quinta-feira, 3 de maio de 2012

E eis senão quando um injustamente relegado obriga a reescrever toda a história da literatura portuguesa!!!

O tipo escreveu o 1.º romance histórico português aos 14 anos, o 1.º romance moderno luso uns anos depois; e foi traduzido para alemão antes de Herculano. As obras são boas. Apesar de tudo isto, foi esquecido pelos escritores coevos e pelos historiadores da literatura até um outro escritor amante do  romance histórico português se interessar pelo caso.
Pedro Almeida Vieira, é dele que falo, reedita agora o tal  1.º romance moderno luso. Está a ter boa publicidade (i; Clube dos Livros; Da Literatura), deixando encavacado todo um friso de ilustres, desde Herculano a Carlos Reis. É bem feita. Parabéns a Pedro Almeida Vieira, pela persistência e pelo cuidado.
Mas não cuidem que se tenha sentido mal. Na época, até rebuçados vendeu. E muitos!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Fernando Lopes (1935-2012): o pioneiro do «novo cinema português»

Preparou-se cedo, na meca londrina, e começou novo, tal como o cinema que fez. Tem filmes marcantes, alguns percursores. Ontem, revendo Belarmino, não pude deixar de repisar a sensação de obra inspiradora de filmes como Touro enraivecido, de Scorcese, feito muito anos depois.
Fernando Lopes foi um cineasta importante mas algo secundarizado, pela sombra de Manoel de Oliveira e César Monteiro. Ousou transpor para cinema obras grandes da literatura portuguesa, como Uma abelha na chuva, de Carlos de Oliveira, e O delfim, de José Cardoso Pires.
Obituários no Público, DN e JN.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Um 1.º de Maio para sortudos?

Se também acha felizardo quem está em Tui, então é provável que também lhe interesse ler e/ou assinar a petição online «Pela construção de um monumento a José Afonso, em Lisboa», dinamizada pela AJA- Associação José Afonso. Eu já assinei!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Miguel Portas (1958-2012): um socialismo humanista e europeísta

«Miguel Portas morreu aos 53 anos», por São José Almeida e Rita Brandão Guerra
Adenda: só agora li a última entrevista de Miguel Portas ao Expresso, que recomendo. Começa bem logo no título, «Quem não se arrepende de nada, ou é parvo ou santo», e é da autoria de Luísa Meireles e Rosa Pedroso Lima.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Tributo a José Tengarrinha, nos seus 80 anos

A homenagem ao cidadão antifascista, fundador do MDP-CDE e historiador do Portugal contemporâneo é já no próximo dia 14, num almoço a realizar na antiga FIL, em Lisboa.

Depois disso, e ainda em 2012, sairão mais dois livros seus: uma Nova história da imprensa portuguesa das origens a 1865, nas suas volumosas 700 páginas, e uma novel incursão no tema das greves e dos conflitos sociais no Portugal moderno - 1872: o início da ofensiva operária em Portugal. Bem bom. Calha relembrar que, além destas áreas, Tengarrinha deu ainda um contributo relevante para a história cultural, área em que destaco um estudo sobre a leitura na monarquia final e um livro sobre A novela e o leitor, editado pela Prelo com base num inquérito distribuído nas bibliotecas da Fundação Gulbenkian.

Para quem quiser ficar a saber mais sobre o homem, a obra e o tributo pode consultar a página facebook de Helena Pato.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O grau zero da argumentação

Quando um ministro diz que fecha uma das melhores maternidades do mundo e recentemente alvo de obras de vulto por ser um «hospital monovalente» só nos resta uma coisa: o repúdio veemente. As reacções de indignação sucedem-se: ontem realizou-se uma concentração, a blogosfera desmultiplica-se em denúncias e a oposição política começa a fazer o seu trabalho. Contra esta lógica de rasura da história e de imposição dum mundo quadrado, econometrizado.

O anunciado encerramento injustificado da Maternidade Alfredo da Costa é mais um indício duma estratégia de desqualificação do Serviço Nacional de Saúde, uma das bandeiras da democracia portuguesa.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Reformado grego suicida-se defronte ao parlamento: tiraram-lhe tudo, o dinheiro, a esperança, a vida condigna; é isto que queremos legar?

«Suicídio em frente ao Parlamento abala a Grécia», por Isabel Gorjão Santos, com agências

«Greek man shoots himself over debts», por Helena Smith

Somos todos gregos, cada vez mais...

Lembram-se da frase «dizer a verdade»? Novamente quem paga é o mexilhão: onde está a justa redistribuição dos custos?

Anteontem diziam: os cortes nos subsídios de férias e Natal só vigorarão em 2012 e 2013.

Ontem disseram: «À semelhança do que o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, já tinha dito ontem, Vítor Gaspar salientou que o corte do 13º e 14º meses é temporário e vigorará apenas enquanto durar o programa de assistência económico-financeira, ou seja, até final de 2013».

