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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Uma descoberta

infelizmente impossível de partilhar em reprodução. Map of nowhere de Grayson Perry (2008).

Dois pontos de partida: um mappa mundi medieval (o mapa de Ebstorf), destruído durante a Segunda Guerra Mundial e Utopia de Thomas More, um «não-lugar».

Num esquema circular, Perry apresenta uma «planisférica» análise da sociedade contemporânea. No centro, lugar que já esteve ocupado por Jerusalém, surge a «Dúvida». Mas estão lá os locias de culto, como, naturalmente, a Microsoft ou o Starbucks, estão lá todas as epígrafes em modo de legenda às figuras e aos edifícios. Só temos de ver de perto.

A sátira é, ainda, ampliada pela confusão à medieval entre escala e proporção. Na base, o cenário é realista, a chegada de uma peregrinação ao sopé de uma colina, onde está um mosteiro num halo de luz que sai directamente do rabo do artista.

É escolha de Paula Rego e está na exposição My choice até 12 de Junho.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Gérard Castello-Lopes (1925-2011), o discípulo português de Cartier Bresson

«Morreu Gérard Castello-Lopes, fotógrafo e distribuidor de cinema», por Sérgio C. Andrade e Sérgio B. Gomes

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Quando a realidade supera a ficção mais extravagante...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Anos 70 – Atravessar Fronteiras

Cai o pano sobre a mostra  Anos 70 – Atravessar Fronteiras, dedicada à arte portuguesa duma década algo esquecida, ou desvalorizada. É hoje o último dia para se poder apreciar esta revisitação alargada, comissariada por Raquel Henriques da Silva e patente na FCG.
A visão panorâmica que nos é dada é enriquecedora, tal como a contextualização e a diversidade de suportes e artistas; plus, há obras pouco vistas, como as colagens irónicas de Eduardo Nery e Artur Varela.
Depois, há René Bertholo, com as suas máquinas lúdicas, António Costa Pinheiro com uma inesperada Citymobil (1967/8), Ana Harthely com as suas icónicas Ruas de Lisboa (mas, estranhamente, sem um vídeo sobre o PREC que antes estava no CAM), Emília Nadal e o seu detergente ideológico para brainwash (Skop, 1979),  João Abel Manta e as suas incontornáveis caricaturas sobre a ditadura, o mural de Belém de 1974 recuperado a partir de fotos de Novais. Mas há mais: Lurdes Castro, Álvaro Lapa, António Palolo, Alberto Carneiro, Rogério Ribeiro, Paula Rego, Helena Almeida, as performances de E. Melo e Castro e Alberto Pimenta, etc., etc..
De Nikias Skapinakis escolhi a imagem que ilustra o post, uma reprodução do quadro Delacroix no 25 de Abril em Atenas (1975).
Para quem quiser dar uma vista de olhos nalgumas das obras pode ir aqui.

domingo, 18 de outubro de 2009

Fogo acaba com acervo de Hélio Oiticica

Pelo menos 90% das obras do artista plástico tropicalista Hélio Oiticica foi destruída devido a um incêndio na noite de ontem no primeiro andar da casa da família. Lá estavam abrigadas mais de 1.000 peças do acervo do “Projeto Hélio Oiticica” e quase nada se salvou.

A expressão “Tropicália” teve origem em um projeto ambiental do então arquiteto Oiticica na exposição “Nova Objetividade Brasileira”, exposta no MAM no Rio de Janeiro em 1967. Esta mostra teve como objetivo a busca de uma linguagem estética puramente brasileira, confrontando-a com os grandes movimentos artísticos mundiais.

