Mostrar mensagens com a etiqueta livre acesso ao saber. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta livre acesso ao saber. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A História da África, da UNESCO, está agora acessível na Internet

É um mega-projecto, iniciado em 1964 e envolvendo centenas de cientistas sob a égide da ONU. Agora, as quase 10 mil páginas dos seus 8 volumes podem ser descarregadas gratuitamente no site da UNESCO, havendo uma versão em língua portuguesa. Boas leituras!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Debate sobre a difusão do conhecimento científico

Sobre esta questão central na produção e circulação da ciência contemporânea, um movimento de cientistas envolvido no projecto da  Public Library of Science lançou recentemente um apelo aos grandes grupos da edição científica. O estudioso da leitura e do livro José Antonio Millán relata os últimos desenvolvimentos deste debate no texto «La revuelta de los científicos», e nele lista preciosas hiperligações para reacções e ecos na imprensa.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Depois da Europeana, chegou a Biblioteca Digital Mundial

Foi lançada ontem a Biblioteca Digital Mundial, numa parceria entre a UNESCO, a Biblioteca do Congresso e a Biblioteca de Alexandria, entre outras entidades. Pretende complementar a Europeana, apostando na interculturalidade, na compreensão internacional e nas  áreas educativa e cultural em geral. Mais informação aqui.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A sátira como redenção

Em Gogol, para Gogol, foi muito isso que ocorreu: a revelação dos erros, vícios e imperfeições da conduta humana como caminho de redença, resgate, purificação do homem e da sociedade.

Em 2009 celebram-se os 200 anos do seu nascimento. Em Portugal, onde Nikolai Gogol tem tido alguma presença no teatro, recomendo a versão do O inspector geral pelo grupo A Barraca (no Cinearte até 31/5, vd. cheirinho e recensão aqui). Esta é uma das peças do autor que melhor corporiza uma das suas facetas mais fortes, a de crítica da sociedade e dos seus vícios. A estreia original (em 1836) foi um êxito, o próprio czar Nicolau I terá sugerido uma ida ao teatro aos funcionários públicos (dado a peça denunciar alguns dos seus pecadilhos). Porém, as críticas dos sectores reaccionários de S. Petersburgo, que o acusavam de fazer um ataque ao próprio sistema político, cairam mal no dramaturgo, que novamente retomou os seus périplos errantes e desesperados.

Para nosso mal, morreu novo, fugindo do mundo. Para nosso bem, ainda assim legou-nos várias obras de referência na sátira e no grotesco, de grande poder imaginativo e exigência formal e ética. Quanto ao poder imaginativo, recomendo a leitura do fantástico conto O nariz, ou a audição pela voz de Jorge Silva Melo, caso ainda não tenha esfumado a oportunidade (cf. programação do Teatro S. Luiz, em Lisboa). Quanto à exigência formal e ética, a obra central é Almas mortas. Quem estiver interessado, pode consultar e ler algumas das obras de Gogol no Projecto Gutenberg.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Aumentam os países desenvolvidos pró-software livre, com o sensato argumento da redução de custos

Depois do Canadá e da Espanha, é agora a vez do Reino Unido alinhar no apoio às aplicações de fontes abertas. Torna-se, assim, ainda mais caricato o monopólio que o governo português resolveu dar de mão beijada à Microsoft, do qual falámos aqui.
A justificação que os países desenvolvidos dão para apoiarem o software de código aberto é bem simples: a redução de custos, ainda mais premente num período de crise como o actual. No Reino Unido, a entidade que tomou essa decisão foi o Conselho Britânico para a Informação. O desenvolvimento do tema vem nesta notícia do El País'Software libre' para gobiernos en crisis»).

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sociedades desiguais e paradigmas em confronto

Depois dos movimentos sociais terem dado a cara no Fórum Social Mundial, que o Manolo Piriz aqui cobriu com detalhe, é a vez dos cientistas sociais se debruçarem sobre os mesmos (e outros temas) no X Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. Aquele que é o principal fórum dos cientistas sociais do espaço lusófono arranca hoje em Braga, prevendo-se a chegada de 2000 participantes, que apresentarão 1400 comunicações em 260 mesas de trabalho. Os trabalhos decorrerão na Universidade do Minho, e duram até sábado.

