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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Para todos aqueles com demasiada cera nos ouvidos

«Em democracia, as comunidades afectadas pelas decisões políticas têm de ser ouvidas»: entrevista de Sofia Lorena ao juiz e especialista em direito público Sabino Cassese (nb: texto integral na p.17 deste dossiê)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Afinal os adolescentes não são uma confusão, apenas arriscam mais

«Há uma reorganização no cérebro na adolescência»: entrevista de Ana Gerschenfeld à neurocientista Sarah-Jayne Blakemore

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Intolerância, deriva belicista e domínio geo-estratégico: o que permitem a inimputabilidade internacional e a cegueira ideológica

Ocorreu hoje um dos piores actos de agressão do Estado israelita contra a comunidade internacional. Leram bem, contra a comunidade internacional. Foi um massacre de civis activistas de 40 países ocidentais e orientais envolvidos numa campanha de solidariedade com a população palestiniana da Faixa de Gaza, após meses dum bloqueio israelita insano àquele território (neste momento, estão confirmados 10 mortos e dezenas de feridos).

A viagem da «Flotilha da Liberdade» estava programada há algum tempo e a comitiva de c.700 pessoas incluía  deputados da Alemanha, Noruega, Suécia, Bulgária e Irlanda, sendo a maioria dos restantes elementos membros de ong's humanitárias, além duma Prémio Nobel, dum sobrevivente do holocausto, dum ex-senador dos EUA, de jornalistas e de tripulantes (vd. aqui). Israel intimidou desde cedo, pressionando para o seu acostamento em território israelita e não em território palestiniano, como se uma comitiva com intuitos humanitários não pudesse atracar num porto palestiniano sem autorização do auto-declarado ocupante (mesmo que nesta situação, a resposta é completamente desproporcionada e, muito provavelmente, ao arrepio do próprio direito internacional).

O facto do morticínio provocado por comandos israelitas ter ocorrido em águas internacionais, e cujas imagens ecoam a pirataria somali, não demoveu o governo israelita de procurar justificar o injustificável com a mais sinistra propaganda, que alguns (poucos) media ainda acham por bem acolher, seguindo a política bushista da «guerra de civilizações» e da protecção à outrance do sionismo ultrabelicista. Felizmente que a maioria dos media, acompanhando o coro internacional e unânime de críticas a um acto tão atroz, se distanciou de tais derivas belicistas, as quais provocaram uma crise diplomática sem precedentes: vd. «Israel accused of state terrorism after attack». Também a opinião pública internacional tem-se manifestado contra este crime um pouco por todo o mundo: «Clamor internacional contra el "baño de sangre" de Israel».

Porquê agora isto? Rebobine-se um pouco o filme e chegamos a uns dias atrás em que uma iniciativa diplomática de países emergentes na cena internacional (e, por consequência, na respectiva área regional) procuraram resolver diplomaticamente o «caso iraninao». Assim, por iniciativa diplomática, o Brasil intercedeu junto do Irão para que suspende-se o seu programa nuclear, enviando o seu material nuclear para a Turquia. Ora, nesta comitiva solidária, a maioria dos membros eram turcos, antes um dos poucos interlocutores muçulmanos de Israel... Para bom entendedor...

(para quem tem dúvidas é favor ler «Turquia acusa Israel de ter cometido um acto de "terrorismo de Estado"»).

Sobre a acção israelita e seu enquadramento vale a pena ler «Israël veut montrer qu'il reste maître chez lui», do historiador Pierre Razoux.

domingo, 25 de abril de 2010

Casas decentes para todos!

Olá! E eis que passados 36 anos sobre a revolução de Abril surge uma inesperada reportagem de media mainstream sem visão acusatória sobre o movimento de moradores e a questão da habitação no período revolucionário. Chapeau! A reportagem em apreço chama-se «As casas que o povo quis», é de Luís Francisco, saiu no Público de hoje e tem ainda a proeza de fazer a ponte entre passado e presente.
Novamente, só a versão impressa tem o texto integral, mas aqui pode ficar-se com um cheirinho.

terça-feira, 13 de abril de 2010

«Génio louco» ou um cientista brilhante com convicções éticas?