Hoje dizem: «Função pública: Primeiro-ministro diz que subsídios de férias e Natal só serão repostos em 2015» (politiquês retorcido que significa que também vão retirar os subsídios salariais à função pública e aos reformados em 2014).

Que credibilidade tem um governo destes?

terça-feira, 3 de abril de 2012

Em nova missão sacrificial, Barroso reassume-se como primeiro-ministro de Portugal

«Bruxelas admite fim dos subsídios de férias e de Natal», por Ana Rita Faria e Isabel Arriaga e Cunha

Negociatas Parque Mayer e Feira Popular recusadas pelo tribunal

sexta-feira, 30 de março de 2012

Que política científica? - achegas a um debate urgente

O n.º 202 da revista Análise Social, que acaba de sair, integra um texto meu com diagnóstico e propostas para renovar a política científica em Portugal, num quadro de crise aguda com indícios preocupantes também neste domínio das políticas públicas. Chama-se «Ciência para o futuro – a propósito do relatório estratégico do Conselho Científico das Ciências Sociais e das Humanidades» e, como o título indica, parte da leitura dum relatório central para a definição da política pública nesta área, «Ciências Sociais e das Humanidades: mais excelência, maior impacte», elaborado recentemente por um órgão consultivo da agência científica FCT e presidido por José Mattoso. Além de abordar criticamente as suas principais propostas e medidas, também avanço com propostas minhas. Escrevi esse comentário porque entendo que o relatório em apreço deve ser lido, estudado e, se for caso disso, apoiado para servir de documento estratégico na orientação e tomada de decisão política.

No meu texto cito o testemunho dum físico belga e perito em política científica, Jean-Pierre Contzen, que nos interpela a todos: «Se não sairmos da crise em dois anos, vai haver problemas com a ciência portuguesa».

Entretanto, soube-se que a área dos Estudos Africanos deixou de ter um concurso específico no âmbito dos concursos de Investigação & Desenvolvimento que a FCT abriu este ano. Tal concurso específico surgiu em 2004 e foi um contributo decisivo para a consolidação impressiva desta área de estudos. Essa medida política deve ser motivo de perplexidade, por 4 razões principais: 1.ª) por ser uma área estratégica para o aprofundamento da lusofonia, eixo prioritário da política externa do Estado português; 2.ª) por ser uma das duas únicas áreas interdisciplinares existentes, num contexto em que se torna cada vez mais ingente reforçar a interdisciplinaridade; 3.ª) por ignorar o relatório supracitado do conselho consultivo presidido por José Mattoso; 4.ª) por não ter havido contacto directo com os principais visados por esta medida. Creio que estes são argumentos ponderosos que devem servir para repensar seriamente se se deseja que esta seja uma opção definitiva.

Para que não digam mais tarde que não houve chamadas de atenção e vontade em debater publicamente e construtivamente esta questão magna para o desenvolvimento do país.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Para uma história do traje em Portugal: vestimenta de uso obrigatório em manif

Determinado por portaria do Ministério do Interior, com efeitos a partir de 28 de Maio de 1926.

Cumpra-se,

a bem da Nação.

domingo, 25 de março de 2012

Antonio Tabucchi, o mais pessoano dos italianos (1943-2012)

«Morreu Tabucchi, o escritor italiano que escolheu Portugal», por Sérgio B. Gomes, João Pedro Ferreira e Nicolau Ferreira
PS: o seu livro A cabeça perdida de Damasceno Monteiro será lido integralmente na Casa Fernando Pessoa, no próximo dia 2 de Abril, a partir das 10h30.

Mais boas notícias da frente cultural

Para fintarmos o Portugal sentado, deixo-vos com mais 3 bons registos na cultura:

1) a descentralização continua por obra das novas redes culturais (5 Sentidos, Recentrar), como no-lo confirma Tiago Bartolomeu CostaEm rede»)

2) os editores lusos de literatura infanto-juvenil foram as estrelas de feira em Bolonha, diz-nos a Rita PimentaOs livros infantis portugueses estão a conquistar o mercado internacional»)

3) o cineasta grego Angelopoulos, recentemente falecido, tem direito a retrospectiva na Cinemateca Portuguesa e é revisitado criticamente por Augusto M. SeabraOlhar a Grécia»)

Encontros livreiros é com o Medeiros!

Pois, pois, porque é já hoje a 3.ª edição dessa festa do livro e das suas gentes que o livreiro Manuel Medeiros organiza com tanto entusiasmo e rigor, sempre em Setúbal, na Av. 22 de Dezembro, 23, pelas 15h. Fica o desafio para quem puder, pois já são muitos os que prometeram comparecer. Este ano não posso, mas para o ano irei novamente.

sábado, 24 de março de 2012

Uma bela experiência de política cultural de bairro

«Campo de Ourique à espera do centro cultural prometido», por Inês Boaventura

A informação detalhada está no blogue do movimento SOS Cinema Europa.