O oportuno tema desta edição é justamente «Sociedades desiguais e paradigmas em confronto» (+informações neste blogue oficial). Haverá ainda tempo para o lançamento de 23 livros e revistas, incluindo as obras As cidades na cidade: movimentos sociais urbanos (de Carlos Faria, numa adaptação da sua tese de doutoramento sobre o movimento de moradores em Setúbal), Dicionário da outra economia (de Pedro Hespanha), Escola da Ponte - formação e transformação da educação (de José Pacheco) e As vozes do mundo (de Boaventura Sousa Santos).

Na sessão inaugural falarão conhecidos cientistas sociais, como Beit Vader, Hermínio Martins, Boaventura Sousa Santos, Renato Lessa, Carlos Lopes, Fernando Oliveira Baptista, José Madureira Pinto, entre outros. Vários peões e amigos de peões aí marcarão presença, não fosse Braga uma boa cidade onde deambular. As comunicações apresentadas serão disponibilizadas em linha, com acesso livre para todos.

domingo, 11 de janeiro de 2009

A redescoberta duma relíquia de Lopes-Graça e Giacometti

Acabou de ser transmitido no programa «Cosmorama», da RDP2, uma recriação dum antigo programa radiofónico da autoria do compositor e musicólogo Fernando Lopes-Graça, dedicado à música popular tradicional. Segundo os realizadores de Cosmorama, esse antigo programa terá sido transmitido pela defunta Emissora Nacional de Radiodifusão, nos anos 60. Como não deverá haver registo dele, Alexandre Branco e Ana Telles recorreram à leitura do texto do guião do programa, escrito por Lopes-Graça, acompanhada da divulgação das canções que o mesmo guião referia, recorrendo à obra «Antologia da música regional portuguesa» (1964-71), publicada por Lopes-Graça e Michel Giacometti, reeditada em 1978 e transposta para cd em 1999. Este projecto, que o etnomusicólogo corso intitularia de Arquivos Sonoros Portugueses (ap. Sérgio Fonseca), foi idealizado após o primeiro encontro entre Lopes-Graça e Giacometti, em 1959 (vd. aqui).
Tendo analisado a temática da preservação e divulgação etnográficas sob o salazarismo*, no qual abordei aquele projecto, nada encontrei então sobre tal programa de Lopes-Graça na rádio oficial. Pelo contrário, fiquei até algo surpreendido, uma vez que este criador e intelectual antifascista era persona non grata do regime ditatorial, tendo tido muitas dificuldades para financiar aquele modelar projecto etnomusicológico (os parcos apoios oficiais vieram apenas de 2-3 juntas distritais, o resto foi financiamento particular, incluindo do Jornal do Fundão).
Seja como for, o programa foi muito interessante de seguir e poderá ser escutado brevemente aqui por quem esteja interessado. Predominaram as canções da Beira-Baixa (tanto de trabalho como de romarias), embora também tenham sido abrangidos os cancioneiros do Algarve, Alentejo, Trás-os-Montes, Douro e Minho. Esta saliência pode estar relacionada com o próprio percurso de Lopes-Graça, uma vez que o seu primeiro contacto com recolhas da tradição músical portuguesa se deu precisamente na Beira-Baixa, em 1946 (cf. aqui).
Em 2003, o Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa, passou a disponibilizar o acesso digital presencial às recolhas de Giacometti (seria bom garantir também a sua acessibilidade na Internet, pelo menos de parte do acervo).
Da aldeia alentejana de Peroguarda, onde Giacometti viveu, deixo-vos «Entrai pastores» (cante tradicional por si recolhido). Quem quiser saber mais sobre o projecto deste duo pode ler esta entrevista com Giacometti: «As canções tradicionais sobrevivem na memória colectiva do povo» (de 1971).
*Vd. Salazarismo e cultura popular (1933-1958), Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais, 2001 (v.o. de 1997), p. 264-75.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Um exemplo



É a única primeira-ministra e candidata presidencial independente que este país teve. A partir de hoje, o seu arquivo está disponível na Internet.
Mais informações no Peão (lado b).