A propósito do matemático russo Grigori Perelman, autor na berlinda por não ter logo aceite prémios vultuosos que distinguiam o seu contributo para a transformação da conjectura de Poincaré num teorema, passou a imagem dum dum «génio louco» em muitos media.
O último texto a apresentá-lo assim é um aprofundado trabalho de Ana Gerschenfeld. Por ser aprofundado, este texto permite entrever que as reservas do cientista têm a ver com a sua dificuldade em aceitar o atropelo de normas éticas no trabalho científico. Um outro cientista procurou, de modo incorrecto, ficar com parte dos louros daquele proeza científica e, como os restantes matemáticos não denunciaram a situação, Perelman ficou desiludido e resolveu afastar-se deles. A versão de Perelman foi revelada pelo próprio a uma jornalista que escreveu a biografia doutro grande matemático. Parece mais uma questão de ética no trabalho e na vida do que propriamente loucura.
O próprio diz achar esquisito que os prevaricadores passem por gente normal e aqueles que não aceitam atropelos a normas éticas sejam vistos como bichos-do-mato. É que ele até vai apanhar cogumelos no bosque! Pois é, so pode ser louco! Mas, espera aí; então e as pessoas que apanham cogumelos nos bosques para que todos nós os possamos comer também são loucas?
Que grande confusão...

A classe média que pague a crise!

Pode ser desastroso pôr a classe média a pagar a factura da crise ou fazer aprovar um PEC que a toma como alvo principal.

(Elísio Estanque, «A classe média e a estabilidade social», Público, 10/IV/2010, p. 36)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Redes sociais da internet: uma ameaça à privacidade?

«É aceitável que a adesão às redes sociais justifique a perda de privacidade?» foi o mais recente tema lançado pelo site Contraditório.

Do lado do 'não' estava Maria Manuel Veloso (prof.ª da UC e membro do Focus Gruoup on Privacy Enhancing Technologies);

do lado do 'sim' figurava Francisco Teixeira da Mota, o qual nos deu um bom resumo da peleja em «A adesão às redes sociais e a perda de privacidade» (in jornal Público, 11/IV/2010, p. 39).

Um tema, duas opiniões diferentes, mas apenas para quem é assinante!

«Um tema, duas opiniões diferentes» é uma rubrica recente do jornal Público, onde se procura dar espaço ao debate de ideias sobre política económica. Entusiasmado por esta nova oportunidade de ler textos acessíveis e oponentes sobre um determinado tema da economia do quotidiano, resolvi dar notícia.
A desilusão veio logo a seguir, quando reparei que estes textos estão só acessíveis para assinantes! Tá mal: a boa nova devia ser partilhada por todos...
Por isso, no post seguinte falarei dum site onde se exerce o contraditório sem fronteiras de escalões financeiros.
Resta-me referir que o último tema dominical intitulava-se «O subsídio de desemprego em Portugal dificulta o regresso ao mercado de trabalho?», sendo o sim esgrimido por Álvaro Santos Pereira (U. York) e o não por Carlos Pereira da Silva (ISEG-UTL).

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Nos carris de Kafka...

Outros posts do Peão sobre política ferroviária: «No país esquecido» e «O descarrilamento do Simplex».

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O presidente que caiu numa dupla ratoeira

No final de contas, parece que o Presidente Cavaco Silva caiu, não numa, mas em duas ratoeiras: a dos seus ex-cooperantes institucionais, que o 'picaram' para tropeçar em armadilha de campanha, um passo em falso por mero excesso de nervosismo; e a do seu ex-assessor principal, que, pelos vistos, agiu contra a vontade do PR. Como «quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto», o resto é desvario de imprensa. O PR nada sabia e nada fez. Um modelo esfíngico para a posteridade: cego, surdo e mudo; e hirto que nem uma barra de aço.
Será possível esta rebobinagem do filme O silêncio ensurdecedor das escutas e outros mistérios irresolúveis?
Aceitam-se apostas.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

