele) que quem provoca disturbios nas banlieues são os negros e os árabes -, e é agora Sarkozy quem defende o determinismo genético, começa a traçar-se uma imagem muito inquietante do candidato à presidência.
Hoje em dia as novas teorias eugénicas já não se manifestam pela defesa da pureza e superioridade da raça (energúmenos neo-nazis à parte), mas por uma permanente justificação genética para todas as diferenças entre os individuos, sob uma capa pseudo-científica mais refinada. No fundo, a diferença não é assim tão grande.
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Zèd
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23:13
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Labels: Eleições França, eugenismo, genética, presidenciais francesas, Sarkozy
Triste mas previsível
Por falar em "jornalismo", o post de hoje de Medeiros Ferreira no Bichos-Carpinteiros faz pensar que, mesmo sem a baixeza usada no afastamento de Mário Mesquita do Público, o novo DN não vai por bom caminho. E o blog não parece apropriado para alguns dos melhores artigos da imprensa portuguesa.
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CLeone
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16:26
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Labels: jornalismo, Medeiros Ferreira
Sobre a universidade, as "ideias", e os diplomas etc.
«Há qualquer coisa no ideal universitário que o torna difícil de explicar, apesar de ser tão simples. O ideal universitário são as ideias. Ideias sobre como são as coisas, sobre como funcionam, sobre como deveriam funcionar, ideias sobre ideias. Algumas dessas ideias são conhecimento, outra são comentário, outras criatividade, a maior parte delas um pouco disso tudo. Mas é difícil explicar aos alunos, ou até ao resto da sociedade, que dentro daquelas paredes (metafóricas: pode ser cá fora, na esplanada, no trabalho de campo, na visita de estudo) essas ideias devem ter precedência sobre tudo o resto. Se os alunos querem um diploma e os pais pagam por um bom emprego, não é fácil dizer-lhes que por agora a única coisa importante é o que escreveram alguns mortos de há mais de cem anos, ou como se comporta a partícula x, ou que interpretação dar à arte de y. Só depois de ganhar verdadeiro interesse ou paixão por tais coisas chega a altura de se poder começar a tratar de notas, de diplomas e de empregos (...)»
Estas são palavras do Rui Tavares, escritas num artigo do "Público" ontem. O Miguel Vale de Almeida transcreveu-as e adicionou: "Nunca esquecer isto quando se é bombardeado pelo actual ar do tempo em relação à universidade. Nem que se tenha que tapar os ouvidos, dizer a alta voz "lá-lá-lá-lá" e ouvir interiormente este mantra".
Esta é uma discussão muito importante nos tempos que correm. Idealmente, eu não discordo do Rui, mas porque entre as ideias e os contrangimentos da realidade vai sempre um fosso sempre excessivamente grande, discordo do implícito desprezo - que não deixa de ser o que está realmente dito nas entrelinhas - pelas notas, pelos diplomas e pelos empregos. É que, inversamente, parece não ser fácil para a grande maioria dos pais e dos alunos explicar aos professores universitários que, primeiro, está a perspectiva de terem um futuro onde o diploma que passaram anos a tirar conte efectivamente para a realização de um percurso profissional decente e minimamente adequado às suas expectativas. E, infelizmente, para a maioria estas não passam pelo conhecimento do que "escreveram alguns mortos de há mais de cem anos, ou como se comporta a partícula x, ou que interpretação dar à arte de y" - doa o que doer aos professores unversitários. Tapar os ouvidos, como aconselha Vale de Almeida, não resulta em absolutamente nada - a não ser a dar razão àqueles que acham que os professores universitários, self-professed autistas, "não vivem neste mundo".