Finalmente temos o Botas encapsulado

«Um vinho para testar a marca Salazar», por Graça Barbosa Ribeiro

«No mínimo, é de mau gosto, no máximo um insulto às vítimas do Estado Novo»: opinião de Filipe Ribeiro de Menezes, o historiador em voga do jornal Público

Ter esperança em tempos de incultura e elitismo

Mas como dizer a um desempregado, a um criador sem condições financeiras de produção, a um recém-licenciado sem emprego nos tempos próximos e com uma expectativa de vida de 75 anos que, sendo racional, deverá ser optimista? Claramente, dizê-lo seria cair na demagogia; há que ter bem presente que a tese bem fundamentada de Ridley [The rational optimist] é sobre a espécie humana e a sua longa história, não sobre o indivíduo em particular. Mas é sobre a situação de fragilidade individual que tem intervindo a maioria dos governantes europeus, e os portugueses em especial: ao construírem uma auto-representação negativa, miserabilista, culpabilizada das sociedades que actualmente governam, exercem uma chantagem emocional e condenam [...] as sociedades a que pertencem a uma extinção simbólica.

Este pessimismo apocalíptico [...] é resultado da incultura, da negação da democracia [...] e da atracção pela barbárie.

António Pinto Ribeiro, «O racional optimista», Público, 2/III/2012, p.39-Ípsilon

sexta-feira, 23 de março de 2012

O Dia do Estudante e as lutas pela democracia

São combates de várias gerações, mas só uma celebrará amanhã o Dia do Estudante (na Reitoria da Universidade de Lisboa). Com legitimidade, diga-se: é que este sábado passam 50 anos sobre o dia que marcou o arranque do protesto estudantil em Lisboa contra a ditadura salazarista.

A celebração nesse ano de 1962 foi abruptamente proibida pelo regime, para travar a propagação da acção anti-colonialista surgida em Coimbra, e os estudantes reagiram: a Reunião Inter-Associações decretou Luto Académico para 26 de Março. O protesto ressurgiu em Coimbra e deu origem a várias formas de luta: greve de fome com ocupação da cantina, manifestações de rua, panfletos, jornais, etc. O rastilho marcaria os anos 60.

O festejo nacional do Dia do Estudante foi, segundo o dirigente estudantil José Joaquim Fragoso (AEIST, 1945-52), uma ideia que surgiu em reunião entre academias, e pretendia ser mobilizador para todos os universitários. Nessa altura o dia escolhido foi 25 de Novembro, que então representava uma «tomada da Bastilha» na academia de Coimbra, nos idos de 1921. Pelo meio houve outros combates, como a reacção a diploma de 1956 que pretendia acabar com as associações de estudantes (refiro-me ao malfadado decreto-lei 40900). Só em 1974 é que ficou definido o dia 24 de Março, em tributo aos eventos.

A geração de 62 criou um site muito interessante, o «Crise de 62», com notícias, cronologia, documentos, depoimentos & etc. Vale a pena vê-lo.

PS: destaques da cobertura pelos media: reconstituição da greve de fome (Expresso, já on-line); artigo grande na revista de domingo do Correio da Manhã; a RDP1 vai estar em direto da Reitoria no próximo sábado (das 12 às 13h).

quarta-feira, 21 de março de 2012

Pela dignificação do trabalho e da vida

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Já está no terreno a próxima greve geral em Portugal. Infelizmente, esta não é unitária, mas também não é só da CGTP: «A austeridade é a arma deles, parar é a tua». A intenção une os trabalhadores.

terça-feira, 20 de março de 2012

Uma vitória da criatividade sobre o calculismo

Nem mais nem menos: em noite de jogo frenético, o SLB ganhou merecidamente ao FCP e, a haver justiça poética plena, teria ficado 4-2. Foi 3-2, mas o jogo foi bem disputado e emotivo. A Taça da Liga é troféu secundário, certo, mas o FCPorto veio com toda a força (o resto foi bluff descarado).

Perante tal perfume inibriante, a eminência parda do futebolês tuga correu a terreiro para o seu papel preferido deste último trinténio: o de fustigar a arbitragem e tutti quanti para condicionar as arbitragens das jornadas seguintes a seu favor. Já só cai quem quer, ou quem lhe deve. O problema é que, no duelo anterior, o FCP só ganhou com um 3.º golo em fora-de-jogo (o resultado justo desse jogo teria sido 2-2), mas com essa vitória passou a liderar o campeonato. E é dessas arbitragens que os dirigentes do FCP não falam. Não lhes convém.

quinta-feira, 15 de março de 2012

É sempre bom rever David & Golias...

... mesmo que o David seja o Sporting CP! É mais do que merecido pois, ainda por cima, mostrou surpreendente qualidade estética durante mais 1 hora, o que é obra, dado que do outro lado estavam dos artistas mais bem pagos do planeta na arte de pontapear o esférico. E esta, hein?

