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terça-feira, 16 de março de 2010

Novas do centralismo democrático: a «lei da rolha» de PSL

O principal partido da oposição em Portugal está em congresso extraordinário por iniciativa dum dos seus dirigentes e ex-premiê, Pedro Santana Lopes. O mesmo foi convocado para ajudar a escolher o novo líder partidário que terçerá armas com o líder situacionista, em contexto de crise económico-social e de rápida erosão da credibilidade do premiê de turno.

Entretanto, nesse encontro o mesmo dirigente resolveu propor uma cláusula de punição dos militantes que se pronunciem criticamente face ao líder de turno nos 60 dias pré-pugnas eleitorais. A dita moção foi aprovada, embora à revelia dos 3 candidatos a líder, logo apodada de «lei da rolha» e tudo indica que não terá vida longa...

Convém ressalvar que a norma proposta por Santana Lopes replica o que já consta há muito nos estatutos de JS, PSOE, PSF, só para falar de organizações de esquerda, ainda segundo o próprio (já agora, também já vigorava no PSD-Madeira, uma fonte de inspiração mais provável...).

Apesar da contextualização histórica, o problema de Santana é o timing político, numa altura em que o seu partido se insurge contra a «situação» pela «claustrofobia democrática» e numa altura em que o PSD se devia preocupar com soluções alternativas de governo (estão em congresso extraordinário!).

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O rei-momo do populismo luso está de volta!

É verdade, meus amigos, o Flopes regressou e em força!

Para mostrar que a direita a sério não descansa no feriado do 25 de Abril avançou com a artilharia pesada, em formato high-tech: tv-net, site, blogue, etc.. Mas o melhor de tudo foram as suas declarações, como de costume.

No lançamento da candidatura a edil lisboeta defendeu a suspensão do projecto de contentores do porto de Alcântara, a 3.ª ponte sobre o Tejo exclusivamente ferroviária, e opôs-se ao fim do aeroporto da Portela. Tentador para muitos, o último só para o lobbie do turismo (que o co-financiou e co-financiará) e para quem já não reside em Lisboa mas ainda aí vota. O pior foi o resto.

E o resto foi dizer que "a sua prioridade em 2002 foi a reabilitação através do repovoamento e é a ela que regressa agora, para devolver a cidade aos munícipes". Hello!, alguém acredita nisto? Então, quem teve como bandeiras a reabilitação do Parque Mayer (cujo projecto betonesco de Frank Gery ficou na gaveta) e o túnel do Marquês (para trazer mais carros para dentro da cidade e que levou Lisboa à bancarrota), jura agora que a sua prioridade foi o repovoamento?!

Disse ainda não querer "mais carros a entrar em Lisboa", daí a tal 3.ª ponte ferroviária, mas antes fez o oposto. E há uns meses atrás, propôs uma ligação Rotunda - Campo Grande exclusivamente por túneis, prometendo então fazer mais um túnel rodoviário, este debaixo da Praça Saldanha (depois da buracaria interminável do metro, mais obras na zona, porque não?). Em que ficamos?

Flopes, que encabeçará uma coligação de direita (PSD, CDS-PP, MPT e PPM), não fez só coisas erradas, claro, algo se aproveitou. Mas o balanço é claramente negativo. Será preciso recordar que foi o seu próprio partido que retirou a confiança política ao seu discípulo Carmona Rodrigues e que, por causa disso, houve eleições intercalares na capital? Já para não falar doutros legados, como o das santanetes, um aparelhismo sui generis preservado no léxico político.

Who cares? Pode ser que a memória seja curta, e, assim como assim, há sempre muito boa gente que vive dos aparelhos partidários.

Preparai-vos para a festa, vão ser uns mesitos de loucura! Ou anos, porque o cromo é bem capaz de ganhar novamente as eleições!! Segurai-vos, pois, o apito acabou de soar!!!

Nb: adaptação de cartoon de GoRRo, originalmente publicado em Fuga para a vitória.