Não que o desemprego de licenciados seja a catástrofe nacional que por vezes se pinta, ou que universidade seja a única responsável pelos potenciais desajustes entre o titre e o post. Não é, e não é disso que se trata. O problema é que o que o discurso do Rui tem aquele travo amargo da intemporalidade, como se o pudéssemos manter independentemente do contexto, e como se fosse indiferente estarmos no século XIII, no XVIII ou no XXI. Mas ter as "ideias" como a única ou a grande prioridade da universidade é esquecer que, entretanto, o mundo, e sobretudo a economia, mudou - e que a universidade ocupa, e vai ocupar cada vez mais, uma posição de formação de profissionais nas mais variadas áreas. O problema é confundir esta função crescente da universidade - o que para mim representa uma grande vantagem do nosso presente e futuro em relação ao passado - com a ideia de que esta vai ser a única função da universidade. Isto é falso, e é fácil ver porquê. Nunca, no futuro, teremos tanta gente a fazer investigação, tanta gente entregue o mais possível às "ideias" e ao conhecimento desinteressado. Simplesmente, isso não vai acontecer ao mesmo nível de ensino que no passado.
E se isto representa um déclassement relativo dos professores universitários, convém não esquecer o outro lado: o do upgrade cognitivo e social de uma larga fatia da população que dantes não passava do ensino primário ou secundário (que era, obviamente, and please don't sweep it under the carpet, o que permitia à universidade e os seus profissionais dedicarem-se às "ideias" e desprezar a função social e profissional dos diplomas: quando apenas ensinamos as elites, podemos dar-nos ao luxo de esquecer o mundo lá fora e de considerarmos a mera questão "para que é que 'isso' - a nota, o diploma, etc. - serve?" verdadeiramente secundária). E este upgrade é, parece-me, muito, mas muito mais importante que qualquer "corporativismo do universal" (para citar essa expressao particularmente feliz de Bourdieu: ou direi infeliz, dado que ele considerava-o um ideal merecedor de defesa a todo o custo).
Eu admito que não seja deliberado, mas este tipo de platonismos tem sempre o risco de resvalar para um elitismo, à esquerda, particularmente desnecessário e perverso.
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Hugo Mendes
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13:00
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Labels: docentes universitários, Miguel Vale de Almeida, Rui Tavares, Universidade
Obviamente
João Pinto e Castro lembra-nos o essencial no (pseudo-)affair "Sócrates":
P.S. - Sobre o "jornalismo" do P, também vale a pena ler isto.
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Hugo Mendes
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11:11
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Labels: calúnias, jornalismo
terça-feira, 10 de abril de 2007
Não tenha medo de ser livre, puxe a sua cabeça cá para fora...
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gdsantos
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Labels: liberdade, Saúde, Vida sem TV
Escândalos
Agora que já há decisão (enfim…) sobre a Independente, é possível recapitular os temas quentes recentes.
Antes era a polícia centralizada, agora é o jornalismo em perigo.
Antes era as contratações governamentais, agora é a UnI.
Pelo meio o tabaco e sua lei não fizeram fumegar gente suficiente, a Páscoa e sua «operação» mataram como de costume e o futebol arrasta-se, com Simão a mostrar como se faz.
Mas tudo serve para lamentar este horrível governo, só falta mesmo suspirar pelo retorno de Santana e Portas (faltará?).
Curiosamente, no caso da UnI não dei por ninguém notar que o diploma de Sócrates foi aceite por uma universidade pública para efeitos de MBA (ou lá o que foi), o que deveria constituir também motivo de investigação, a avaliar pela já adquirida (pelos jornais) impropriedade das equivalências de disciplinas e, consequentemente., invalidade do grau de licenciado. Será porque não são mesmo nada poucos os jornalistas que, sem sequer um diploma, qualquer que seja, se reciclam em professores de comunicação social com «pós-graduações» à pressa?
(Não é exactamente novidade, o actual programa de reconhecimento do saber adquirido no trabalho.)
Não pode ser, seria um escândalo, ainda por cima sem que ninguém ligado às universidades onde isso se faz dissesse alguma coisa…
CL
PS – Mas os escândalos fazem mossa! Já pelo menos uma pessoa minha amiga deixou de ler o Público à conta deste «jornalismo». We’re all in the gutter, but some of us are looking at the stars, como dizia Wilde.
