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domingo, 1 de janeiro de 2012

Bom ano de 2012!!!

Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?)

Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumidas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 

Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Verde que não te quero ver-te.

irã - futebol Verde que te quero verde/ Verde vento. Verdes ramas/ O barco vai sobre o mar e o cavalo na montanha/ Com a sombra pela cintura / ela sonha na varanda, / verde carne, tranças verdes, /
com olhos de fria prata / Verde que te quero verde (...). Aqui, a poesia completa.

É o que diz as primeiras linhas da poesia “Romance Sonâmbulo”, de Federico García Lorca. Entretanto, este é um verso que os detentores do poder no Irã não querem sequer ouvir falar, quanto mais ver algo de cores verdejantes. E foi exatamente por usarem pulseiras verdes que 4 jogadores de futebol foram banidos da seleção do país. Mais.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Prémio Camões distingue o poeta cabo-verdiano Arménio Vieira

A edição deste ano do Prémio Camões reconheceu a obra de Arménio Vieira, escritor nascido na cidade da Praia, na Ilha de Santiago, no começo de 1941.
Sobre Arménio Vieira e a justeza desta premiação sugere-se a leitura dum texto doutro grande poeta cabo-verdiano (e português de adopção), José Luís Tavares, intitulado «Bouquet de estrelas para Arménio Vieira, dito conde, rei à nossa maneira».
*
PS: só existem 2 livros de Vieira publicados em Portugal - Poemas, África Editora, 1981; e No inferno, Editorial Caminho, 2001.

domingo, 31 de maio de 2009

Coxas…

…UMA IMAGEM DOMINICAL

LESCOX-LETTERI1 COSMOGONIA
Estirava ligeiramente a coxa
e colocava entre minhas pernas,
e a sua perna esquerda
passava por cima, por fora
da minha coxa direita.

Joan Brossa

Roubado d’Aly.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

“Geração Beat”, o novo livro de Claudio Willer

geração beatO poeta, ensaísta e tradutor brasileiro, Claudio Willer, lançará no próximo dia 3 de junho, em São Paulo, o livro “Geração Beat”. O autor é especialista no tema e tradutor da poesia de Allen Ginsberg. Neste livro, ele traz as principais informações sobre o revolucionário movimento da vanguarda artística e comportamental norte-americana: como surgiu a expressão beat generation, a origem deste grupo de poetas, escritores e artistas, quais os principais autores, suas obras e aventuras, desde os primórdios do movimento até a chegada dele no Brasil.

Os beats chegaram a ser acusados de iletrados. Na verdade, são um exemplo de crença extrema na literatura, atribuindo-lhe valor mágico, como modelo de vida e fonte de acontecimentos, e não só de textos. A relação com seu tempo lhes conferiu sentido político. Contribuíram, ao se converterem em expressão de um movimento geracional, para uma abertura, um grau maior de tolerância com a diferença e a exceção, que, ainda hoje, não pode deixar de ser valorizada. [...] A eclosão de uma cultura jovem, autônoma, nos anos 60, da qual, por sua extensão e complexidade, acabou ficando uma crônica viciada por estereótipos, não pode ser interpretada como rebelião consentida, nem desqualificada como burguesa, subproduto da prosperidade capitalista e indício de sua decadência.

Serviço:
- Lançamento do livro “Geração Beat”.
- 3 de junho, quarta-feira, às 19h30.

Livraria Martins Fontes:

- Av. Paulista, 509 - São Paulo – SP
- Fones (11) 2167-9900 e 2167-9937

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O poeta Jose Luís Tavares lança em Cabo Verde o seu “Lisbon Blue”

LisbonBlues8b O livro “Lisbon Blues”, do poeta cabo-verdiano José Luís Tavares, será lançado quinta-feira (21) em Cabo Verde (Praia). Entre outros prêmios, José Luís ganhou o de “Literatura para todos”, concedido pelo Ministério da Educação brasileiro, com a obra “Os Segredos dos Acrobatas”. Para leitura da sinopse e compra on-line (no Brasil), clique aqui. Saravá”, JL.

“Dspués de todo, la muerte es sólo un síntoma de que hubo vida".