Última sondagem dá PSD em queda livre, e ainda é pré-negociatas com BPN, Lusoponte, EDP...

Para os interessados é favor consultar o Barómetro Político Marktest.

Di qualcosa di sinistra! - onde António Costa faz que quer falar de democracia participativa mas não consegue dar um único exemplo ou proposta...

Um politiquês balofo e oco. É pena mas é assim, pelo menos quanto ao assunto em epígrafe. Se não acredita confira esta metade de entrevista ao Público de quarta-feira passada (vd. final desse post). O resto está aqui e não adianta nada - o livro de que era suposto falar escapará ao naufrágio?

segunda-feira, 12 de março de 2012

É já amanhã!

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Relatos de experiências: as editoras da resistência, 1960-1970 | 13 de Março | 18h30
- Sérgio Ribeiro (Prelo Editora)
- José Antunes Ribeiro (editoras Ulmeiro e Assírio & Alvim)
- João Barrote (editoras Paisagem, Escorpião e col. Textos Exemplares)
- Daniel Melo (comentador, FCSH-UNL)
Apareçam, nem que seja para ver este entardecer veranil em pleno inverno.

domingo, 11 de março de 2012

Giraud/ Moebius, o desenhador versátil que recriou o western e a ficção científica (1938-2012)

«Morreu Jean Giraud, o autor que mais influenciou os criadores do seu tempo», por Carlos Pessoa

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mano, respeita as tuas raízes, já que não tens vergonha na cara

«Sarkozy diz que há demasiados estrangeiros em França».

E que tal começar por si e a sua família?

Escrutínio público do presente é o que faz falta

No início, impuseram cidadãos de 1.ª e de 2.ª (assalariados do público vs. privado), agora há funcionários públicos de 1.ª e de 2.ª

«Governo abre excepção para a TAP e autoriza empresa a manter salários», por Raquel Almeida Correia (nb: a excepção é extensiva aos funcionários do banco público, CGD)

dia internacional é quando a mulher quer

quarta-feira, 7 de março de 2012

RTP faz 55 anos em ambiente de apagão

Não gramo a RTP, já aqui o dei a entender várias vezes, unica e exclusivamente por uma razão: o seu situacionismo crónico e insuportável. Só não vê quem não quer. Isso não significa que a maioria dos seus profissionais sejam situacionistas ou que haja manipulação das notícias. É, de facto, uma tradição e uma formatação das relações entre chefias e poder político que determinam o essencial.
Seja como for, hoje a RTP faz 55 anos e está a ser atacada dum modo inacreditável (vd. aqui , aqui e aqui), pelo próprios governantes que supostamente deveriam zelar pelo serviço público (ao permitirem mudança de medição de audiências sem qualidade garantida e sem qualquer fiscalização atempada). Falam mais alto agora os interesses particulares do que a propaganda encapotada?

Guerra colonial - Tarrafal 50 anos depois


Mais detalhes no site da SPA.

sábado, 3 de março de 2012

Livros que tomaram partido

Na próxima 2.ª feira será inaugurada a mostra «Livros que tomam partido: editoras de caráter político na transição da ditadura em Portugal (1968-1982)», na Biblioteca Museu República e Resistência, em Lisboa (Estrada de Benfica, 419).

Em paralelo, decorrerá um ciclo de debates, organizado pelo historiador Flamarion Maués. Tenho o prazer de coordenar a 2.ª sessão, dedicada a testemunhos de representantes de editoras da resistência, como Sérgio Ribeiro (Prelo Editora), José Antunes Ribeiro (Ulmeiro e Assírio & Alvim) e João Barrote (Paisagem, Publicações Escorpião e Textos Exemplares). Deixo-vos em baixo o programa completo dos 3 debates.

Sessão 1 – 6 de março de 2012, às 18h30
A edição de caráter político em Portugal no período 1968-1982, por Flamarion Maués (doutorando na Universidade de São Paulo e investigador do IHC-FCSH-UNL)
– comentadores: profs. Maria Inácia Rezola (Univ. Nova Lisboa) e José Manuel Lopes Cordeiro (Univ. Minho)

Sessão 2 – 13 de março de 2012, às 18h30
Relatos de experiências: as editoras da resistência, 1960-1970
- Sérgio Ribeiro (Prelo Editora)
- José Antunes Ribeiro (editoras Ulmeiro e Assírio & Alvim)
- João Barrote (editoras Paisagem, Escorpião e Textos Exemplares) 
- comentador: prof. Daniel Melo (FCSH-UNL)

Sessão 3 – 20 de março de 2012, às 18h30
Relatos de experiências: as editoras da Revolução, 1974-1976
- Francisco Melo (UNICEPE e Editorial Avante!)
- João Soares (Perspectivas & Realidades) 
- Fernando Abreu (Edições Base) 
- comentador: prof. Nuno Medeiros (FCSH-UNL)

quinta-feira, 1 de março de 2012

Ciao Lucio, sei un grande

No dia da sua imprevista morte, aos 68 anos, em plena digressão, nada melhor que escolher «4/3/1943». Canção autobiográfica, conta-nos a história da concepção de Lucio, por Lúcia, mãe adolescente do cantautor. Foi censurada na RAI. Para os fans, reenvio uma versão inédita. Anos depois, Chico Buarque torna-se amigo de Dalla, e adapta a letra para português, na belíssima «Minha história». Em baixo, a letra da versão em português.

Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar
Eu só sei que falava e cheirava e gostava de mar
Sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente
E minha mãe se entregou a esse homem perdidamente, laiá, laiá, laiá, laiá
Ele assim como veio partiu não se sabe prá onde
E deixou minha mãe com o olhar cada dia mais longe
Esperando, parada, pregada na pedra do porto
Com seu único velho vestido, cada dia mais curto, laiá, laiá, laiá, laiá
Quando enfim eu nasci, minha mãe embrulhou-me num manto
Me vestiu como se eu fosse assim uma espécie de santo
Mas por não se lembrar de acalantos, a pobre mulher
Me ninava cantando cantigas de cabaré, laiá, laiá, laiá, laiá
Minha mãe não tardou alertar toda a vizinhança
A mostrar que ali estava bem mais que uma simples criança
E não sei bem se por ironia ou se por amor
Resolveu me chamar com o nome do Nosso Senhor, laiá, laiá, laiá, laiá
Minha história e esse nome que ainda carrego comigo
Quando vou bar em bar, viro a mesa, berro, bebo e brigo
Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz
Me conhecem só pelo meu nome de menino Jesus, laiá, laiá
Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz
Me conhecem só pelo meu nome de menino Jesus, laiá, laiá, laiá, laiá.

Tiradas

Na Catalunha como em toda a parte, em 1942 como agora.

«Ganhar dinheiro trabalhando muito é considerado uma mera redundância, uma vulgaridade desinteressante. Ganhar dinheiro sem fazer praticamente nada, eis o que tem mérito»

Josep Pla - Viagem de autocarro, p.132.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

É sexta-feira (emprego bom já)

Eles enterram o País o povo aguenta
Mas qualquer dia a bolha rebenta
De boca em boca nas redes sociais
Ouvem-se verdades que não vêm nos jornais

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Um homem na cidade: Nuno Teotónio Pereira

Começou agora, na RTP2, um documentário dedicado ao grande arquitecto modernista e antifascista Nuno Teotónio Pereira.

Bem oportuno, muito merecido.

Menino d'oiro

Tributos a José Afonso, 25 anos depois



Zeca: 25 anos depois

Organização: Associação José Afonso. Apresentação Helder Costa.
Ver cartaz.
Lisboa, Academia Santo Amaro (R da Academia Recreativa,de Santo Amaro 9, Alcântara), 21h.

Sessão de evocação de Zeca Afonso pelo 25º aniversário do seu desaparecimento

Por Viriato Teles, jornalista e escritor.
Lisboa, Biblioteca-Museu República e Resistência, 18h.

Tributo a José Afonso e Adriano Correia de Oliveira

Ver programa.
Braga, Theatro Circo, 21h30.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A meter água desde 2010 (pelo menos)

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Como um edil nacionalista consegue afrontar a memória do seu povo

«Território anexado por Espanha: PS reabre polémica de Olivença por causa da Guerra das Laranjas», por Luciano Alvarez

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Corpo docente

Impossível não gostar de alguém que diz não precisar de dar a volta ao mundo, mas apenas de dormir com uma pessoa de cada nacionalidade.

Impossível não gostar de alguém que monta tendas promíscuas e camas desalinhadas.

Tracey Emin é agora professora na Royal Academy of Arts. Impossível não gostar da notícia.

Já há tanto tempo aqui tinha falado dela.

Para um novo paradigma: um mundo assente no cuidado

O título em epígrafe refere-se a um livro que antologia textos doutrinários de Maria de Lourdes Pintasilgo (1930-2004) e que será hoje apresentado por Maria de Belém Roseira no Centro de Informação Urbana de Lisboa (Picoas Plaza, Rua Viriato, 13), pelas 18h.

Esta é uma compilação de textos escritos entre 1990 e 2004, prefaciados por Marcelo Rebelo de Sousa, posfaciados por Maria João Seixas e editados pela Fundação Cuidar O Futuro e Edições Afrontamento. Mais inf. nesta reportagem de São José Almeida.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Uma questão de datas

Primeiro Dia Mundial da Rádio devidamente festejado na Antena 1. Indecisão nas datas, entre o dia em que Orson Welles leu a Guerra dos Mundos (algures em outubro) e a primeira emissão da NATO (acho eu que era a NATO), helàs venceu a segunda.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Pieguice, chorinho ou submissão aos poderosos

***Neste estaminé temos cardápio para todos os gostos. Não nos contentamos com pratos únicos: temos vários, e combinados, para estômagos cosmopolitas! Nesta estação propomos o ratatouille troikó passos, com alho porro, couves-de-bruxelas, muita parra verde e umas ervinhas secas submissas. Bon appetit!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Ainda dizem que não há dinheiro, pudera!