As pífias de Cavaco

É impressão minha ou o editorial do Público revela um José Manuel Fernandes (JMF) um pouco acossado? JMF vê Fernando Lima descartado como uma fralda de bébé, e fica nervoso a pensar que vai sobrar para ele. O tão adorado Cavaco, por JMF endeusado ao longo dos anos, parece ter-lhe deixado uma bata quente a queimar-lhe as mãos. "Ah!, que ingratidão", pensa, e rosna qu'isto não fica aqui. É assim..., os fretes têm destas coisas...
Mas ficam-me ainda umas pequenas questões. JMF diz que gosta de factos, e enuncia alguns; diz no primeiro que "Dados fornecidos por uma só fonte que se quer manter anónima não são notícia no PÚBLICO." falando do que se passou há 17 meses. É impressão minha ou esses mesmíssimos dados foram publicados 16 meses depois? Um facto que JMF não refere.
Outra: diz JMF que "E ninguém perdoará se se perceber que as suspeitas ou não existiam, ou não tinham fundamento, ou eram simplesmente paranóicas.", presume-se portanto que JMF perdoará, porque não percebeu. Ou será que percebeu? E se percebeu porque raio publicou a notícia?
Nisto, em França o "Affaire Clearstream" começou a ser julgado nos tribunais. Há paralelos interessantes (à suivre...).

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Este estabelecimento reabre quando puder ser

Vale a pena elogiar a reportagem-manchete de ontem no Público, "Falta de dinheiro e de funcionários está a asfixiar a rede de museus" (continuada aqui).
Nela se divulgam os resultados dum inquérito promovido por este jornal e ao qual responderam 34 museus portugueses. Da sua análise comprova-se que a maioria dos referidos museus está a cortar nos horários, na programação e/ou em serviços (o mais preocupante é a diminuição do serviço educativo) por não terem orçamento adequado. São 4 páginas bem escritas e bem ilustradas, que demonstram que quando os jornais investem em jornalismo de investigação e se dedicam a escrutinar a actividade pública com profundidade, todos temos a lucrar. O trabalho é da autoria de Alexandra Prado Coelho e Bárbara Reis.
Há museus a trabalhar em más condições, outros fechados há anos, e que merecem mais atenção. Esta situação é cíclica (vd. p.e. aqui), mas nem por isso menos grave. O Ministério da Cultura não deveria ser um enfeite que se põe na lapela aos domingos. E o Ministério da Educação podia (e devia) reforçar os seus protocolos com os serviços educativos dos museus, pois é uma actividade que lhe cabe, tanto mais que a educação artística nas escolas é insuficiente, será sempre insuficiente.

domingo, 3 de agosto de 2008

Anúncio do anúncio, ou a urgência nos dias que correm

Rendo-me, não aguento mais!
As sucessivas reportagens do suplemento «Fugas» do Público dedicadas às iguarias e refrescantes tiraram-me do sério. Eu, que julgava que um jornal aristocrata como este não se debruçava sobre assuntos da arraia-miúda, comecei recentemente a ver desaparecer o meu tema de escrita numa cadência semanal. Ele foram os cogumelos (desses já tinha falado aqui), os caracóis (ó suprema baixeza sulista!), os petiscos (embora envergonhadamente associados às «tapas»), os sumos de fruta e flores 'aztecas' (uau, que exótico), eu sei lá que mais safadezas de pôr água na boca.
Não resisti mais.
Por isso, decidi, hoje mesmo, que o próximo tema já não mo roubariam. Primeira regra: não disse nada a ninguém - nunca xi xabe. Segundo: escrevi logo, e não estive preocupado com as regras do acordo ortográfico. Por isso, saiu isto, mas vale a pena. A urgência da estação merece tal naco. Nunca um post foi tão apropriado. Ora prossigam...
É assim:
(to be continued)

sábado, 25 de agosto de 2007

EPC no fio do horizonte (1944-2007)