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CLeone
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Labels: governo, jornalismo, Universidade Independente, Wilde
Assente a Poeira...
Agora que já assentou um pouco a poeira do concurso dos "Grandes Portugueses" vale a pena voltar ao assunto. Não para discutir o significado dos resultados e da "vitória" de Salazar, como argumentou e bem Pedro Magalhães, os resultados não permitem concluir coisa nenhuma sobre o que os portugueses pensam sobre o que quer que seja.
O que vale a pena discutir, na minha opinião, é o péssimo serviço prestado pela RTP. Seria já um mau serviço fosse qual fosse o canal televisão - sim porque qualquer canal de televisão tem ou deve ter um mínimo de obrigações deontológicas -, pior ainda sendo uma estação pública, sustentada com dinheiro do orçamento de estado. Talvez seja até um bom ponto de partida para debater quais são as obrigações éticas a que deve estar vinculada uma emissora de televisão. E antes venham com o argumento pseudo-liberal que as audiências é que mandam, que a televisão apenas dá aos espectadores aquilo que os espectadores querem ver, é talvez bom relembrar este livro. De Sir Karl Popper, o filósofo preferido dos nossos neo-liberais de serviço, com John Condry: "Televisão: Um perigo para a Democracia" (1994) editado em português pela gradiva.
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Zèd
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England's dreaming
God save the Queen
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vallera
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segunda-feira, 9 de abril de 2007
O cartoon na idade da matraca
Faleceu anteontem o cartoonista Johnny Hart, famoso autor de tiras cómicas. Hart, que nasceu próximo de N. Iorque em 1931, ficou conhecido por 2 séries de banda-desenhada, B.C. (em português A.C. [Antes de Cristo]) e The wizard of Id (O mago de Id).
Nb: notícia aqui; +inf. e tiras aqui.
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Daniel Melo
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21:39
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Maneta
maneta | adj. e s. 2 gén.
de man por mão
adj. e s. 2 gén.,
que ou pessoa a quem falta um braço, ou que tem uma das mãos cortada ou lesa.
Será que hoje, por volta da 18:00, a Universidade Independente vai pró maneta?
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Macaco Zarolho
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Labels: Universidade Independente
Cartaz e autocolante
A imagem que ilustra este post é a de um pequeno autocolante espalhado em locais públicos (uma apragem de autocarro, no caso). Não sei se haverá alguma rábula dos Gato Fedorento a seu respeito, mas merece algumas notas:
1)Se tiver direito a gozação, terá de ser mantido o original, como os «gatos» notaram a respeito do cartaz com que gozaram;
2) Esse cartaz (tenho as minhas dúvidas a respeito deste autocolante) não estava fora da lei, pelo que a destruição de que foi alvo ainda antes de o cartaz «fedorento» surgir foi um acto anti-democrático, mesmo que ninguém o lamente (e além de anti-democrático, frequente em todas as campanhas, tristemente);
3) Destruir propaganda política e deixar que humoristas (ou futebolistas, etc.) façam a luta política por nós é contraproducente (os gato fedorento não aceitaram que os incluíssem nesse debate, e muito bem);
4) Muito bem fizeram em retirar o sue cartaz, sem quererem ser excepção à lei (esquisita, no mínimo) e sem lamechices nem se mascararem de activistas políticos aptrocinados por partidos - o que daria cabo da piada, uma das melhores dos últimos tempos, e reduziria o combate político a piadas;
5) e agora resta saber o que fazer com este autocolante.
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CLeone
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À espera de um editor português
The Truth About Markets: Why Some Countries are Rich and Others Remain Poor, de John Kay (2004, Penguin Books, 496 páginas)
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Hugo Mendes
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domingo, 8 de abril de 2007
Será possível...
Destinado especialmente a todos os que levam uma vida apressada e não têm tempo a perder.

