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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Um stakhanovista inesperado

Ele foi o folhetim da semana, à míngua de revelações pelas bandas telenovelescas. Saiu, foi empurrado, fugiu, emboscado. A coisa tinha todo o suspense do mundo. A sombra pairava sob uma estrela.

Até que... Até que o mister tranquilidade veio dizer que a pessoa em causa desertara. Oh! Que coisa feia!!

Contudo, há algo de errado neste desfecho ingrato. A bem dizer, algo de deslocado. Na origem esteve uma genuína e indesmentível vontade de trabalhar em prol da pátria, ressoando a gesta produtiva dos stakhanoves de outrora.

Abelhinha workaholic, talvez. Agora, militar desertor? Vindo dalguém também conhecido por ser formiguinha no meio do campo?

Vá, revejam lá o guião, que a coisa está mal contada. Mereceis melhor.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Soberba alemã, uma pepineira de mau gosto

Afinal as mortes provocadas por um surto de bactéria escherichia coli na Alemanha não foram provocados por pepinos vindos da Andaluzia, ao invés do que insinuaram as autoridades alemãs, de modo irresponsável, pois sem terem qualquer prova.
As análises entretanto concluídas revelam que os pepinos não estavam contaminados, reconheceram agora as autoridades de saúde pública de Hamburgo. Restam ainda mais análises para apurar o foco da infecção.
E os prejuízos com a má imagem, que já alastrara para outros produtos, como o tomate, e para outros países, como Portugal, quem os paga? Como é possível numa União Europeia haver tanta leviandade a tratar de casos de saúde pública com graves repercussões no tecido económico doutros países?

domingo, 15 de maio de 2011

Verdade ou mentira?

É assim: eh pá, tipo, passo. Seja qual for a verdade, uma coisa é certa: em qualquer das imagens, o tipo-base sofre de azia. No mínimo. Alguém lhe arranje uns sais de feno. Ou uma água mineral, sff.

Depois, há toda uma polémica sobre media vs. photoshop que, apesar do seu alto gabarito, também passo. Ok?

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Tintin no Congo vai a tribunal por racismo: está certo?

O livro de banda-desenhada Tintin no Congo, feito por Hergé em 1931, vai ser julgado num tribunal belga por acusação de teor racista. O pedido partiu dum cidadão congolês e visa a retirada do livro das prateleiras destinadas às crianças, pelo menos. A sessão foi marcada hoje para 30 de Setembro. Já foi censurado no Reino Unido e uma biblioteca pública norte-americana colocou-o sob reserva de pedido. Será que se justifica?

Apesar de ser fã do Hergé, concordo com este pedido concreto. Os adultos que quiserem que o comprem para os seus filhos. Já discordo de fitas amarelas a denunciar conteúdo atentatório. Mas há mais. Para quem quiser saber o resto pode ver aqui.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

João Botelho em grande forma!

Charge de raiva contra o anti-intelectualismo de parte da opinião publicada em Portugal, contra a ditadura do comercialóide, contra os embustes do financiamento do cinema no país, contra o monopólio duma distribuidora que ninguém ousa denunciar, contra o homogeneizado. Pela liberdade artística. Pela diversidade. Pela compreensão da diferença entre entretenimento e arte.
Com Nuno Artur Silva, Pedro Mexia e Pedro Vieira a ouvirem e a aprenderem.
«O cinema não são os argumentos»: para continuar a deliciar-se clique aqui.

domingo, 26 de dezembro de 2010

A sociedade aberta e a WikiLeaks

As reacções contraditórias e paradoxais que o caso WikiLeaks tem provocado podiam ter como mote o título do livro escrito por Karl Popper durante a II Grande Guerra: A Sociedade Aberta e os seus Inimigos. Para uns, Assange é um inimigo declarado dos Estados Unidos e, por consequência, da «sociedade aberta». Para outros, os inimigos da sociedade aberta são os EUA quando consideram Assange um alvo a abater (no sentido figurado e até no sentido literal).

