Recebo o CD "Ouvidos Uni-vos" o mais recente trabalho de Luiz Tatit.
Este músico paulista mora ali pelos lados da Vila Ida, muito perto da Vila Madalena, a “Vila Madá”, bairro boémio da cidade muito frequentado pelos universitários.
Este músico paulista mora ali pelos lados da Vila Ida, muito perto da Vila Madalena, a “Vila Madá”, bairro boémio da cidade muito frequentado pelos universitários.
Nada mais paulista do que a capa do CD, uma colagem de vários rostos anónimos. Ou o refrão de uma das músicas que nos lembra a Marginal do Tietê e a poluição, a grande marca da paisagem urbana e da vida dos paulistas:
(…)
Vi nas asinhas
De um pernilongo
Lama do rio
Rio do mal
Nem bem entrou na cidade
Virou marginal
(…)
Rio Tietê,
Nosso E.T.
Cadê?
Melhor esconder
(…)[1]
O músico continua a brindar-nos com o seu gostinho especial em juntar o tom do universo infantil às coisas que também tocam os adultos:
Eu ando tão dodói
Mas tão dodói
Que quando ando dói
Quando não ando dói
Meu corpo todo dói
Tendão dói
Dedão dói
Pomo-de-adão dói
Ouvido dói
Libido dói
Fígado dói
Até meu dom dói
Pois quando canto
Não importa o tom dói[2]
Além da parceria, Luiz Tatit também presta homenagem a Itamar Assumpção (1949-2003), o músico da poesia urbana de São Paulo que trouxe o “som do porão da cidade”:
Bem mais que um tipo de rock
pura assunção de Sampop
(…)
Rock de breque, rock de breque
Toque de mestre Assumpção
Tente entender numa boa
Sol de São Paulo é garoa
Cara em São Paulo é coroa
Praia é balcão
(…)
Nobre missão de Sampop
Entra em acção desentope
Ouvidos uni-vos
Num grande orelhão[3]
Escutem a senha
Que vem lá da Penha
Com breque de pé e de mão[4].
O ritmo nordestino da maior cidade brasileira está presente n´ “O Baião do Tomás”[5] e o “Baião de Quatro Toques”[6].
(…)
Vi nas asinhas
De um pernilongo
Lama do rio
Rio do mal
Nem bem entrou na cidade
Virou marginal
(…)
Rio Tietê,
Nosso E.T.
Cadê?
Melhor esconder
(…)[1]
O músico continua a brindar-nos com o seu gostinho especial em juntar o tom do universo infantil às coisas que também tocam os adultos:
Eu ando tão dodói
Mas tão dodói
Que quando ando dói
Quando não ando dói
Meu corpo todo dói
Tendão dói
Dedão dói
Pomo-de-adão dói
Ouvido dói
Libido dói
Fígado dói
Até meu dom dói
Pois quando canto
Não importa o tom dói[2]
Além da parceria, Luiz Tatit também presta homenagem a Itamar Assumpção (1949-2003), o músico da poesia urbana de São Paulo que trouxe o “som do porão da cidade”:
Bem mais que um tipo de rock
pura assunção de Sampop
(…)
Rock de breque, rock de breque
Toque de mestre Assumpção
Tente entender numa boa
Sol de São Paulo é garoa
Cara em São Paulo é coroa
Praia é balcão
(…)
Nobre missão de Sampop
Entra em acção desentope
Ouvidos uni-vos
Num grande orelhão[3]
Escutem a senha
Que vem lá da Penha
Com breque de pé e de mão[4].
O ritmo nordestino da maior cidade brasileira está presente n´ “O Baião do Tomás”[5] e o “Baião de Quatro Toques”[6].
Também oiço a voz límpida, de passarinho, da Ná Ozetti em “Minta”[7]. Diz o próprio Tatit que ela é a “voz que não pode faltar”.
Ouvidos oiçai.
Ouvidos oiçai.
[1] "Tietê", de Luiz Tatit.
[2] “Dodói”, de Luiz Tatit e Itamar Assumpção
[3] No Brasil, em geral, as cabines telefónicas têm o engraçado formato de uma orelha humana.
[4] "Rock de Breque", de Luiz Tatit
[5] "Baião do Tomás", de Chico Saraiva e Luiz Tatit
[6] "Baião de Quatro Toques", de Zé Miguel Wisnik e Luiz Tatit
[7] "Minta", de Ricardo Breim/Luiz Tatit
[2] “Dodói”, de Luiz Tatit e Itamar Assumpção
[3] No Brasil, em geral, as cabines telefónicas têm o engraçado formato de uma orelha humana.
[4] "Rock de Breque", de Luiz Tatit
[5] "Baião do Tomás", de Chico Saraiva e Luiz Tatit
[6] "Baião de Quatro Toques", de Zé Miguel Wisnik e Luiz Tatit
[7] "Minta", de Ricardo Breim/Luiz Tatit