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Daniel Melo
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Ai Jesus! (porque hoje é domingo de Páscoa)
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Zèd
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Labels: belenenses, futebol, Jesus
"Cancer cells are those which have forgotten how to die"
I and my tumour dearly fight.
I need to see my tumour dead
But I remember how to die
The black cells will dry up and die
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vallera
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sexta-feira, 6 de abril de 2007
A caverna platónica e a suplantação da dupla cegueira: Cartas de Iwo Jima
Mais que o general Kuribayashi, o Barão Nishi funciona como um alter-ego de Eastwood neste filme.
O Barão fica cego na caverna platónica, uma arquitectura táctica militar e defensiva posta em práctica pelo general.
A cegueira é aqui usada alegoricamente para demonstrar o conhecimento. O Barão, outrora um campeão olímpico, é agora vítima da guerra e dos seus martírios. A cegueira leva-o a um conhecimento que suplanta a dupla cegueira dos que estão na caverna, ou seja, daqueles que perplexos ou indiferentes, não vêem nem querem ver.
Eastwood, com este seu projecto de guerra cinematográfica (Flags of our fathers e Letters from Iwo Jima) vem igualmente demonstrar um outro tipo de conhecimento, perante a cegueira, até agora mais ou menos vigente no cinema americano sobre a II Guerra Mundial. Neste projecto, o campo e o contra-campo de uma batalha: Iwo Jima. Um ponto de vista americano (Flags of our fathers) com um excurso sobre a guerra do pacífico como a guerra para além da libertação da Europa, e outro japonês (Letters from Iwo Jima), o da impossibilidade de um projecto de guerra contra uma potência como os Estados Unidos.
A lucidez de Clint Eastwood, propaga-se até à última imagem: um plano a partir do monte Suribachi sobre a praia e o horizonte, onde já se intui a bomba atómica. Tal, como o Barão, o realizador projecta a sua visão para além da dupla cegueira.
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vallera
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Jornadas nocturnas
A Páscoa é um caminho que judeus e cristãos percorrrem juntos. Em cada Pesach, os judeus revivem a noite em que Deus os libertou do Egipto; em cada Páscoa, os cristãos celebram a noite em que Cristo passou da morte à vida. Também, os islâmicos têm a sua noite sagrada: a Isra e Mi'raj, igualmente uma «viagem» de Meca para Jerusalém e daí para o céu.
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Anónimo
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Para uma semana santa
Pequenos dogmas
- fato domingueiro faz bom engenheiro
- zangam-se os padrinhos, descobrem-se as fraudes
- filho pródigo torna pelas portas dos fundos
- de pequenino se torce o grande português
- água mole também molha
- Páscoa com amêndoas, cavacos sem emenda
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Daniel Melo
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14:28
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Peões por Lisboa - Propostas concretas (VI) - Cidadania e Liberdade de Expressão
A proposta concreta que apresento para os Peões por Lisboa é precisamente a de abrir todos os espaços destinados à propaganda política, nomeadamente os de afixação, à sociedade civil, aos cidadãos, ou grupos de cidadãos, que desejem utilizá-los.
P.S. - Já agora, não será possível, pare se contornar estas questões processuais, que um, ou melhor ainda, vários partidos políticos patrocinem o cartaz dos Gato Fedorento?