terça-feira, 31 de março de 2009

A passerelle do centralismo

O novo Museu dos Coches tornou-se no caso do ano na Cultura, por 2 razões interligadas: a ausência duma política cultural com visão e o laxismo na gestão do erário público.
No sector museológico português, os museus que deviam estar no topo das prioridades são os de Arte Antiga, do Chiado/arte contemporânea e de Arqueologia. São estes que, pelo seu valor patrimonial/ cultural e as graves carências que têm, mereciam ser o alvo prioritário duma política cultural pública. O 1.º precisa de alargamento e mais recursos (ou mesmo, dum museu de raiz); o 2.º espera há anos por uma expansão para o espaço ocupado pela PSP; o 3.º deveria ser expandido nos Jerónimos, onde está há 100 anos (ou ter direito a um museu de raiz). Isto mesmo é dito por vários peritos em museologia (daí a petição lançada para se repensar este processo), inclusivé pelo actual dir. do Instituto de Museus e Conservação ("Bairrão Oleiro acha que não há outro museu que justifique um edifício de raiz, mas há outros que precisam de uma ampliação, como o Museu do Chiado, o Museu de Arqueologia e o da Música"). A isto, João Neto (pres. da Associação Portuguesa de Museologia e subscritor dessa petição) aditou o seguinte: "Aquilo de que necessitamos é de um espaço destinado a grandes e boas exposições temporárias temáticas, feitas pelos museus portugueses, num trabalho de coordenação, e que possam ser exportadas da mesma maneira que nós importamos grandes exposições". Para nada disto servirá o novo museu: não foi pensado para o efeito, nem a sua direcção está interessada, como assumiu Silvana Bessone.
Entretanto, foi lançada uma contra-petição, assaz corporativa (iniciativa da Ordem dos Arquitectos e inicialmente subscrita quase só por arquitectos), em desagravo da proposta do novo Museu dos Coches. Há aqui um grande equívoco: ninguém questionou a validade dessa obra arquitectónica (2.ª versão, sem silo automóvel) do arq.º brasileiro Paulo Mendes da Rocha (dadas as suas credenciais, a maqueta e as avaliações entretanto surgidas, e pese não ter havido concurso público internacional). Já descabida é a ideia de que tal obra será "se calhar, sobretudo, um projecto urbano numa área da cidade que está expectante e degradada". Mas qual área "expectante e degradada"?! Aquela zona é a coqueluche do turismo cultural no país! É a passerelle do poder central desde os tempos da expansão ultramarina, e, sobretudo, desde que o Estado Novo a adoptou para a sua estetização da política e exaltação imperial. Foi nos idos de 1940, e, entretanto, até o regime democrático quis deixar lá a sua marca: foi o CCB de Cavaco Silva e do tempo das vacas gordas, em que as «derrapagens» nas obras públicas se tornaram moda. Foi ainda com Cavaco Silva e Santana Lopes como responsável pela pasta da Cultura que surgiu a ideia dum novo Museu dos Coches... Cavaco Silva, agora PR, nada diz sobre o assunto, apesar da audiência com os autores da 1.ª petição...
Entretanto, dois dos promotores da 1.ª petição, com provas dadas na política cultural, lançaram uma ideia de compromisso que deveria ser reflectida pelos decisores políticos: o arqueólogo Luís Raposo (director do Museu Nacional de Arqueologia) e Raquel Henriques da Silva (historiadora de arte e ex-dir. IPM) propõem a reformulação funcional dos 2 edifícios do projecto de Mendes da Rocha: o principal poderia ser adaptado a um Museu da Viagem (evocativo da "diáspora portuguesa em toda a sua extensão temporal"); o 2.º edifício, mais pequeno, seria afecto ao Museu dos Coches para "ampliação dos espaços expositivos", mas mantendo-se "o conjunto mais emblemático" no antigo Picadeiro Real. Ademais, sugerem um levantamento do parque museológico e monumental da zona de Belém, com vista a um "plano integrado de valorização de cada peça e do seu conjunto" (p.e., para potenciar circuitos integrados, via "percursos pedonais, bilheteiras comuns, navette de ligação gratuita" para portadores de ingressos nos museus ou monumentos). Instam ainda à "reabertura do Museu de Arte Popular no seu lugar próprio"; à inserção do Museu Nacional de Etnologia na "rede"; à extensão do da Marinha a poente e para a Cordoaria Nacional; e à ampliação do de Arqueologia nos Jerónimos (vd. aqui).
Haja sensatez para reflectir nos argumentos dos críticos. O interesse público sairia a ganhar. A tradição sobranceira do poder, porém, não dá muita esperança. Como se viu com mais este caso, o poder central gosta de se exibir, e quanto mais espampanante e expedita for a solução, melhor. É a lei não escrita do umbiguismo do poder, do fausto, que por cá tem uma larga tradição...
PS: 5 prós e contras das 2 posições podem ser vistos aqui; cartoon de GoRRo (c) 2007-9.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Peões, peonetes e santanetes

Está aí escrito do lado direito do écran: Identidades partilhadas.
Aqui somos todos peões mas também peonetes uma vez que o género é uma forma simbólica de acção pública: Hoje sou peão e peonete. Hoje não sou Santana, mas sou santanete!