Ressalvo que nem só a língua portuguesa é «muito traiçoeira». A «sociedade aberta» de Popper, se bem me lembro, não era um sinónimo de «sociedade transparente». Era no fundamental uma sociedade capaz de corrigir os seus erros e de responder a problemas imprevisíveis. Uma sociedade deste tipo tem de ter liberdade de informação e de crítica. Não há dúvidas que de que os cidadãos norte-americanos gozam de maior liberdade do que os russos, os chineses ou os iranianos. Mas as tão incensadas instituições liberais dos Estados Unidos não foram capazes nem de prevenir nem corrigir os erros crassos que estiveram na origem da crise financeira de 2008 e são expostos de forma tão clara no filme Inside Job.

A mim interessam-me menos as intenções de Assange do que as questões que a WikiLeaks levanta, que são de tipo diverso e facilmente confundível. Uma das questões mais falada respeita ao secretismo que rodeia os relatórios diplomáticos correntes, cuja divulgação tem levado diplomatas encartados a corar, a empalidecer ou a engasgar-se. Não serei eu a menosprezar a vergonha humana, mas parece-me óbvio que a divulgação de um relatório de uma agência de rating com consequências nos juros da dívida pública de um país causa mais abalos sociais do que todos os relatórios diplomáticos até agora divulgados pela WikiLeaks. Quantas empresas é que já faliram por causa das «inconfidências» da WikiLeaks, quantos salários foram cortados,etc? A pergunta que me coloco é: por que é que os relatórios diplomáticos correntes não hão-de ser públicos? Desse modo algumas percepções erradas ou discutíveis podiam ser corrigidas ou discutidas. É claro que os diplomatas escreveriam de um modo mais sóbrio e neutro. Em vez de lermos que Luís Amado devia ser «acarinhado» provavelmente leríamos que devia ser «apoiado» o que, em Portugal como nos Estados Unidos, seria óptimo para uns e péssimo para outros. Os relatórios agora divulgados já foram escritos a pensar em leitores futuros – o diplomata que comparou Putin e Medvedev a Batman e Robin deve ter imaginado o sorriso de um historiador daqui a cinquenta anos e deve ter estremecido com os risos dos jornalistas e dos seus colegas diplomatas russos. Uma das consequências da divulgação de relatórios diplomáticos controversos seria uma maior discussão pública sobre questões internacionais e, provavelmente, a transferência de diplomatas contestados. Mas isso sempre se fez. Far-se-ia apenas com maior transparência.

Outro tipo de questões, mais grave, refere-se à divulgação de informação relacionada com operações militares. Todas as forças armadas – quer as norte-americanas quer as dos atenienses da Grécia antiga cujos generais eram eleitos – têm o dever de não divulgar informação que ponha em risco a vida dos combatentes. Algumas pessoas podem considerar que é seu dever divulgar informação acerca de operações militares que descambam em massacres, corrupção, utilização de verbas militares para financiar o narcotráfico; ou informações que revelam a falsidade dos pressupostos legitimadores da guerra – se a WikiLeaks existisse em 2003, não teria prestado um excelente serviço se mostrasse, quando se preparava a invasão do Iraque, provas de que Saddam Husseim não possuía as célebres «armas de destruição maciça»? As pessoas responsáveis por fugas de informação acerca de operações militares devem ter um julgamento justo e é isso que se deve exigir para o soldado Manning que está há meses preso «preventivamente». A comunicação social está obcecada por Assange, mas o grande herói ou vilão é o soldado Manning. Foi ele quem meteu a cabeça na boca do lobo. Temos o direito de saber as suas razões.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Ainda o WikiLeaks: toda a informação por país

A revelação dos célebres telegramas secretos do Departamento de Estado norte-americano, actualizada e com mapa, no El País. Apenas aditar que quem faz a selecção é um conjunto de jornalistas da imprensa de referência que se dispôs a analisar os documentos disponibilizados pela WikiLeaks (são eles The Guardian, El País, New York Times, Le Monde e Der Spiegel).

domingo, 12 de dezembro de 2010

O caso WikiLeaks

Muito se tem falado do caso WikiLeaks, despoletado pela perseguição política e/ou policial movida pelo governo dos EUA ao seu líder, Julian Assange. Seja qual for a nossa opinião sobre a 'cruzada' deste, a verdade é que é obra um tipo disponibilizar o acesso a 250 mil páginas na Internet sem ter nada a ver com sexo e, no fim, ainda ser suspeito de crime de «sexo-surpresa». Dá para acreditar em tamanha ironia e confusão? Com uma agente secreta?! Não se terão enganado na designação?