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Zèd
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quinta-feira, 5 de abril de 2007
«Nacionalismo é parvoíce»
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Daniel Melo
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MD - edição de Abril
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Renato Carmo
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Cidadania com inteligência e humor
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Cláudia Castelo
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Posfácio c/osso (IV)
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Daniel Melo
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quarta-feira, 4 de abril de 2007
Multiculturalismo (III) - Nas palavras de Gilberto Gil
Este Samba de Gilberto Gil basicamente resume o que penso do Multiculturalismo. Para quem quiser ouvir, já está a tocar no DJ Peão
De Bob Dylan a Bob Marley - Um Samba Provocação
Gilberto Gil (1989)
Quando Bob Dylan se tornou cristão
Fez um disco de reggae por compensação
Abandonava o povo de Israel
E a ele retornava pela contramão
Quando os povos d'África chegaram aqui
Não tinham liberdade de religião
Adotaram Senhor do Bonfim:
Tanto resistência, quanto rendição
Quando, hoje, alguns preferem condenar
O sincretismo e a miscigenação
Parece que o fazem por ignorar
Os modos caprichosos da paixão
Paixão, que habita o coração da natureza-mãe
E que desloca a história em suas mutações
Que explica o fato da Branca de Neve amar
Não a um, mas a todos os sete anões
Eu cá me ponho a meditar
Pela mania da compreensão
Ainda hoje andei tentando decifrar
Algo que li que estava escrito numa pichação
Que agora eu resolvi cantar
Neste samba em forma de refrão:
"Bob Marley morreu
Porque além de negro era judeu
Michael Jackson ainda resiste
Porque além de branco ficou triste"
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Zèd
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Labels: integração, miscigenação, multiculturalismo
436%?!
Lido no Público On-Line:
"O debate em torno dos limites salariais dos quadros do Estado reacendeu-se devido à possibilidade de Paulo Macedo, Director-geral dos Impostos, vir a abandonar o seu cargo pelo facto de auferir um salário bastante superior ao do primeiro-ministro. O líder da administração fiscal recebe cerca de 23.360 euros, enquanto José Sócrates tem um vencimento base mensal de 5360 euros."
Eu estou longe de ser especialista nestas matérias, mas, assim de repente, parece-me verdadeiramente escandaloso o salário do Director-Geral de Impostos. É que não está apenas em causa aquele ser mais elevado do que o do primeiro-ministro (que me parece muito baixo, aliás); impressionante mesmo é essa relação ser da ordem dos 436%!!!
Parece-me sensato que, na administração pública, ninguém deva ganhar mais do que o Primeiro-Ministro - que, repito, devia ver o seu salário substancialmente aumentado.
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Hugo Mendes
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16:50
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Labels: administração pública, Primeiro-Ministro, salários
O homem novo venezuelano

Será que Chavez quer tornar o Estado venezuelano num Estado totalitário? Pelo menos, segundo o discurso citado pelo Daniel Oliveira (citando a Folha de São Paulo), parece. Homem novo, higiene, etc... Isso só lembra os piores momentos da história.
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Victor
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terça-feira, 3 de abril de 2007
"Troquei minha tese pelo tesão"...
"Mamãe, mas que fato importante,
eu me apaixonei pelo meu informante"..
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Daniel Melo
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Sinal de Alerta
Fui ver Sinal de Alerta, que é um grande filme, e justifica em pleno os prémios que arrecadou. É uma raw picture da vida da underclass escocesa, a provar que em tempos de big brother e de câmaras de vídeovigilância em cada esquina, as questões-chave da existência são ainda as mesmas: o amor - ou a falta dele, seja na versão agape ou na eros -, a existência ou perda de entes queridos, o reconhecimento pelos outros, ou pela "sociedade".
O filme está cheio de pormenores deliciosos, e a cereja em cima do bolo é quando na cena final começa a tocar uma melódica cover - não sei por que banda - de "Love Will Tear Us Apart", dos Joy Division. No final do filme, estas palavras fazem todo um outro sentido:
When routine bites hard, and ambitions are low
And resentment rides high, but emotions won't grow
And we're changing our ways, taking different roads
Then love, love will tear us apart again
Why is the bedroom so cold? You've turned away on your side
Is my timing that flawed - our respect run so dry?
Yet there's still this appeal that we've kept through our lives
Love, love will tear us apart again
You cry out in your sleep - all my failings expose
There's a taste in my mouth, as desperation takes hold
Just that something so good just can't function no more
When love, love will tear us apart again.
P.S. - No DJ Peão coloquei um clip desta música.
