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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Pieguice, chorinho ou submissão aos poderosos

***Neste estaminé temos cardápio para todos os gostos. Não nos contentamos com pratos únicos: temos vários, e combinados, para estômagos cosmopolitas! Nesta estação propomos o ratatouille troikó passos, com alho porro, couves-de-bruxelas, muita parra verde e umas ervinhas secas submissas. Bon appetit!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Portugueses revelam insatisfação recorde com os políticos da casa

A questão não é bem esta, mas sim relativa à insatisfação com a democracia. Seja como for, é recorde negativo dos últimos 20 anos, segundo o estudo «Representação política - O caso português em perspectiva comparada», organizado pelos politólogos André Freire e José Manuel Leite Viegas, do CIES-ISCTE.
Outras respostas relevantes deste estudo: os portugueses são sobretudo de esquerda, preferem governos de coligação, acham que os partidos se tornaram meros instrumentos dos seus líderes, discordam do monopólio dos partidos e gostariam de participar mais. A questão é saber como, e este estudo não responde a isso... Quanto às restantes respostas, são interpelações para reflexão de muitos.
Também a tese do anti-parlamentarismo cai por terra, para desgosto dos gaulistas e caudillos portugueses...

terça-feira, 28 de abril de 2009

A epopeia da pesca do bacalhau

Trabalho, epopeia, bacalhau: um fado português. Sobre esta relação, é imperdível o documentário The white ship. The Portuguese 1966 cod fishing fleet Grand Banks (1967), de Hector J. Lemieux e chancela da National Film Board of Canada. O barco que o cineasta acompanha é o Santa Maria Manuela, na campanha de 1966, pelo mares de Grand Banks (Este de Newfoundland, Terra Nova, Canadá) e Davis Straits (a Oeste da Gronelândia). Este filme foi premiado no International Festival of Films on People and Countries (La Spezia, Itália), em 1969.

Nb: cortesia de Miguel Soares; para uma versão em formato menor vd. aqui.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Outro peão honorário, Vanessa Fernandes

Ora, aqui está outro superpeão, este campeão do mundo em triatlo, feito acabadinho de conquistar, em Hamburgo. É a portuguesa Vanessa Fernandes, que, ainda por cima, tem a sorte de representar o Benfica, esse mesmo, o SLB!
Além do mais, é filha dum grande ciclista doutros tempos, Wenceslau Fernandes.
Parabéns e boa sorte para o futuro, para os Jogos olímpicos de Pequim 2008! É que só lhe falta ser campeã olímpica...
Nb: imagem do 2007 Hamburg BG Triathlon World Championships retirada daqui.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

De Férias (ou o meu país visto de fora)

- Ah!, par moments j'aime bien les embouteillages.
- ...!?!?!?
- Ici, je veux dire.
[Nota: referindo-se ao cantinho à beira-mar plantado]
- Comment ça?
- Bah oui, on roule beaucoup moins vite!

domingo, 10 de junho de 2007

Portugall

Portugal
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir como se tivesse oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os infiéis ao norte de África
só porque não podia combater a doença que lhe atacava os órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo mentira que o Infante D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente

Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino nacional (que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar
àparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera um futuro de rosas

Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos a ver se contraía a febre do Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr encontrar uma pétala que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador

Portugal
Se tivesse dinheiro comprava um Império e dava-to
Juro que era capaz de fazer isso só para te ver sorrir

Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
Estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
Como me pude apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu
mas que tem o coração doce ainda mais doce que os pastéis de Tentúgal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer à minha vontade

Portugal estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete Salazar estava no poder nada de ressentimentos
o meu irmão esteve na guerra tenho amigos que emigraram nada de ressentimentos
um dia bebi vinagre nada de ressentimentos

Portugal depois de ter salvo inúmeras vezes os Lusíadas a nado na piscina municipal de Braga
ia agora propôr-te um projecto eminentemente nacional
Que fôssemos todos a Ceuta à procura do olho que Camões lá deixou

Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe

Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca.

Jorge de Sousa Braga
("Portugal", in O poeta nu, 2ª ed., Lisboa, Fenda Edições, 1999 [1991])
Gosto muito deste poema. Vai directo ao assunto, embora de modo imprevisível. Desconstrói e ao mesmo tempo é terno e cúmplice. Fala seriamente de coisas sérias sem deixar de ser irónico. Em suma, retira a pomposidade donde ela nunca devia ter estado. E, claro, é muito apropriado ao dia de hoje. Digo eu.
Quem quiser saber mais sobre o autor, que é do Norte e médico, além de poeta nado na minhota Vila Verde, pode ir aqui.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Sexo & Prozac

Manuel da Silva Ramos, hoje, no ípsilon, referiu-se aos prazeres da vida com uma abertura muito pouco usual entre os portugueses. Fala-se de sexo de uma maneira ou muito cerimoniosa, ou entre risos, mas raramente como um acto de que se desfrute: tem de ser com a pessoa certa; tem de ser no momento oportuno; tem de ser num sítio adequado e, claro, o inevitável, tem de haver amor... Naturalmente, todas estas condições pesam, ainda mais, no universo feminino, que o autor «acusa» de só querer casar, pelo menos no caso português.
Esta falta de capacidade portuguesa para desfrutar e para ser festivo, também apareceu, ontem, em rodapé do telejornal: os portuguese choram, em média, 2 a 3 vezes por semana! E sempre que se mencionam estatísticas de uso de anti-depressivos, os números no país são impressionantes!
Cada vez mais pessoas dizem ficar angustiadas com o Carnaval, deprimidas no Natal, arrasadas nos aniversários. Não se comemora festivamente, com excepção para o 1º de Maio, datas como o 5 de Outubro, o 25 de Abril, ou, até mesmo, o 10 de Junho; nesses dias não há farturas ou bifanas, apenas discursos, paradas e distribuição de «caricas» pelo Presidente da República.
Os portugueses encerram esta mistura desanimadora de serem macambúzios e, ao mesmo tempo, pouco sérios, o que os arrasta para este pântano de choraminguice, depressão e falta de sexo.
Por tudo isto, e porque estamos mesmo à beira de mais um fim de semana, aqui deixo o conselho do autor: «Comer, foder e beber».
Imagem: Instalação de Tracey Emin, My Bed, obra nomeada para o Turner Prize de 1999.