Mudando de agulha, que aquela blague é inspirada no Governo Sombra, a situação descarrilou para uma polémica informação secreta vs. liberdade de expressão, quando apenas se devia ter fixado no debate sobre os limites da primeira.

Anterior revelação sobre as guerras do Iraque e Afeganistão pareceu-me mais relevante, pois revelou nódoas graves que, em vez de serem limpas, tinham sido tapadas (houve ainda outras divulgações úteis, como a de descarga de lixo tóxico na costa africana). No presente caso, a maioria da documentação é rebarbativa, ou seja, permite aceder a um perspectiva crua duma diplomacia bem crua como é a dos EUA: nada de novo, portanto. Felizmente que isso não é tudo. Além da conversa de chancelaria (pontuada por declarações desbragadas de diplomatas), há algumas revelações úteis: violações de direitos humanos, ambientais e de soberania doutros países, uma lista de locais importantes para a segurança nacional dos EUA que inclui sítios intrigantes como uma fábrica de penincilina algures num país nórdico (terei lido bem?), documentos sobre jogo sujo de multinacionais, entre outras coisas que podem ser pontuais mas ajudam a desocultar pressões e manobras indevidas. Uma forma de travar o livre curso destas passa necessariamente pela ameaça da opinião pública poder vir a saber e isso poder servir para condenação/ penalização, simbólica, jurídica ou outra. Sejam quais forem as reservas, é inegável que parte destas fugas de informação servem para fazer serviço público, para todo o mundo.

Infelizmente a coisa não se fica por aqui. Assange e a WikiLeaks não têm só um lado positivo. Comecemos por um excesso de Assange: diz que faz jornalismo livre. É falso: quem faz jornalismo são os jornais de referência que aceitaram tratar a informação em bruto que aquele lhes fornece (The Guardian, El País, New York Times, Le Monde, Der Spiegel), sem esquecerem a salvaguarda da segurança de pessoas, assim dando crédito à informação divulgada.

Mas o principal erro de Assange e da WikiLeaks é defenderem a transparência absoluta, aparentemente apenas para os países democráticos (EUA à cabeça), pois as suas fontes nunca são de ditaduras. Ora, essa transparência absoluta, a realizar-se, acabaria com qualquer diplomacia, com qualquer negociação. É uma ingenuidade. E acaba por ter um efeito boomerangue, incentivando a redobrados cuidados com os segredos diplomáticos. Nos países democráticos, não nos outros, aparentemente sem interesse para a WikiLeaks.

Aos ataques dos EUA e de opinion makers, respondem os defensores de Assange e da transparência absoluta com hacktivism, petições, protestos na rua e, brevemente, com novos sites de revelação de segredos políticos, como o OpeanLeaks. Moda passageira ou tendência para ficar?

Dos vários textos que li sobre o tema, destaco quatro, os de Vítor Malheiros, Miguel Gaspar, Eduardo Cintra Torres e Jorge Almeida Fernandes, ainda que não concorde com tudo o que cada um diz. Aliás, a minha perspectiva é uma certa combinação desses olhares.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Uma boa ideia no sítio errado

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Climategate: anatomia dum engodo político

Afinal não houve caso nenhum, foi tudo inventado por adeptos do lado que quer fingir que nada se passa: «O cientista que esteve no centro do climategate só quer voltar à normalidade», entrevista de Ricardo Garcia a Phil Jones, o perito climático a quem piratearam e-mails pseudo-comprometedores.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O ensino da história: um mundo fechado ou aberto?