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Hugo Mendes
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Labels: cinema, Joy Division, Sinal de Alerta
segunda-feira, 2 de abril de 2007
Massificação sem democratização, eis a questão
«[Em Portugal] a lógica reprodutora continua a verificar-se, na medida em que o campo escolar, enquanto regulador da competição social, actua como um mecanismo de selecção social. Neste campo, as diferentes classes e grupos sociais agem em função dos seus recursos e competências, dos seus horizontes sociais e expectativas de status. Ora, o que se nota é que existem grupos sociais que tiram maior proveito deste jogo, na medida em que possuem recursos e capacidades adquiridas que lhes facultam uma inscrição no campo mais vantajosa, com beneficios em termos de capitais escolares e simbólicos».
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Renato Carmo
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Labels: democratização, ensino superior, massificação, reprodução social
Justiça
O caso da UnI, que também aqui gera tantas postas, é um bom exemplo de como o mau funcionamento da Justiça portuguesa (e respondendo agora a uma pergunta do Hugo) atrofia a vida pública - e não apenas a económica, a política, ou outra - e gera inequidades em série.
Quem fechou (se fechar...) a UnI foi a TV. Os tribunais e a polícia já seguiam aquilo há anos, mas o ministro só actuou (e com que demora) quando a TV lá foi. A Internacional (acho que é assim, nem conhecia esta), forçada a mudar a designação por não ser universidade, também faz figura de peneira a tapar o Sol: esta situação é geral no privado, e o público (o modelo para o privado, depois de ainda mais degradado) também não se recomenda. Mas claro que um ministro que pertence à carreira e a ela voltará não tem liberdade nem poder para actuar.
Quem teria essa capacidade seria o sistema de Justiça. Mas o corporativismo judicial, que já nos deu sentenças tão edificantes como as produzidas a propósito das enormidades escritas por A. Barreto sobre um ministro da Cultura de governos socialistas anteriores, trata agora de si e da sua sobrevivência. Infelizmente, sem uma justiça capaz de corrigir os abusos da lei, em Portugal muito mais numerosos que as más leis, nem o ensino, nem a investigação, nem (para voltar a temas de outros posts) a economia ou o emprego vão melhorar decisivamente. Por isso, a UnI (e todas as outras, insisto) mostra bem como a Justiça é muito mais importante para as reformas políticas do que qualquer outro subsector: de Esquerda ou de Direita, o destino de qualquer reforma democrática em qualquer área depende da sua aplicação e efectiva conformidade à lei, e disso não se cuida.
Casos para verificar isto não faltam, suponho que para breve a decisão da Assembleia da República sobre a creditação de lobbyistas dê novos materiais para reflexão...
Entretanto, lá vamos comentando o CV de Sócrates, como se alguém tivesse votado nele por causa do curso ou do MBA, por ter demorado no primeiro ou por ter sido «o melhor da turma» no segundo...
CL
PS - É preciso não saber o que é dar aulas, ou ter muita má-vontade, para fingir que não é normal dar notas com datas de Domingos, feriados, etc. Mais a mais sendo-se Reitor.
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CLeone
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Labels: Justiça, Política, Universidade
Cinemateca júnior
Costumo apontar a Cinemateca Portuguesa como um mau exemplo de funcionalismo público e, se não tanto no que diz respeito à preservação e conservação, já bastante pior no que à divulgação concerne. Passa sempre os mesmo filmes, e mesmo quando propõe ciclos, neles conseguem «caber» os mesmíssimos títulos já vistos avulso. Estas projecções mensais são, geralmente, acompanhadas por uma tentativa de exposição logo à entrada, em que se destaca a invulgar quantidade de fita-cola e as cartolinas desbotadas. Ainda dentro da divulgação, ou da falta dela, nota-se a inexistência de conferências, cursos livres, debates, lançamentos de livros e de um serviço educativo.
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Anónimo
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UnI labora 7 dias por semana!