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Pelo empréstimo público gratuito nas bibliotecas portuguesas

No lado b do Peão transcrevi o Manifesto em defesa do empréstimo público gratuito nas bibliotecas portuguesas, que me enviou a Luísa Alvim. O que se está a passar é muito grave: em 1992, a Comunidade Europeia aprovou uma directiva que impõe às bibliotecas, centros de documentação e outras instituições privadas sem fins lucrativos o pagamento pelo empréstimo público dos seus documentos abrangidos por direitos de autor. Portugal (tal como a Espanha e a Itália), que isentou todas as categorias de estabelecimentos que praticam o comodato público da obrigação de pagar aos autores, foi condenado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia e terá que passar a aplicar aquela directiva. Na prática, a UE obriga os Estados-membros a contrariar o conceito de leitura pública inscrito no Manifesto da UNESCO sobre Bibliotecas Públicas.
Parece-me que mais importante que os direitos de autor (assegurados através da venda dos livros nas livrarias) é assegurar o acesso de todos (ricos e carenciados) à informação e ao conhecimento. Além disso, as bibliotecas são dos principais compradores de livros. Logo, já pagam direitos de autor!
Para mais informações, veja-se o blogue Entre Estantes, de Bruno Duarte Eiras.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Livre acesso ao conhecimento

Foi recentemente apresentado na Câmara dos Deputados do Brasil um projecto-lei que requer que todas as instituições de ensino superior público e as unidades de investigação fiquem obrigadas a construir os seus repositórios institucionais, onde deverá ser depositada toda a produção técnico-científica dos seus corpos docente, discente e de pesquisa. O diploma estabelece ainda que esses conteúdos deverão ser divulgados através da rede global, a internet, de forma livre, para que qualquer pessoa possa consultar, copiar, descarregar.
Trata-se de uma iniciativa de grande importância, não apenas para o Brasil, mas para o conjunto da comunidade científica. Em Portugal, há também um movimento a favor do Acesso Livre à literatura de carácter académico ou científico.
Eu gostava que este movimento fosse ainda mais longe: além da investigação 'acabada' (dissertações, teses, relatórios, trabalhos de final de curso, etc.), o auto-arquivo em livre acesso devia também incluir instrumentos de análise de suporte à produção científica. Por exemplo, inquéritos, entrevistas, biografias, recolhas de história oral e outros trabalhos de base, elaborados por investigadores de Ciências Sociais, em instituições públicas e com financiamento público.
Quando citamos um livro ou uma fonte existente num arquivo público, é fácil qualquer pessoa cotejar a citação com o original. Porém, quando citamos um excerto de uma entrevista que dirigimos ou nos reportamos aos resultados de um inquérito que lançámos, os nossos pares (para não falar do público em geral) não têm acesso garantido à informação que recolhemos. Se outras razões não existissem, parece-me que esta é suficientemente forte para defendermos o auto-arquivo em acesso livre da produção científica (acabada e em curso) realizada no sector público: a possibilidade de verificação/confrontação. Ocorre-me também que muitas vezes repetimos trabalho já feito ou podíamos aproveitar dados compilados por outros (com a respectiva menção de responsabilidade, é claro).
À atenção do Conselho de Reitores e do Conselho dos Laboratórios Associados.
___
Imagem retirada daqui.

domingo, 6 de maio de 2007

Culturas urbanas, iô!

A propósito de culturas urbanas, e na sequência do dossiê coordenado pelo peão Renato e do debate correlato, resta referir a existência duma lista específica de links no relançado site do Le Monde Diplomatique - ed. portuguesa. Aí se acede também a bons textos integrais sobre a temática, incluindo ensaios académicos.
O site não fica por aí, tem ainda informação única sobre a história secreta do 25 de Abril, o contributo do terceiro sector, o feminismo, entre outros temas. Boas navegações!
Nb: imagem de graffiti de Mosaik (in FIGM- First International Graffiti Meating, Oeiras); maior base específica, por países, aqui.