Sobre este tema, a Shyz chamou a atenção para um interessante debate que está a decorrer em França, a propósito da introdução duma rubrica de estudos africanos («Regards sur l’Afrique») no curricula do 5.º ano.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

As escolhas dum seleccionador azulado demais

Carlos Queirós anunciou há um pouco os 24 futebolistas que escolheu para o Mundial de África do Sul e o mínimo que se pode dizer é que tomou opções discutíveis. O seleccionador português surpreendou convocando jogadores não esperados, convocando 4 do FC Porto (o maior contingente, incluindo um discutível Rolando e um guarda-redes que sofreu proporcionalmente mais golos do que o do Benfica: cf. aqui) e rejeitando todos os pré-seleccionados do Benfica, excepto Coentrão. De fora ficam jogadores centrais neste Benfica campeão, como Quim, Ruben Amorim e Carlos Martins (além de Nuno Gomes, que jogou menos). Miguel Veloso na vez de João Moutinho também não se percebe. Ver mais em: «Daniel Fernandes, Zé Castro e Ricardo Costa surpresas em lista de 24 convocados» e «Jorge Jesus: “Espero que no fim do Mundial Carlos Queiroz tenha razão”».
ADENDA: vd. ainda «E agora para algo completamente diferente», por Sérgio Lavos.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Nova vitória de Franco?

Seja qual for o resultado judicial, a acção de Garzón teve um impacto internacional, com efeitos irreversíveis noutros países que também tiveram ditaduras: «Presentada en Buenos Aires la demanda por crímenes de Franco»; «Garzón puso el cascabel al gato». E é um aviso para as actuais e futuras ditaduras.
O direito internacional tem assim um duplo papel: reparação de crimes e dissuasão doutros.
Além disso, aumentam as tomadas de posição em prol do juiz vindos da opinião pública e dos media em todo o mundo (p.e., aqui, aqui e aqui).
Este caso Garzón é já considerado um dos indícios mais graves da polarização da justiça em Espanha.

A dança dos museus e os espaços do poder

«Novo Museu dos Descobrimentos vai para o espaço do Museu de Arqueologia»

PS: sobre esta polémica vd. os seguintes posts do Peão: «Prova dos nove», «A passerelle do centralismo», «Basta de trapalhadas: quem quer o novo Museu dos Coches?»; «Novas sobre a polémica das mudanças nos museus de Arqueologia e dos Coches»; «Ainda se vai a tempo de evitar um gasto deslocado, ainda por cima para mal dum sector tão carenciado como é o da cultura».

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

FCPorto B

Nem é preciso darmo-nos ao trabalho de confirmar esta leitura minuciosa de pmramires dum video que será sempre apenas um ângulo e parte do 'filme' para dizermos aquilo que ressaltou logo a quem viu o jogo na altura: uma agressividade desproporcionada por parte da equipa da casa, nunca antes vista e nunca depois repetida com qualquer outro adversário; picardias e bocas à margem do jogo, estimuladas por certos 'agentes'; não me lembro dum jogo anterior em que o SLB ou outro clube tenham sido assim recebidos em Braga; há muitos anos que o SLB não tinha assim uma recepção, sendo que a maior parecença se verificou em jogos com equipas do FCPorto onde jogava o actual treinador do SCB, nos idos de 90.

Isto tudo porque o SCB vem agora fazer-se de vítima a propósito de penalizações a 3 jogadores seus, as quais demoraram meses e meses infindos a ser efectuadas....

Para bom entendedor, o título deste post e o sentido do post de pmramires chegam... As imagens são apenas um ponto de partida para o que se quiser, dependendo da boa fé, experiência e subjectividade de cada um...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Novo mamarracho naufraga no Restelo...