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Daniel Melo
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Police par tout, Justice nul part (II)
Relativamente aos tumúltos da semana passada na Gare du Nord ficou no ar questão "como é que da interpelação de um passageiro sem bilhete se passa a uma situação de motim generalizado?". Já agora pode ver-se o depoimento do passageiro em questão, Angelo Hoekelet. Como seria de esperar é bastante diferente da versão oficial, e mesmo sem atribuir mais credibilade a esse depoimento do que às outras versões, mas simplesmente comparando-as, percebe-se talvez algumas coisas. Um detalhe importante em que as várias versões convergem é que os confrontos começaram imediatamente no momento da detenção de Angelo Hoekelet. O que leva um certo número de passageiros do metro a envolver-se numa confrontação com a Polícia quando vêm um individuo violento ser detido? A explicação rápida (talvez demasiado) que ouvi a um francês foi simplesmente que vendo um negro ser preso os outros negros ou banlieusards utentes do metro vieram em seu auxílio. Para além levemente racista (no mínimo) não cola muito com a realidade. Interpelações como esta são frequentes, se fosse por simples solidariedade de cor haveria motins todas as semanas. Imaginar que numa situação "normal", em que há um clima de confiança nos agentes da autoridade, e estes cumprem exemplarmente a sua função, os transeuntes vão defender um infractor apanhado em flagrante delito simplesmente porque ele é negro, é absurdo. Além de absurdo não coincide com os testemunhos de quem presenciou os acontecimentos. Pode até ter havido solidariedade de banlieusards para com Angelo Hoekelet pelo facto dele ser negro, e isso ter desencadeado os confrontos, mas não se trata da tal situação "normal". Há pelo menos dois factores que, na minha opinião, são cruciais: uma intrevenção violenta da Polícia durante e depois da interpelação de Hoekelet, e um clima de desconfiança dos jovens da banlieue em relação à Polícia.Na detenção de Angelo Hoekelet, é referido por vários testunhos, é usada foça excessiva. Segundo o próprio talvez por razões fúteis, como razões pessoais por parte dos fiscais do metro (que alegadamente até eram conhecidos). Talvez tenha sido uma operação de controlo que se descontrolou, e os primeiros intervenientes perderam mão na situação. Mas é depois desse primeiro momento que a situação se agrava (segundo os mesmos testemunhos), porque, quando se impunha um apelo à calma, há várias investidas da Polícia de Choque (os CRS) perfeitamente desproporcionadas. E aqui não se trata de um simples acontecimento que foge do controlo, é a execução de um plano elaborado para este tipo de situações que faz parte de uma política de repressão da violência, com o nome sugestivo de Vigipirate. Ou seja, é a aplicação no terreno de uma vontade política, numa de lógica responder a estas situações de uma forma repressiva, com demonstrações de força. O resultado prático foi o desencadear uma resposta violenta por parte de grupos de jovens que se encontravam na Gare du Nord. A vontade política vem de quem foi o ministro das polícias nos últimos anos, Nicolas Sarkozy.
Em relação ao clima de desconfiança por parte dos jovens das banlieues relativamente à Polícia, é um facto que se tem vindo a detriorar como consequência destas políticas repressivas. Duvido que as relações entre uns e outros alguma vez tenham sido boas, mas agora é de alguns representantes de polícias que vêm sinais de preocupação e apelos ao diálogo. Por exemplo o sindicato de polícias SGP-FO, fez um inquérito em 2005 para o qual obteve cerca de 5000 respostas; 76% dos polícias inquiridos acham a relação com as populações se detrioraram nos últimos anos, e 90% acham que a relação com os jovens se degradou (fonte Metro, edição impressa). São os próprios polícias que reconhecem um agravamento da situação. Acrescente-se ainda que com Nicolas Sarkozy se acabou com a Polícia de proximidade, que tinha por objectivo garantir uma boa relação com as populações.