Apesar do seu lado mais convencional e do pendor para o ‘amiguismo’, vou ter saudades de Eduardo Prado Coelho e dos seus textos de ensaio e crónica jornalísticos, designadamente de «Fio do horizonte», aquele que foi o seu espaço de crónica no jornal Público nos últimos 10 anos.
É verdade que EPC nunca se preocupou em fazer uma crítica literária (ou outra) assente na sistematização da qualidade das obras saídas. A sua opção pela escrita sobre autores e obras que agradavam ao seu gosto pessoal, quantas vezes seus amigos pessoais, não é em si mesma negativa. Contudo, o meio da crítica perdeu assim um dos nomes que mais poderia incentivar essa busca por uma sistematização, essa necessidade duma maior procura da qualidade e das insuficiências e limites das obras. Dum inventário mais plural baseado na qualidade, no risco e na experimentação.
Seja como for, é inegável o seu impressivo contributo para o ensaísmo jornalístico, para uma maior informalidade na crítica e para uma certa saída das torres de marfim. Articulou, como poucos por cá, a análise de distintas áreas do saber: poesia, romance, fotografia, artes plásticas, cinema, política, filosofia, etc.. Ajudou a divulgar e a consagrar vários artistas, escritores e iniciativas. Fez bastante pelo debate público, com ideias e argumentos, num país pouco dado a ele.
Ultimamente, as crónicas de que gostava mais eram aquelas em que se detinha a comentar aspectos do nosso quotidiano social e cultural.
Porque nos ajudou a pensar a nossa contemporaneidade, aqui fica o meu reconhecimento.
Nb: vd. obituário informativo aqui.

sábado, 16 de junho de 2007

Dizem que é uma espécie de jornalismo

O país já discutiu muito o "caso DREN". O que vem nos jornais é, nestes episódios, central para a leitura pública que deles é produzida, e quem sabe como isto funciona, sabe que as histórias são muitas vezes, como se costuma dizer, "mal contadas". Não interessa para o caso. Independentemente do que possamos dele pensar, há todavia algumas coisas que julgamos difíceis de encontrar escritas, ou limites que pensamos quase impossíveis de serem ultrapassados. Hoje, sexta-feira, no "Público", José Manuel Fernandes (JMF) escreveu coisas que não podemos deixar de considerar de uma extraordinária boçalidade.
JMF tem, claro, direito a tudo: a pedir a demissão de tudo e todos, a atribuir isto e aquilo ao Ministério da Educação (ou qualquer outro Ministério), como faria qualquer transeunte que percebesse tanto de política como eu de bijouteria (ou seja, nada, sem desprimor para com o respectivo métier); afinal, com a "qualidade" das análises a que nos habitou nos últimos anos, já mesmo nada é de espantar. Mas confesso que estranhei como fora possível, no editorial do "Público" - escrito a propósito da entrevista dada na quinta-feira por Margarida Moreira ao "Diário de Notícias" -, JMF utilizar expressões como "a rotunda senhora" ou "a megalomania da senhora é proporcional ao seu volume".
Quando se chega ao ponto de evocar características fisionómicas de uma pessoa para a criticar, abandonámos o jornalismo de qualidade mínima e entrámos no populismo mais boçal.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Será que a nossa fé na Humanidade depende...

... do sentido em que lemos o jornal? Hoje, se começarmos o Público pelo fim (ainda herança da antiga «morada» do Calvin), deparamo-nos com o terrível destino da rapariga curda apedrejada até à morte (Mundo, p.19), o que seguramente, nos fará descrer da possibilidade de uma séria mudança de mentalidade além-Bósforo; com este espírito, prosseguimos a leitura até à notícia de mais uma maifestação na Turquia a defender o secularismo (Mundo, p.16), momento em que voltamos a acreditar em todas as possiblidades. Claro, que para quem tiver lido o jornal do início, o percurso terá sido o inverso: da confiança para a descrença.
Resta saber qual das notícias terá mais força. O Público escolheu para capa a da descrença.
P.S. - Porque será que continuo a achar que o conceito de «honra» tem sempre, em si, qualquer coisa de arrepiante?