Vale tudo

«Banco alemão criou fundo de investimento que aposta na morte» (mas ainda aqui há quem responda que está tudo bem, leiam-se os comentários ao texto)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Um livro oportuno, em tempo de egoísmos nacionais

O livro em questão é Representações da portugalidade, resulta dum colóquio realizado em 2010 e será lançado em Lisboa já amanhã, na Livraria Bucholz, às 18h30. A apresentação cabe ao jornalista Paulo Pena.
Publica a obra a Editorial Caminho, já com o seu editor José Oliveira de saída. Infelizmente. Sinais dos tempos.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O exterminador implacável... de leões e dragões!

respigado do facebook, com agradecimentos devidos.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Fernando Lanhas, o abstraccionista de corpo inteiro (1923-2012)

«Morreu o pintor Fernando Lanhas»

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Os dinossauros também têm direito a reclamar, pá!

Então, sempre são 40 anos de serviço abnegado! De dedicaçón ao publicozinho, ós cidadõns.

Deslarga, ó lapa do poder central!!!

Deixem-nos trabalhar outros 40 anos no mesmo poleiro, que já está aconchegado às nádegas do seu usuário habitual.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ajudar quem diz que precisa, mêmo, é?

Alguém tem a bondade de lhe explicar o que se passou entretanto?

«"Sim, eu amo-o", confessou a mulher que foi vista com o comandante do Costa Concordia», por Isabel Gorjão Henriques e agências

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Saída da direcção da RDP confirma acto censório ao jornalista Pedro Rosa Mendes

O escândalo em torno do afastamento do jornalista Pedro Rosa Mendes, que aqui destacámos, chegara a um tal ponto que se tornou insustentável a manutenção do director da RDP, Luís Marinho, o autor do acto censório. Mas este só saiu após resignação do subdirector Ricardo Alexandre, de conferência no Parlamento Europeu convocada pelo eurodeputado Rui Tavares e da demissão em bloco de toda a direcção, este um facto de última hora. Ou seja, teve que ser empurrado.
Mais mal visto do que Marinho fica o ministro da tutela, Miguel Relvas, pois Pedro Rosa Mendes também já fora afastado doutra agência pública informativa, a Lusa, em Agosto passado.
Eis uma história triste para uma estação pública que, depois de 1974, se orgulha de nunca ter feito censura (se é verdade ou não, não sei).

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Twitter big brother

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Novas do austeritarismo

Enciclopédia do boy júnior

É um trabalho de sapa aquele que este blogue tem feito para nos revelar o maravilhoso mas intrincado mundo do assessor nova geração, pró-troika mas imune à partilha de penalizações salariais (isso é para o comum dos mortais).

Perante esta tendência com algum déjá vu, há quem ache que o perigo é a «esquerda caviar» ou, na expressão mais chã de Fátima Bonifácio, a «esquerda champagne». É que esta, se fosse poder, seria a «nomenclatura da nova situação». E, temor dos temores, concretizaria a ameaça letal: «Não fariam parte [os seus amigos ricos socialistas], como eu faria, se isso acontecesse, dos lumpen intelectuais a ganhar 25 tostões para dar dez horas de aulas por dia».

Pessoas como a insigne historiadora do século XIX dizem-se há muito vacinadas contra o esquerdismo dos anos 70, em que militou cegamente. No seu armário, contudo, é só fantasmas desse período. Aqueles que assim se expressam vivem todos nesse passado, como se não tivessem vivido mais nada, como se não houvesse mais referenciais do que um certo pensamento dualista desse tempo.

Entre o real e o imaginário, há todo um campo de opções. Optar pelo cenário mais inverossímil para neutralizar o dissenso político actual (ou, simplesmente, para evitar alongar-se sobre a situação actual) não deixa de ser o mais irónico possível para alguém que se «pela» por polémicas, gosta de política e se afirma provocadora.

Nb: para ler outras pérolas vd. aqui.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Tão liberais que nós somos


****Mais informação nesta entrevista a Pedro Rosa Mendes.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Plataforma Inter-Bolsas: coisas simples, sementes de futuro

Há cerca dum ano atrás, o Rui Tavares teve a ideia de financiar umas bolsas de investigação científica, como modo de apoiar aqueles que precisam de amparo mínimo em tempos difíceis.