Parece-me óbvio que as causas primeiras da violência urbana são sociais, e não a política de segurança. Há os problemas de integração e as condições socio-económicas em que se vive nas Cités (e como se chamam por aqui os Guetos dos subúrbios, de onde vem a violência), que podem explicar as causas do fenómeno. Mas uma política repressiva, que é discriminatória, e aponta os que já são excluidos como sendo os inimigos, é pura provocação. E é atear o rastilho de um barril de pólvora que está à espera de explodir. Nicolas Sarkozy como Presidente não vai resolver os problemas socio-económicos (é coisa que nem o preocupa) e vai aumentar ainda mais a repressão. Se for eleito é só contar os dias até que algo muito maior do que a Gare du Nord ou os tumúltos de Novembro 2005 rebente.
Nota: o título do post Police par tout, Justice nul part é um slogan antigo (Maio de 68?) que foi recuperado expontaneamente na Gare du Nord terça-feira passada, segundo os relatos foi gritado com frequência durante as investidas dos CRS (Polícia de Choque).
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Zèd
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Labels: Eleições França, imigração, integração, presidenciais francesas, Sarkozy, segurança
domingo, 1 de abril de 2007
Ó sôtor, ele esforçou-se
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Daniel Melo
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Ele dá o exemplo
Já é oficial: o PM dá o exemplo e candidata-se ao pugama Novas Oportunidades.
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Daniel Melo
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23:57
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Uma verdade inconveniente
Enquanto todos aguardam a libertaçao dos 15 elementos da marina britânica capturados há mais de uma semana pela Guarda Revolucionária Iraniana - e enquanto todos se legitimamente preocupam pelo bem-estar dos reféns, é altura de reflectir como as forças aliadas, e em muito particular os EUA em Guantánamo, tratam os elementos que mantêm presos. Ronan Bennett, no The Guardian da passada sexta-feira, coloca o dedo na ferida.
"It's right that the government and media should be concerned about the treatment the 15 captured marines and sailors are receiving in Iran. Faye Turney's letters bear the marks of coercion, while parading the prisoners in front of TV cameras was demeaning. But the outrage expressed by ministers and leader writers is curious given the recent record of the "coalition of the willing" on the way it deals with prisoners.
Turney may have been "forced to wear the hijab", as the Daily Mail noted with fury, but so far as we know she has not been forced into an orange jumpsuit. Her comrades have not been shackled, blindfolded, forced into excruciating physical contortions for long periods, or denied liquids and food. As far as we know they have not had the Bible spat on, torn up or urinated on in front of their faces. They have not had electrodes attached to their genitals or been set on by attack dogs.
They have not been hung from a forklift truck and photographed for the amusement of their captors. They have not been pictured naked and smeared in their own excrement. They have not been bundled into a CIA-chartered plane and secretly "rendered" to a basement prison in a country where torturers are experienced and free to do their worst. (...)"
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Hugo Mendes
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Labels: EUA, Guantánamo, Irão, reféns, Reino Unido
Posfácio c/osso (III)
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Labels: exílio, França, Manuel da Silva Ramos, O sol da meia-noite, vida
La France d'après
A França de Sarkozy não é somente uma França cheia de CRS.
Como se lê num dos últimos discursos do candidato UMP, é também uma França que não consegue olhar honestamente o seu passado (nomeadamente o seu passado colonial), que continua a culpabilizar o seu principal aliado e continua a imaginar-se como uma excepção no mundo, o que lhe permite esconder os piores horrores.
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Victor
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02:42
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Se o ridículo pagasse imposto...
“Fomos um milhão e 500 mil portugueses que dissemos não a esta lei. Mas se a nós juntarmos mais um por nascer por cada voto nosso, teremos seguramente mais de três milhões de portugueses”, afirmou Isilda Pegado, em nome dos movimentos do “não”.
A causa do "não" à IVG é uma causa legítima. Acontece que, no passado dia 11 de Fevereiro, perdeu. Mas os seus representantes não perderam apenas o referendo; perderam de certeza o sentido do ridículo. Será que Isilda Pegado consegue perceber o alcance do que disse?
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Hugo Mendes
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