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terça-feira, 3 de julho de 2007

Cinematologia Chinesa comparada (to vallera with luv)

Dos poucos filmes chineses que vi nos últimos tempos ficaram-me particularmente na memória dois, por serem muito bons: "2046" de Wong Kar Wai, e "Sanxia haoren" ("Still life" no título internacional) de Jia Zhang-Ke. Achei os dois filmes completamente diferentes. "2046" pareceu-me um filme baseado nos diálogos, muito bons, de onde sai uma enorme poesia. O cenário cria um ambiente de época, romântico, que suporta muito bem a trama e os personagens. Os personagens, esses pareceram-me bem construidos, e perfeitamente credíveis no seu contexto. Já "Sanxia haoren" os diálogos pareceram-me estranhos, os persongens inverosímeis, o argumento no limite, e o cenário vagamente surreal. Pareceu-me tudo de uma excelente concepção, para construir no extremo do real, ou para lá disso, uma espécie de metáfora sobre uma qualquer transformação social na China de tempos recentes.

Entretanto conheci recentemente, por razões profissionais, um chinês radicado há poucos anos na Europa. Um cinéfilo convicto, amador e conhecedor do cinema chinês (e não só). Entre outras coisas aconselhou-me a ver o filme original em que Scorcese se baseou para fazer "The Departed (Entre Inimigos)", (ao que parece no original o filme tem um verdadeiro final, ao contrário da versão Scorcese). Falando de "2046" e de "Sanxia haoren" achou-os também completamente diferentes. Em "2046" achou os diálogos estranhíssimos (ele tem a vantagem de perceber a língua original), o ambiente vagamente surreal, a trama e os personagens inverosímeis, mas tudo muito bem construído, de uma grande beleza e poesia, mas longe da realidade. Quanto a "Sanxia haoren" (pelo qual pareceu ter alguma preferência) achou o filme um quase-documentário. Um retrato perfeito de uma certa China que existe hoje, com diálogos e personagens realistas e credíveis, e um enredo bem conseguido. Aconselhou-me aliás a ver os outros filmes recentes de Jia Zhang-Ke, para ter uma imagem da China de hoje. Esses filmes vão na linha quase-documental de "Sanxia haoren", em que o realizador tenta até inserir o próprio espectador na tela.

Afinal é tudo relativo não é? Até a maneira como se vê os filmes...