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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Meritocracia: Há que recompensar aqueles que com tanto esforço, abnegação e sobretudo talento conseguiram levar tão respeitável instituição à falência

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Qualificação e mérito

Quanto a esta polémica sobre a campanha em torno do programa ‘Novas Oportunidades’, estou basicamente de acordo com o Hugo. De facto, o importante de toda esta história é que os níveis de qualificação aumentem generalizadamente na população e, sobretudo, nos estratos mais desfavorecidos. No entanto, convém sublinhar um ponto que para mim é o mais problemático desta questão. E formulo-o desta forma: haverá uma correspondência linear e directa entre o aumento de qualificação e o acesso a melhores oportunidades que se reflicta numa efectiva mobilidade social ascendente?
Numa sociedade, com a nossa, em que a cultura do mérito não é devidamente valorizada (penso que isto é relativamente consensual ou, pelo menos, há a noção generalizada de que é assim), o resultado de um elevado investimento na qualificação pode sofrer um forte enviesamento e gerar enormes frustrações pessoais (na medida em que o que na realidade acaba por valer é a posição social de origem do indivíduo e não o seu efectivo mérito), que poderão repercutir-se em conflito social. No fundo, o que quero dizer é muito simples: considero importante que se invista na qualificação apontando para um objectivo preciso (melhores empregos, melhores condições de vida…), mas entendo que se esta medida não for devidamente acompanhada por uma mudança profunda nos procedimentos de avaliação, reconhecimento e certificação do mérito, corremos o risco de criar um hiato entre as expectativas legítimas e a concretização dos resultados.
Ou seja, corre-se o risco de criar mais uma ilusão. Portanto, a mensagem da campanha não deveria só incidir na qualificação mas no esforço e na capacidade que se deposita na actividade profissional (i.e. no mérito), que, por seu turno, deverá ser devidamente reconhecida (socialmente e institucionalmente).