Era para ser uma igreja do novo milénio; pela amostra, não passa duma «taveirada» em má fotocópia, um kitsch-pesadelo-bomba. Depois de bons exemplos recentes de arquitectura religiosa, um pouco por todo o país, havia de calhar a Lisboa o pastiche neo-imperial-reluzente, confusamente inspirado numa ficção científica-mas-da-bera.
Entretanto, já se pronunciaram contra a «igreja-caravela» do arq.º Troufa Real, em construção desde anteontem, o director do secretariado das novas igrejas do Patriarcado, Diogo Lino Pimentel, o arq.º Nuno Teotónio Pereira (que a considera "uma aberração") e o Fórum Cidadania Lisboa.
Pode ser que o bom senso ainda prevaleça. Acendamos todos umas velas...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A última peça do puzzle saramaguiano


«Saramago: Há muita coisa na Bíblia que vale a pena ler»

Nb: sobre esta polémica outonal com final feliz, entretanto a concorrência veio no nosso encalço e lá desenrascou vários posts interessantes, que recomendo - «Caim» e «Falta-lhe a pátina, ainda bem...» (jrd); «Versículos satânicos» (Ricardo Noronha); «Bíblia» (Bruno Sena Martins); «Parte do ‘manual de más práticas’ de que eu gosto» (Nuno Ramos de Almeida); «Ópio do Povo» (Zé Neves); «um herege dos pequeninos» (Pedro Vieira). A imagem reproduz um cartoon de Mel Calman e é repescada duma série de posts que publiquei no Peão, em IX/2008, e que teve início precisamente nessa «Insegurança celestial».

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A canção do momento é um xuto no sr. engenheiro

Está a causar furor a canção «Sem eira nem beira», do novo álbum dos Xutos & Pontapés, 30 anos à nossa maneira, lançado na semana passada. É uma canção de intervenção (sim, de intervenção!), que muitos vêem como um manifesto anti-governo português. As apropriações são imparáveis, bem como as irritações... Os Xutos demarcaram-se apenas quanto ao aproveitamento político-partidário e a ser vista como um ataque directo ao premiê português, não quanto ao seu carácter de crítica política e social. Para o tira-teimas, atente-se na letra picante (vd. em baixo) e nas declarações dos músicos aqui.
*
Sem eira nem beira

Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou-bem

Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar/Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor

Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir/Encontrar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro 
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer

É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar/A enganar
o povo que acreditou

Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder

Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão

terça-feira, 31 de março de 2009

A passerelle do centralismo

O novo Museu dos Coches tornou-se no caso do ano na Cultura, por 2 razões interligadas: a ausência duma política cultural com visão e o laxismo na gestão do erário público.
No sector museológico português, os museus que deviam estar no topo das prioridades são os de Arte Antiga, do Chiado/arte contemporânea e de Arqueologia. São estes que, pelo seu valor patrimonial/ cultural e as graves carências que têm, mereciam ser o alvo prioritário duma política cultural pública. O 1.º precisa de alargamento e mais recursos (ou mesmo, dum museu de raiz); o 2.º espera há anos por uma expansão para o espaço ocupado pela PSP; o 3.º deveria ser expandido nos Jerónimos, onde está há 100 anos (ou ter direito a um museu de raiz). Isto mesmo é dito por vários peritos em museologia (daí a petição lançada para se repensar este processo), inclusivé pelo actual dir. do Instituto de Museus e Conservação ("Bairrão Oleiro acha que não há outro museu que justifique um edifício de raiz, mas há outros que precisam de uma ampliação, como o Museu do Chiado, o Museu de Arqueologia e o da Música"). A isto, João Neto (pres. da Associação Portuguesa de Museologia e subscritor dessa petição) aditou o seguinte: "Aquilo de que necessitamos é de um espaço destinado a grandes e boas exposições temporárias temáticas, feitas pelos museus portugueses, num trabalho de coordenação, e que possam ser exportadas da mesma maneira que nós importamos grandes exposições". Para nada disto servirá o novo museu: não foi pensado para o efeito, nem a sua direcção está interessada, como assumiu Silvana Bessone.
Entretanto, foi lançada uma contra-petição, assaz corporativa (iniciativa da Ordem dos Arquitectos e inicialmente subscrita quase só por arquitectos), em desagravo da proposta do novo Museu dos Coches. Há aqui um grande equívoco: ninguém questionou a validade dessa obra arquitectónica (2.ª versão, sem silo automóvel) do arq.º brasileiro Paulo Mendes da Rocha (dadas as suas credenciais, a maqueta e as avaliações entretanto surgidas, e pese não ter havido concurso público internacional). Já descabida é a ideia de que tal obra será "se calhar, sobretudo, um projecto urbano numa área da cidade que está expectante e degradada". Mas qual área "expectante e degradada"?! Aquela zona é a coqueluche do turismo cultural no país! É a passerelle do poder central desde os tempos da expansão ultramarina, e, sobretudo, desde que o Estado Novo a adoptou para a sua estetização da política e exaltação imperial. Foi nos idos de 1940, e, entretanto, até o regime democrático quis deixar lá a sua marca: foi o CCB de Cavaco Silva e do tempo das vacas gordas, em que as «derrapagens» nas obras públicas se tornaram moda. Foi ainda com Cavaco Silva e Santana Lopes como responsável pela pasta da Cultura que surgiu a ideia dum novo Museu dos Coches... Cavaco Silva, agora PR, nada diz sobre o assunto, apesar da audiência com os autores da 1.ª petição...
Entretanto, dois dos promotores da 1.ª petição, com provas dadas na política cultural, lançaram uma ideia de compromisso que deveria ser reflectida pelos decisores políticos: o arqueólogo Luís Raposo (director do Museu Nacional de Arqueologia) e Raquel Henriques da Silva (historiadora de arte e ex-dir. IPM) propõem a reformulação funcional dos 2 edifícios do projecto de Mendes da Rocha: o principal poderia ser adaptado a um Museu da Viagem (evocativo da "diáspora portuguesa em toda a sua extensão temporal"); o 2.º edifício, mais pequeno, seria afecto ao Museu dos Coches para "ampliação dos espaços expositivos", mas mantendo-se "o conjunto mais emblemático" no antigo Picadeiro Real. Ademais, sugerem um levantamento do parque museológico e monumental da zona de Belém, com vista a um "plano integrado de valorização de cada peça e do seu conjunto" (p.e., para potenciar circuitos integrados, via "percursos pedonais, bilheteiras comuns, navette de ligação gratuita" para portadores de ingressos nos museus ou monumentos). Instam ainda à "reabertura do Museu de Arte Popular no seu lugar próprio"; à inserção do Museu Nacional de Etnologia na "rede"; à extensão do da Marinha a poente e para a Cordoaria Nacional; e à ampliação do de Arqueologia nos Jerónimos (vd. aqui).
Haja sensatez para reflectir nos argumentos dos críticos. O interesse público sairia a ganhar. A tradição sobranceira do poder, porém, não dá muita esperança. Como se viu com mais este caso, o poder central gosta de se exibir, e quanto mais espampanante e expedita for a solução, melhor. É a lei não escrita do umbiguismo do poder, do fausto, que por cá tem uma larga tradição...
PS: 5 prós e contras das 2 posições podem ser vistos aqui; cartoon de GoRRo (c) 2007-9.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Bispo português que defendeu dever moral de uso do preservativo para prevenir SIDA na mira do Vaticano

Depois das desastradas declarações do Papa no ínicio da sua visita a África, o Vaticano volta de novo à carga, preparando-se para recriminar as declarações do Bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, que no sábado passado escreveu no site da sua Diocese que quem tem uma vida sexual activa tem a "obrigação moral de se prevenir e não provocar a doença na outra pessoa" (vd. notícia aqui; vd. tb. esta). Referiu ainda "aqui, o preservativo não somente é aconselhável como poderá ser eticamente obrigatório" (eis a versão integral do seu texto: «A viagem de Bento XVI a África - a propósito dos preservativos…»). Ontem, também o Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, se referiu ao assunto, afirmando que o preservativo é "um expediente" que poderá ter "o seu cabimento nalguns casos". Estas são algumas das declarações de altas figuras da hierarquia portuguesa que contrastam fortemente com a posição da Santa Sé.
Pouco antes destas tomadas de posição, a prestigiada revista de medicina Lancet criticara as declarações anti-científicas do Papa a propósito da protecção anti-SIDA concedida pelo preservativo, defendendo ainda que é indispensável separar as questões de saúde pública dos dogmas religiosos.