domingo, 4 de março de 2007

Livre acesso ao saber: O exemplo da PLoS

E por falar em livre acesso ao saber, vale a pena contar a história da Public Library of Science, ou PLoS. Em 2000 um grupo de investigadores na área das Ciências Biomédicas lançou a PLoS, auto-definido como Grassroots movement, que é como quem diz um movimento da sociedade civil, neste caso dentro da comunidade científica. O objectivo era (e é) fazer pressão para que as revistas científicas sejam de acesso livre. Os argumentos principais são que a investigação publicada nessas revistas é financiada por dinheiros públicos ou instituições sem fins lucrativos, logo os resultados dessa investigação deve estar ao alcance de todos, e que a livre difusão dos resultados da investigação incentiva o progresso e a qualidade da investigação. Este movimento surge numa época em que as publicações nesta área científica são dominadas por dois grandes grupos editoriais, a Cell e a Nature. Excepção feita a uns poucos intruso, as revistas mais prestigiadas pertencem a um destes dois grupos, uma situação de quase monopólio do saber. Para ter acesso a uma qualquer artigo publicado tem que se pagar, em teoria até os próprios autores terão que pagar para ler os seus próprios artigos. A PLoS decidiu tornar-se a aprtir de 2003 também em editora de revistas científicas em "competição" com a Nature, a Cell, e as outras. O objectivo não é que a PLoS a substitua as outras publicações mas simplesmente pelo exemplo tentar pressionar as outras para que mudem de política editorial. A filosofia da PLoS, já que obviamente alguém tem que pagar os custos da publicação, é que devem ser os próprios investigadores que querem publicar os seu trabalho a pagar esses custos. Como já são essencialmente os investigadores quem paga os artigos publicados, ao pagar para ler, o dinheiro vem do mesmo lado, não muda muito a coisa. Muda "apenas" o pequeno pormenor que qualquer pessoa pode ir ao site da PLoS e descarregar em PDF um artigo científico (qualquer pessoa é mesmo qualquer pessoa, incluindo você que está a ler este post). O resultado está à vista, a PLoS Biology é já neste momento a revista generelista em Biologia mais citada com um factor de impacto à volta de 14 (ainda não ultrapassa nem a Cell nem a Nature que andam perto dos 30), notável para uma publicação tão recente. Entretanto outras revistas lançaram já iniciativas de uma relativa abertura no acesso aos artigos publicados, relativa mas não completa.

A PLoS entretanto deu já mais alguns passos em frente no modo como é feita a publicação científica. A mais "revolucionária" será provavelmente a Plos ONE, que é um misto de revista científica e blog (é a blogosfera a contribuir para o progresso da ciência :-). Qualquer artigo científico pode ser publicado, sem passar pelo crivo do "peer review", não há limite para o número de artigos publicados, o que só é possível porque é uma publicação exclusivamente baseada na internet e não em papel. O crivo do "peer review", que é apesar de tudo absolutamente essencial em ciência, vem após a publicação. São os leitores/especialistas no assunto que comentam o artigo na caixa de comentários, tal como alguns Peões fazem aqui neste blog, e assim os leitores menos especialistas podem ler os comentários/críticas e formar uma opinião mais fundamentada sobre a qualidade do artigo que lêem. É não só livre acesso ao saber, como também livre discussão do saber.

P.S. - Para quem tenha preconceitos anti-americanos primários convém referir que a PLoS é baseada nos E.U.A. e é uma inciativa quase exclusivamente de investigadores americanos.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Pelo reforço democrático da política científica europeia

Recentemente, a Comissão Europeia realizou uma grande conferência para debater as medidas necessárias ao fomento da divulgação dos resultados científicos na área da investigação europeia (+inf. aqui). Tal reforço dos recursos de conhecimento da sociedade europeia – a grande meta da Estratégia de Lisboa, lembram-se? – passa inevitavelmente pelo livre acesso à informação e conhecimento científicos, implicando o livre acesso às publicações científicas.
Antes disso, houve todo um movimento da sociedade civil exortando por medidas e um debate neste sentido. No seguimento da publicação do relatório «EU Study on the Economic and Technical Evolution of the Scientific Publication Markets of Europe», um consórcio de organizações ligadas à área da comunicação académica patrocinaram uma petição de apoio à divulgação publicamente suportada da produção científica e às recomendações que constam neste relatório, petição essa a ser enviada à Comissão Europeia. Outras influentes organizações transnacionais europeias tomaram também posição (p.e., o European Research Council) e a petição ainda circula. Também um relevante organismo da UE (o European Research Advisory Board) já dera o seu apoio.
Os peões deram igualmente o seu contributo ao disponibilizar no lado b deste blogue um conjunto estruturado de recursos científicos em livre acesso.
PS: este movimento de open acess tem também um representante para os arquivos (vd. OAI).

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Livre acesso ao saber

A 1.ª série de ferramentas do saber em linha realizada pelos peões está já disponível no Peão, lado b. Trata-se dos posts:
A ilustração ao lado é a capa do último n.º da New Left Review (ou NLR para os amigos), uma revista que tentou conciliar o lado académico com o lado teórico, doutrinário e divulgador. E consta da tal lista de 51 revistas em livre acesso. No tal post... do lado b.
Absolutamente a não perder!