O vídeo “H.O” (aqui dividido em 2 partes), de Ivan Cardoso (1979), focaliza a obra de Oiticica, com texto poético de Haroldo de Campos. Participam também: Caetano Veloso, Carlinhos do Pandeiro, Ferreira Gullar, Lygia Clark, Nildo da Mangueira, Nininha e Waly Salomão. Mais.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

“Picha” e “Os Mágicos Olhos das Américas” no Afro Brasil

pichaA inédita exposição “Picha”, com obras de roteiristas e desenhistas de 16 países africanos, será apresentada no Museu Afro Brasil (São Paulo), de 15 de outubro a 8 de novembro. O evento reunirá originais de desenhos, álbuns, revistas e publicações de jornais e revistas, além de um grande banco de dados com informações sobre diversos desenhistas, chargistas e caricaturistas. Picha é uma corruptela de “picture” e quer significa “desenho” na língua suali.

os magicos olhos das americasTambém no mesmo local, já está em andamento a mega exposição “Os Mágicos Olhos das Américas”. A mostra reúne cerca de 300 obras de artistas brasileiros e estrangeiros, destacando as potencialidades da cultura ibero-americana e a produção cultural como elo de países como Brasil, Espanha, Portugal, demais países da América Latina e da África. Mais informações no site do Museu Afro Brasil. Saravá!

terça-feira, 28 de julho de 2009

File, a arte do algoritmo

Começa hoje e vai até o dia 30 de agosto a 10º edição do File (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica). O evento, considerado o mais importante na área de arte e tecnologia (ou arte contemporânea, como desejam muitos) da América Latina, reunirá mais de 300 artistas, de 30 nacionalidades, na Galeria de Arte do Sesi, na avenida Paulista, São Paulo. Em poucas palavras, o que se verá no File é uma arte onde algoritmos substituem os tradicionais pincéis, tintas e telas.

protomembrana Entre os artistas convidados, estão grupos, coletivos e alguns acadêmicos, especialistas nessa nova linguagem artística. Pelo lado acadêmico, o grande nome a aportar em Terras Brasilis será o do russo Lev Manovich, referência entre os teóricos da área de novas mídias digitais. Já na área artística, destaco a presença do espanhol Marcel.lí Antúnez Roca. Reconhecido internacionalmente por suas performances mecatrônicas e instalações robóticas, Marcel.lí apresentará a sua obra de repertório pluralista “Protomembrana” (foto), onde utiliza uma narrativa verbal, animação gráfica, iluminação e música.

file 2009 Outra figura de peso a se apresentar será o grupo norte-americano Graffiti Research Lab. Eles virão ao Brasil com uma caneta a laser com a qual é possível grafitar grandes dimensões, como superfícies de prédios, graças a um projetor de grande escala.

O evento deste ano também trará uma grande novidade. Trata-se do “File 2008 Milhões de Pixels”, uma referência ao cinema de tecnologia 4K, com imagens de 8 milhões de pixels por frame. Depois de mais de um ano de estudos, um grupo de especialistas transmitirá, pela primeira vez na história, um filme de super alta definição. Trata-se do longa “Enquanto a Noite Não Chega”, que foi dirigido por Beto Souza e aborda como tema central o fim da vida. Ao todo serão apresentados 14 títulos com essa nova tecnologia.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Quem vê cara não vê coração

fatima = volpi fatima   galeno


Uma representação abstrata de Nossa Senhora de Fátima está a gerar uma enorme polêmica entre os fiéis da Igreja Nossa Senhora de Fátima (a Igrejinha, como é carinhosamente conhecida pelos habitantes de Brasília), que veem na obra do artista plástico Francisco Galeno um "desrespeito à tradição católica". Pobres almas cegas e fanáticas.

Projetada por Oscar Niemeyer, a Igrejinha foi construída em 1958 e levava uma pintura do ítalo-brasileiro Alfredo Volpi, composto por uma Nossa Senhora com o menino Jesus no colo (os dois sem rosto). Por considerá-la “profana”, a imagem original foi barbaramente destruída, anos depois, por vândalos que de diziam defensores dos “bons princípios” cristãos, como se fossem portadores de uma procuração Divina pra fazer e desfazer o que bem entendem.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico brasileiro tentou recuperar a pintura original, mas devido a impossibilidade técnica convidou o artista Francisco Galeno para fazer novos painéis. Assim como Volpi, Geleno manteve a imagem da santa sem rosto. Ela tem uma pipa (papagaio) no lugar das mãos. O rosário é representado por um carretel de linha e a coroa é decorada com flores. Segundo o pintor, pipas e flores foram criadas para representar a alegria das crianças que viram a Virgem Maria - Lúcia, Francisco e Jacinta. Mais.