Foi uma iniciativa meritória, pela ousadia, pela carência existente e por vir de quem vinha, alguém 'de dentro', que também faz pesquisa e se disponibilizava para apoiar, seleccionar e avaliar as candidaturas. Mais ainda perante os excelentes resultados que o Rui referiu há um mês atrás, no jornal Público e também no seu blogue.

Agora prepara-se para aprofundar essa iniciativa com o projecto Plataforma Inter-Bolsas, de novo apoiado pelos comediantes dos Gato Fedorento e agora também pela eurodeputada Ana Gomes. E por quem quiser, através do patrocinato de ideias na internet. Cada vez melhor! Toda a informação estará disponível em site próprio a partir de Março próximo. Se posso dar um conselho, seria útil que o valor do apoio incluísse o pagamento da segurança social e pudesse ter um período de vigência mais extenso.

Parabéns ao Rui e seus cooperantes. Que mil ideias destas floresçam. Seria bom sinal. Não tem que ser o Estado a fazer tudo. A sociedade civil também pode (e deve) dar exemplos. Não é assim tão difícil. E a esquerda portuguesa está muito atrasada neste âmbito. Por isso, a quem diz que isto foi um golpe político, eu digo: ai é? Então façam também! Quantas mais iniciativas destas melhor!!

Um presidente falido...

... de decência.
De decência, simplesmente.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Portugal no seu melhor: campeões europeus da desigualdade

por Daniel Oliveira

Mas só para quem tem a memória curta, ok?

E o tira-teimas é:

«Este Acordo [de concertação social relativo à fixação e evolução do salário mínimo nacional], subscrito em Dezembro de 2006, pelo Governo e por todas as confederações sindicais e patronais, fixou uma trajectória de evolução do salário mínimo de modo a que este alcance 500 euros em 2011»

nb: cartoon de Fernão Campos, retirado deste seu blogue.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O caso da Loja Mozart49: queremos mesmo transparência?

Tipo, pegar no caso da semana passada para acabar com o clientelismo?
Se sim, então exija-se transparência máxima nos critérios, processos, concursos e avaliações que envolvam o Estado.
Acabe-se com os círculos viciosos, como a dependência das câmaras das licenças de construção, as excepções que se tornam regra (ajustes directos como modo de vida em Lisboa, as famosas «derrapagens orçamentais», etc.), as más negociações para o Estado (as PPP) e/ou cidadãos (BPP, BPN, TDT), a paralização do Estado pelos interesses partidários, a mercantilização da saúde e o esquecimento das farmácias sociais...
Mas se a ideia é avançar também nas 'identificações', então que seja para todos, membros da Maçonaria, do Opus Dei, e, não esquecer, das associações político-partidárias e das suas jotinhas. É aí que se concentra o grosso dos interesses.

Não será a exigência de democratização plena a melhor das visões?

Para ponderar na nossa zanga colectiva com a justiça

«Há uma crise no modo como o cidadão percebe a justiça», entrevista do ex-conselheiro Superior de Magistratura Rui Patrício à jornalista Mariana Oliveira

Boas e más notícias da igreja

José Maria Castillo Sánchez
(em entrevista a António Marujo)

9 conselhos para o Dr. Jardim...

... cada qual melhor que o anterior! Há dias de inspiração!! Ora veja e reveja este resumo por Francisco Teixeira da Mota, em versão autorizada pelo Tribunal da Relação.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sur l'Etat


Dez anos depois da morte de Pierre Bourdieu, a editora por ele criada – Raisons d’Agir – e Le Seuil publicam as aulas dadas pelo sociólogo, nos anos 1989-1992, no Collège de France.
O título é claro : « Sur l’Etat ». Se Bourdieu publicou vários trabalhos sobre o Estado e a génese do Estado, a edição crítica permite aprofundar o olhar crítico – e por vezes ambíguo – do sociólogo sobre o Estado. Para melhor indicar a “universalidade” da obra de Bourdieu, tanto Le Monde como Libération pediram à académicos estrangeiros – Craig Calhoun e Abram de Swaan - uma análise da obra de Bourdieu.
Em suma, uma boa leitura para o início do ano.

sábado, 7 de janeiro de 2012

As melhores exposições de 2011 (cá dentro)

*****Esta é a minha lista pessoal das melhores exposições temporárias vistas em 2011. Tenho muito prazer em ter feito este post, relembrei-me de bons momentos. Não tem hierarquia, mas procurei listá-las da mais antiga à mais recente. Mais coisa menos coisa.

«A Perspectiva das Coisas. A Natureza-morta na Europa, 1850-1955» (Lx, FCG, acaba a 8/I). 2.ª parte duma grande mostra dedicada à natureza-morta, um tema recorrente na arte, mesmo na contemporânea, embora aqui em novos moldes. Este é o fim-de-semana final, gratuito! Com pintura, fotografia e cinema, Matisse, Picasso, Amadeu, Leger e muitos outros.