terça-feira, 24 de abril de 2007

Só mais um brilhante contributo

Nuno Pacheco hoje no "Público":
"Além do que já foi dito e redito sobre a mísera ideia de que há horríveis profissões inferiores e temos que ser salvos delas para abraçar as superiores que a glória universitária nos dá, existe nesta campanha outra intenção. Tipo: frequentar universidades é dar o pão a uns largos milhares de portugueses. Porque, coitadas, têm cada vez menos clientela. Só entre 1997 e 2005, as universidades portuguesas terão perdido 15 mil alunos. Terão perdido também outras coisas, como algum orgulho, eficácia, seriedade e até vergonha, mas disso a propaganda não reza. É preciso que a universidade, mesmo má, resista! Daí a tal campanha, género "tirem um diplomazinho, pelo amor de Deus". O problema é que muitos milhares tiraram o tal diplomazinho e andam por aí a fazer coisas que nada têm a ver com a almejada profissão: vender bugigangas, pizzas ao domicílio, uma temporada num call-center, outra num bar ou restaurante. Licenciados, todos eles, cumpridores da regra "sem-diploma-não-és-ninguém", todos a tentarem ser alguém apesar do diploma. Seria assim o cartaz: Asdrúbal, licenciado, vendedor de quinquilharia, a fazer o mesmo que faria se não tivesse acabado os estudos."
Mais um brilhante contributo para a discussão pública de um dos membros da actual direcção desse jornal sério que é "Público". Um dos problemas do país é ter falta de pessoas qualificadas. Muito jornalismo, aparentemente, sofre também desse síndroma. Caso contrário, seriam ditas menos asneiras, daquelas que podem ser desfeitas num par de minutos olhando para algumas estatísticas. Mas confesso que começo a ficar habituado à incríveis semelhanças de nível intelectual entre as opiniões dos membros da direcção do Público e as conversa de "taxista". São estes que passam a vida a acusar os outros - o "Governo", os "portugueses", o "país", etc. - de incompetência, preguiça, mediocridade e outros pecados com muitos séculos, não é?

terça-feira, 17 de abril de 2007

Street-level analysis

«(...) mesmo se todas as políticas fossem as correctas, nenhum iluminado, nenhum "novo Marquês", mudaria o país por decreto. O problema reside, como sempre, nos portugueses e na sua cultura de dependência e mão estendida, de fé no desenrasca e de preguiça face ao trabalho árduo e rigoroso. Aí o Governo só pode actuar pelo exemplo. Ora no que a tal toca...»

Estas são as palavras finais do editorial de José Manuel Fernandes do "Público" de hoje. O tom diz tudo: qual conversa de café ou de taxista, é a vitória do "achismo", do senso comum, da generalização vaga e fácil que é antitética de uma análise séria. Mas isto se calhar era pedir demais.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Os méritos da análise comparativa

Aqui. Mas eu juro que não é uma conspiração contra o "Público".

sábado, 10 de março de 2007

Diz que são estilos de jonalismo diferentes

O Office of the Inspector General (OIG) do Departamento de Justiça dos E.U.A. emitiu um relatório bastante crítico sobre os procedimentos do FBI no âmbito do "Patriot Act" (o relatório pode ser lido aqui, em formato PDF). O Público e o Le Monde publicam nas suas edições em linha notícias sobre o assunto, mas cada um ao seu estilo. À notícia do Le Monde é dado um grande destaque logo na página de entrada, a notícia do Público está refundida na secção internacional. O artigo do Le Monde sem ser muito extenso é bastante completo, já o artigozinho do P nem tanto. Por exemplo, segundo o Le Monde o tal relatório detectou ilegalidades em 22% dos dossiers analisados, segundo o P foram detectadas 17 irregularidades em 77 casos, esquece-se o P de referir que 77 casos é apenas uma amostra (lê-se no relatório "the OIG teams examined a judgmente sample of 77 counter terrorism and counterintelligence investigative cases files", sample em inglês quer dizer amostra, não sei se o/a jornalista do P conhece o significado estatístico da palavra), fica-se com a sensação que são os únicos 77 casos existentes. Lê-se no Le Monde que o uso das "National Security Letters", apenas um dos ítems específicos do "Patriot Act", deveria ser excepcional mas foi usado 56000 vezes em 2004 e 47000 vezes em 2005, no P das "Naional Security Letters" não se encontra rasto. O Le Monde faz um link para o relatório do OIG, o P bem pelo contrário. Segundo o P "Robert Mueller, director do FBI, considerou as conclusões do relatório 'inaceitáveis'", segundo o Le Monde o mesmo Mueller aceita as conclusões e recomendações do relatório.

Só há uma conclusão possível, o Le Monde sofre de anti-americanismo primário. O Office of the Inspector General provavelmente também.