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quarta-feira, 15 de abril de 2009

A canção do momento é um xuto no sr. engenheiro

Está a causar furor a canção «Sem eira nem beira», do novo álbum dos Xutos & Pontapés, 30 anos à nossa maneira, lançado na semana passada. É uma canção de intervenção (sim, de intervenção!), que muitos vêem como um manifesto anti-governo português. As apropriações são imparáveis, bem como as irritações... Os Xutos demarcaram-se apenas quanto ao aproveitamento político-partidário e a ser vista como um ataque directo ao premiê português, não quanto ao seu carácter de crítica política e social. Para o tira-teimas, atente-se na letra picante (vd. em baixo) e nas declarações dos músicos aqui.
*
Sem eira nem beira

Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou-bem

Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar/Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor

Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir/Encontrar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro 
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer

É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar/A enganar
o povo que acreditou

Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder

Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão

segunda-feira, 13 de abril de 2009

“Taking Woodstock” é Ang Lee paz e amor

10_MVB_cult_woodstock O novo filme do diretor de "O tigre e o dragão", "Hulk" e "O segredo de Brokeback Mountain" deverá chegar aos cinemas norte-americanos em agosto próximo. Trata-se de "Taking Woodstock", uma comédia com coloração hippie, onde Ang Lee retrata o emblemático festival da contracultura, realizado entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969. O filme é uma adaptação do livro “Taking Woodstock: A True Story of a Riot, A Concert, and A Life, de Elliot Tiber.

O longa é baseado a história real de Elliot, um aspirante a designer de interiores de Greenwich Village, mas que trabalha num hotel da família ameaçado de despejo. A sua única alternativa para arrecadar dinheiro e tirar a família da falência é oferecer a grande propriedade rural na cidade de Bethel, no estado de Nova York, para a organização de um festival de rock... E tudo deu no que deu. Veja no Cinema em Cena sinopse completa, trailer oficial e ficha técnica. Só para relembrar os quase 40 anos de Woodstock, vai aqui vídeo de The Who, Carlos Santana, Janes Joplin e Jimi Hendrix.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

"Eletric Ladyland", uma fantástica viagem ao mundo do wah-wah










Jimi Hendrix é considerado por muitos o maior guitarrista de todos os tempos e por alguns o deus da guitarra. Da minha parte, digo que há certo exagero em ambas as afirmações. Nem deus, nem o maior. Mesmo porque os deuses não existem. Segundo, porque é muito relativo e de certa forma perigoso afirmar que fulano é melhor guitarrista que beltrano num universo tão vasto e passional como é a música pop. Hendrix foi acima de tudo um grande observador. Com Frank Zappa aprendeu tirar todos os efeitos do pedal de wah-wah. Também se inspirou em Pete Townshend (The Who) na utilização magistral da distorção, feedback e outros recursos eletrônicos, que somados às suas raízes no blues, no soul e no R&B deu um toque inovador ao rock e influenciou muitos outros guitarristas de sua geração. E de aluno passou rapaidamente a grande mestre. Um gênio? Talvez. Mas com certeza um mago eclético das 6 cordas, dos botões e pedais, que fez a sua última viagem ainda muito cedo.

Em "Eletric Ladyland", álbum duplo que completa 40 anos este ano, Hendrix consolidou-se também como produtor e diretor. Lançado em setembro de 1968, este foi o seu terceiro disco (os anteriores foram “Are You Experienced?” e “Axis: Bold as Love”, ambos produzidos em estúdio em 1967, e o último foi “Band of Gypsys”, gravado ao vivo em 1970). Ao assumir o controle total da produção e direção dos trabalhos em estúdio, ele se livra da pressão de seus produtores anteriores, que só visavam engordar as suas contas bancárias com resultados imediatos. Tanto que as músicas foram gravadas e regravadas até a exaustão. Sem as amarras de mercado e livre pra voar, Hendrix solta toda a sua imaginação técnica e faz dos wah-wahs, microfonias e distorções uma verdadeira “brincadeira” lisérgica, capaz de nos provocar sensações de puro encanto. Se música é percepção, Hendrix é música.

Além de seu repertório fantástico, "Eletric Ladyland" causou uma grande polêmica pela ousadia de sua capa original: uma foto de belas mulheres nuas. Recusada pela gravadora, ela foi substituída por uma imagem de seu rosto. Há também quem afirme que este disco inspirou Miles Davis em “Bitches Brew”.

domingo, 13 de julho de 2008

Dia Mundial do Rock 'n' Roll

A história ainda é muito controversa e gera estrondosos bate-bocas. Mas muitos historiadores apontam a canção "Rocket 88", gravada em 1951, por Ike Turner (letra) e o saxofonista Jackie Brenston (música), como a primeira gravação de rock. Lançada pela Chess Records, a música não é a rigor rock. Ela está mais pra um rhythm & blues metamórfico e bem próximo da idéia do que viria a ser o rock 'n' roll, uma música revolucionária culturalmente, com heranças tanto brancas (country and western e o bluegrass) quanto negras (blues, R&B, gospel e outros). Outros (talvez os mais puristas), entretanto, são irredutíveis e capazes de jurar sobre a Bíblia que a criação efetiva do rock 'n' roll só se deu com a cristalização do gênero. Ou seja, em 1954, com o lançamento de We’re Gonna - Rock Around The Clock”, com Bill Haley and The Comets. Pra agradar a todos, vai aqui o vídeo de "Rocket 88" e aqui o de “We’re Gonna - Rock Around The Clock”. De qualquer forma, hoje é o Dia Mundial do Rock e não importa quem seja seu pai. Dancemos, pois!

PS.: Parece-me que a banda “Jackie Brenston and his Delta Cats”, que consta no rótulo do disco da foto nunca existiu. Há quem diga que tudo não passou de uma jogada comercial de Ike Tuner.

terça-feira, 3 de junho de 2008

O rock 'n' roll perde todo o seu bomp, ba-bomp-bomp, bomp, bomp: ficou muda a guitarra retangular de Bo Diddley (1928 – 2008)


Bo Diddley, um dos pioneiros do rock 'n' roll, morreu ontem, aos 79 anos. Ao lado de Chuck Berry e Little Richard, Diddley fez parte de um grupo pioneiro de artistas negros que atravessaram a fronteira da divisão racial norte-americana para criar música que agradava ao público branco e por ele era imitada. Mesmo com poucos sucessos, Bo Diddley é um dos músicos que mais influenciaram o blues, o rock e o rap. A sua marca registrada é uma guitarra em formato retangular. O ritmo de sua "batida Bo Diddley" (bomp, ba-bomp-bomp, bomp, bomp), forneceu uma base rítmica poderosa ao rock'n'roll e foi “chupada” por várias gerações de roqueiros: desde Elvis Presley a Bon Jovi. Keith Richards, Ron Woods e Richie Sambora participaram das gravações de alguns de seus discos. O próprio Diddley tocou em bandas como The Clash e The Grateful Dead. Veja aqui um vídeo de 1960 e aqui ele tocando com Tom Petty.