AmadoraBD 2011 (Brandoa, Fórum Luís de Camões, etc.). Este ano foi a 22.ª edição e uma das melhores de sempre, com mostras para a «Sociedade dos Humoristas Portugueses» (centenário), «O Humor na Banda Desenhada Internacional», «Os Peanuts, 60 anos» (Shultz), «Astérix entre os Portugueses», «As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy», etc.

«Adelino Lyon de Castro – O Fardo das Imagens (1945-1953)» (Lx, Museu do Chiado). Foi, pelo menos para mim, uma das grandes revelações na fotografia portuguesa, após a descoberta de Fernando Lemos, Costa Martins e Vítor Palla. O irmão do editor da Europa-América produziu, entre 1945 e 1953, um impressivo trabalho de cruzamento entre reportagem social e fotografia artística. É o negativo do Portugal de Salazar, um país na labuta diária, trabalhando no duro, ou descansando nas pausas possíveis, com uma grande força humana. O sempre atento crítico Alexandre Pomar faz uma avaliação muito severa desta mostra (vd. I, II, III, IV, V, VI e VII). Seja como for, a comissária tem provas dadas e, para uma boa parte das pessoas, foi a hipótese de descobrir um grande fotógrafo.
«Colares 100 anos da Região Demarcada 1908-2008» (Colares, Adega de Colares). Mostra com fotos, garrafas e rótulos de garrafas antigas, pequena mas interessante. Devia haver mais mostras destas, sobretudo com o bónus de se poder adquirir algum do néctar elogiado no final!

«Humor em Sustenido», de Zé dalmeida (Lx, Galeria Novo Século). Uma antológica do Zé dalmeida é sempre um acontecimento. Ainda por cima quando o ‘tema’ é a música (piano) e aquela ironia terna ainda nos consegue surpreender.

«Duchamp: A Arte de Negar a Arte» (Évora, Fundação Eugénio de Almeida). Um espaço recente com uma programação muito interessante, que consegue preencher muito bem um espaço relativamente pequeno. Bom trabalho nos catálogos.

«Linha de Montagem», de Miguel Palma (Lx, CAM-FCG). Uma surpresa bem agradável, a desta maluquinho pelas engenhocas, com uma certeira ironia do maquinal.

«Ver a República» (Coimbra, Museu da Ciência). Uma boa mostra documental, dispersa por 3 espaços, com boa apresentação e textos. Uma abordagem diferente, mais temática.
«A Voz das Vítimas», de Fundação Mário Soares, IHC-UNL e ANAM (Lx, Antiga Cadeia do Aljube). Uma excelente mostra de denúncia da repressão política do salazarismo. Além da componente científica, de sistematização de informação sobre o sistema prisional e repressivo, dá espaço às vítimas, pela encenação da sua vida nas prisões e a escolha dum conjunto de documentários audiovisuais com testemunhos de ex-presos políticos. A parte de reconstituição é preciosa, o design excelente, com lettring inspirado no logo de João Tito Basto para o ex-Movimento Cívico e actual Associação Não Apaguem a Memória!. Infelizmente o catálogo não está à altura da mostra, é muito antiquado e sem recurso ao multimédia, quando devia ter sido aproveitado o trabalho de levantamento de Diana Andringa para criar um documento incontornável para memória colectiva, em especial para aqueles que não puderam visitar a mostra. Valha-nos o site oficial, bastante exaustivo. Esperemos que fique para sempre.

«Muros de Abrigo», de Ana Vieira (Lx, CAM-FCG). Uma interrogação irónica e terna sobre a infância. Uma revelação para quem não conhecia bem o trabalho desta artista plástica.
A finalizar, vale a pena referir uma mostra permanente.
«Segredos da luz e da matéria» (Coimbra, Museu da Ciência). Uma exposição permanente muito bem feita, num museu que tem acumulado prémios internacionais.

Para uma agenda futura recomendo visitas ao site Galerias de Arte em Portugal.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Afinal, os media de Murdoch não se interessam só por celebridades...

As escutas ilegais da imprensa de Murdoch chegaram a ser relativizadas sobre o argumento de que só pretendiam apanhar «celebridades», aquela fauna que apenas vive de aparecer nos media, donde, tomem lá o troco.
Sucede que não foi só isso. Foi uma autêntica indústria da devassa, que não poupou ninguém, gente comum e políticos importantes. Neste último grupo, notícia recente do The Independent corfirma a devassa a Gordon Brown enquanto ministro das Finanças (o que já fora revelado pelo The Guardian), havendo quem diga que era prática generalizada no jornalismo tablóide.
O que, a ser verdade, não deixa de relativizar a posição de Murdoch, campeão neste segmento. E de comprovar o nexo entre jornalismo tablóide e campanhas políticas. Muito feio. Agora, imaginem que este mano continua a ter nas mãos parte influente dos media dos EUA, RU e Austrália, e ficam com uma ideia do que ainda pode fazer.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Bom ano de 2012!!!

Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?)

Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumidas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 

Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade