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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Enquanto o tempo for permitindo

ainda se pode ir à mais ou menos nova esplanada do Palácio de Galveias.
Num bonito quiosque e inteiramente child friendly (a quem interessar esta faceta), tornou o jardim da Biblioteca num espaço que se consegue realmente desfrutar, embora a presença um tudo nada ameaçadora dos pavões impeça o acesso tranquilo ao relvado. Talvez os bichos se pudessem mudar para o jardim do Museu da Cidade, onde já existem mais e por ser um espaço mais ornamental que outra coisa ficam lá muito bem.
Só é pena que os livros não tenham, também, saído ao jardim.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Sem mais

É uma pena ver as piores expectativas confirmadas, mas nem posso dizer que me espanto (neste blog até já se defendeu a censura). Depois da participação na tentativa de queimar Sócrates com a UnI, depois da descarada desculpabilização do comportamento no 25 de Abril das brigadas juvenis do BE, e sintomaticamente depois de o Hugo sair e de Daniel Oliveira elogiar o Peão, a «análise» ao resultado da eleição de ontem nem espanta. Pena ter sido Daniel Melo, que me convidou para aqui escrever (e vejo hoje como as minhas resistências se justificavam), sempre podia ter sido Renato Carmo, tão rápido ele foi a anunciar mais uma derrota de Sócrates através de uma foto de Helena Roseta (tudo sem partidarizar, claro).
A vitória de António Costa, ontem, não foi apenas completa (o PS ganhou em todas as freguesias, o que deve dar algo para pensar quer à oposição quer à AM). Foi também uma derrota completa para todos os outros. Perderam para o único candidato que queria (e tinha legitimidade para tanto) colocar as contas em ordem, tal como o governo tem feito no país. Perderam depois das sucessivas insinuações e boatos torpes à Direita e à Esquerda (neste particular, a questão em torno de Júdice parece grave e foi mal conduzida). Perderam em percentagem de votos mesmo quando mantiveram o mesmo número de vereadores. Sim, o PS, na altura mais complicada da sua governação nacional, foi o único partido a crescer, em percentagem e em vereadores, sozinho, com uma abstenção gigante e uma cisão - a grande democrata Roseta, que depois de fazer campanha contra o partido pelo qual qual quis ser nomeada pelo chefe, já anuncia estar à disposição.
Estão, aliás, todos à disposição. Jerónimo, com a CDU a ser a quinta mais votada, anuncia a grande derrota do PS e a CDU como a terceira força política da capital, mas Ruben lá negociará pontualmente. Tal como Roseta, claro, e os «socialistas de esquerda» do Bloco (mais uma pérola do Chico). A desvergonha que todos exibem nada deve à do vereador Carmona. Mas António Costa tem ideias próprias, uma equipa escolhida por ele (há quanto tempo o PS Lisboa e o seu tenebroso aparelho desapareceram das notícias?) e a experiência necessária para aturar a retórica dos «vencedores» de ontem. Sócrates, por seu turno, nem se deu a trabalho de falar, ficou a assistir…
Eu, que assisti a esta campanha à distância e nada tenho a mudar ao que escrevi no Esplanar há já bastante tempo, já não tenho disposição para aturar esta sistemática, completa, despudorada, irresponsável falta de honestidade intelectual – e moral. Adeus.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Provedoria

Ainda sem ler a continuação/conclusão, este post no Abrupto merece nota:

«6/6/07
Metabloguismo – sinais de crise


Assiste-se a um significativo empobrecimento da blogosfera que tem mais leitores, para além da pornográfica e futebolística, e que é essencialmente política e "literária". Por um lado, é cada vez maior a sobreposição da agenda comunicacional "lá fora" com a agenda "cá dentro". É um processo que resulta do reforço do contínuo entre blogues e jornais. Hoje não há nenhum tema dos blogues que não chegue praticamente em tempo real aos jornais, cujos jornalistas observam os blogues todos os dias. Por outro lado, o efeito de politização intensa dos blogues e da cada vez maior circulação dos autores de comentário nos blogues para as colunas dos jornais, da rádio e da televisão, torna obrigatório que eles sigam também em tempo real os eventos políticos. As agendas tornam-se mutuamente dependentes e o efeito final é empobrecedor. Há, no entanto, aspectos, como a crítica aos media, que ainda se centram apenas nos blogues.Este pode ser apenas um efeito transitório, mas existe. Mas o mais empobrecedor, é o aparecimento em força de fenómenos de "amiguismo" e "grupismo", que abafam o espírito analítico e tornam os blogues tão permeáveis à cultura da troca do favor e do silêncio crítico que já existe quanto baste na comunicação social tradicional e na sociedade portuguesa. Um livro não é bom apenas porque é publicado pelo autor do blogue ao lado e a permuta de pré-publicações e anúncios congratulatórios não pode ser apenas feita por passividade ou expectativa de retribuição. É suposto que quem anuncia um livro o acha com qualidade, o conheça ou o tenha lido. Senão os blogues ficam iguais ao Jornal de Letras, mais uma coterie, ou um grupo de coteries, mais ou menos rivais que disputam entre si o escasso espaço público das editoras e da "influência".
A polémica do "amiguismo" suscitada por João Pedro George foi um primeiro alerta para esta situação. Rapidamente redundou, pela habitual máquina simplificadora, em se saber se se podia ou não escrever críticas dos livros dos amigos e colegas, o que não é o ponto. No ponto, George tinha toda a razão e o modo hostil como foi recebido particularmente revelador de que tocara numa questão sensivel.
É uma espécie de Princípio de Peter. As razões do sucesso podem tornar-se as razões do insucesso. O sucesso da blogosfera criou um novo circuito literário, jornalístico, de comentário político, de crítica, que é, como se costuma dizer, "incontornável" para directores de órgãos de informação, editores, organizadores de colóquios, animadores culturais, empresas "culturais", vereações municipais, etc.. Mas os sintomas de entrada no establishment começam a ser evidentes, com a complacência generalizada nos blogues com os produtos da própria blogosfera.Que isto se discuta tão pouco é já por si um sintoma da doença. Não era isso uma das coisas que os blogues criticavam na imprensa?(Continua)»


Além de fazer justiça ao JPG, nele JPP retoma uma tese comum a bloggers, a da suposta originalidade da blogosfera; mas apenas para dar conta, ao contrário do entusiasmo autocongratulatório do meio (também nisso tão mainstream…), do fenómeno de redundância na bloga portuguesa em relação aos meios tradicionais que alegadamente superaria, e não sem um travo hegeliano.
Mais uma vez, e isto é a norma desde o inicio da blogosfera portuguesa, a evidência do «empobrecimento» é dada sem nunca se enunciar qual foi o enriquecimento prévio. Como aqui tenho de me repetir, posso ser breve: desde 2003, numa tese publicada em 2005 pela INCM, aguardo que me indiquem onde se encontra esse acervo de pérolas originais apenas na bloga acessíveis. O novo circuito, naquilo que a JPP interessa, é mimético do anterior – sempre foi.
Aquilo que sempre aconteceu foi justamente o que agora é motivo de queixa por JPP: são os circuitos «literário-políticos» (em muito apenas conversa de redacção vertida para a net) que se repetem nos blogs, sempre com a mesma (falta de) matéria e superficialidade. É por isso, aliás, que cada vez têm mais leitores, cujos gosto não variam quanto a conteúdo mas apenas quanto ao formato (e preço associado). O Abrupto é um exemplo dessa redundância, aliás, apesar de um genuíno esforço de originalidade e comunicação.
Haverá ainda que dizer uma palavra sobre o futebol e a pornografia, afinal dois de raros campos mais em que a bloga acrescentou comunicação até aí cerceada em vez de repetir o já feito. Apesar de (no Esplanar) já ter dado o exemplo da cultura rock (não apenas o consumo de música) como verdadeiro separador cultural daqueles que usam a net para reeditar o que já faziam noutros meios e os que a fazem original, não desdenho nem o porno nem a bola como factores influentes na bloga portuguesa. E haveria ainda que falar do humor, que JPP muitas vezes reduz a «engraçadinhos», e que é algo diferente da nossa velha tradição pícara e canalha. Até porque nada em tudo isso é tão empobrecedor como práticas habituais no Abrupto, desde a desinformação sistemática (como a sobre a INCM) até links para sites de canalhas minúsculos (passando por furar de bloqueios, que em Portugal são sempre apenas simulados).
Mas como é possível dar entrevistas para o JL a cada novo livro enquanto se diz mal dele como se nada se tivesse a ver, é sempre possível continuar a escrever como se se estivesse a ser muito original e contra-corrente. A continuar, portanto…