Mario Benedetti (1920 - 2009), poeta, novelista, contista, ensaísta, dramaturgo e crítico uruguaio, faleceu ontem aos 88 anos. Autor de mais de 80 livros, ele recebeu vários prêmios literários, entre eles o Prêmio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana (1999), o Prêmio Iberoamericano José Martí (2001) e o Prêmio Internacional Menéndez Pelayo (2005). A poesia, dizia Benedetti, é "um sótão de almas", uma "claraboia para a utopia" e "uma drenagem da vida que ensina a não temer a morte". Mais.

Santo y/o seña

¿Dónde empieza la niebla que te esconde? MarioBenedetti
ignoro dónde

¿cómo puedes andar con pies de plomo?
ignoro cómo

¿cuánto cuesta vecer a tu quebranto?
ignoro cuánto

iba a cambiar seña por santo
mas después de vivir lo que se sueña
prefiero permutar santo por seña
aunque no sepa dónde cómo o cuanto

domingo, 17 de maio de 2009

Primeiro concurso de poesia interativa terá Yoko Ono como jurada

logo twitter A artista Yoko Ono será jurada do primeiro concurso de poesia interativo do mundo, que será realizado amanhã (segunda-feira) em Londres. Os viajantes que chegarem à estação de King´s Cross podrão enviar poemas de seus telemóveis para uma página do Twitter. Os poemas devem ter como tema o verão britânico e podem ser no formato haicais. Poetemos, pois. Mais.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

"A Nação dos Poetas"

04047_marc_chagall A organização do festival "A Nação dos Poetas" convida poetas de até 30 anos a participar de seu primeiro concurso de poesia. Basta enviar, até o dia 15 de julho, cinco poemas ao endereço eletrônico natiunea.poetilor@gmail.com. Os poemas devem ser enviados no corpo do e-mail. Haverá um vencedor para cada língua européia inscrita. O concurso é aberto também a poetas que não vivam na Europa. O prêmio é de 300 euros, mais a tradução ao romeno e publicação dos poemas na antologia do festival. O festival se realizará de 4 a 10 de outubro na região de Bucovina, norte da Romênia. Entre os organizadores estão a província de Suceava, o centro cultural Ciprian Porumbescu e a associação cultural Bucovina Viitoare. Para mais informações, enviar um e-mail (em inglês) natiunea.poetilor@gmail.com.

Está é uma dica que recebi da “caótica” Maira Parula.

Imagem: “O Poeta” - Marc Chagall (1911 - óleo sobre tela), Centro Cultural Banco do Brasil, Brasília.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Homenagem e poesia pra Chico Mendes, o homem da floresta

chico mendes O sindicalista e líder ambiental, Chico Mendes, assassinado há 20 anos no Acre, foi o grande homenageado do Fórum Social Mundial de Belém. O evento ocorreu na tenda dos “50 anos da revolução cubana”, onde a ex-ministra Marina Silva (meio ambiente) participou de rodada de depoimentos e defendeu uma mudança do modelo de desenvolvimento para a preservação do meio ambiente e desenvolvimento humano na Amazônia. “Por que apareceu dinheiro para resolver a crise da economia e não há recursos para resolver a crise ambiental global, que é muito pior que a financeira?”, questionou a ex-ministra e senadora pelo estado do Acre, que também não poupou críticas ao Fórum Mundial de Davos. “Talvez o Fórum Econômico devesse ter enviado emissários a este fórum, pois aqui é uma pororoca de idéia, mas também é uma pororoca de soluções”. Pra finalizar, foi declamado o poema de Pedro Tierra, “O grito verde que anda”.

Francisco. Chico. Chico Mendes.
Seringa. Seringueiro. Seringal.
Legião de homens e sonhos.
Verde rompendo o verde.
Punhal aceso na memória
da água, da pedra, da madeira.
Dos homens?
A sumaúma, a seringueira,
a pedra do monte Roraima,
o sangue que mina do tronco
nos seringais de Xapuri indagam:
onde a sombra exilada de Chico Mendes?
Organizador dos ventos gerais
que combatem depois das cercas,
de todas as cercas da terra...
Chico: um grito verde que não cessa.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

imagemamichai

Carteira de identidade

Registra-me
sou árabe
o número de minha identidade é cinqüenta mil
tenho oito filhos
e o nono… virá logo depois do verão
vais te irritar por acaso?
registra-me
sou árabe
trabalho com meus companheiros de luta
em uma pedreira
tenho oito filhos
arranco das pedras
o pão, as roupas, os cadernos
e não venho mendigar em tua porta
e não me dobro
diante das lajes de teu umbral
vais te irritar por acaso?
registra-me
sou árabe
meu nome é muito comum
e sou paciente
em um país que ferve de cólera
minhas raízes…
fixadas antes do nascimento dos tempos
antes da eclosão dos séculos
antes dos ciprestes e oliveiras
antes do crescimento vegetal
meu pai… da família do arado
e não dos senhores do Nujub
meu avô era camponês
sem árvore genealógica
minha casa
uma cabana de guarda
de canas e ramagens
satisfeito com minha condição
meu nome é muito comum
registra-me
sou árabe
sou árabe
cabelos… negros
olhos… castanhos
sinais particulares
um kuffiah e uma faixa na cabeça
as palmas ásperas como rochas
arranharam as mãos que estreitam
e amo acima de tudo
o azeite de oliva e o tomilho
meu endereço
sou de um povoado perdido… esquecido
de ruas sem nome
e todos os seus homens… no campo e na pedreira
amam o comunismo
vais te irritar por acaso?
registra-me
sou árabe
tu me despojaste dos vinhedos de meus antepassados
e da terra que cultivava
com meus filhos
e não nos deixaste
nem a nossos descendentes
mais que estes seixos
que nosso governo tomará também
como se diz
vamos!
Escreve
bem no alto da primeira página
que eu não odeio os homens
que eu não agrido ninguém
mas… se me esfomeiam
como a carne de quem me despoja
e cuidado… cuida-te
de minha fome
e minha fúria

(Mahmoud Darwish)

******

A vida junto da morte

A vida junto da morte
na carcaça de um carro à beira da estrada
você ouve as gotas de chuva na lata enferrujada
antes de senti-las cair na pele do rosto.
Cai a chuva, salvação depois da morte.
Ferrugem mais eterna do que sangue,
mais bonita do que cor de labaredas.
O vento que é tempo, alterna
com o vento que é lugar.
E Deus
permanece na terra como um homem que sabe
que esqueceu alguma coisa
e fica
até lembrar.
E à noite você pode ouvir
como Maravilhosa melodia,
o homem e a máquina,
no seu lento caminho, do fogo rubro
para a paz negra
e daí para a história
e daí para a arqueologia,
e daí para um belo estrato de geologia.
Isso também é eternidade
como o sacrifício humano que virou
sacrifício animal e depois oração em voz alta
e depois oração dentro do peito
e afinal nem oração.

(Yehuda Amichai)

Roubado descaradamente da “caótica” amiga Maira Parula.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

E por falar em cães...

Poema do cão ao entardecer



Um cão no areal corria presto.
Presto corria o cão no areal deserto.

Era ao entardecer, e o cão corria presto
no areal deserto.

Corria em linha recta, presto, presto,
pela orla do mar.

pela orla do mar, em linha recta,
presto, o cão.

Era ao entardecer.
No areal as águas derramadas
nas angústias do mar
lambuzavam de espuma as patas automáticas
do cão que presto, presto, corria em linha recta
pela orla do mar.

Sem princípio nem fim, em linha recta,
pela orla hora espessa, peganhenta e húmida,
em que um resto de luz no espasmo da agonia
geme nas coisas e empasta-as como goma.
No espaço diluído, esfumado e cinzento,
corria presto o cão no areal deserto.
Corria em linha recta, presto, presto,
definindo uma forma movediça
que perfurava a névoa e prosseguia
pela orla do mar, em linha recta,
focinho levantado, olhos estáticos,
fixando o breve ponto onde se encontram
além de todo o longe
as rectas que se dizem paralelas.

Alternavam-se as patas na cadência,
na cadência ritmada do movimento presto,
deixando no areal as marcas do contacto.
Presto, presto.

Como se um desejo o chamasse, corria presto o cão
no areal deserto.
O ritmo sempre igual, a língua pendurada,
os olhos como brocas, furadores de distâncias.

Em seu último espasmo a luz enrodilhou
o cão, o mar, o céu, o próximo e o distante.
Era um suposto cão correndo presto, presto,
num suposto areal, realmente deserto,
por uma linha recta mais suposta
que o areal e o mar.
mas presto, presto, sempre presto, presto,
correndo o cão no areal deserto.


António Gedeão - Poemas póstumos (1984)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O poeta JL Tavares vence concurso no Brasil

tavares1 Com a obra “Os Secretos Acrobatas”, o poeta cabo-verdiano e residente em Portugal JL Tavares venceu o II Concurso Literatura Para Todos, promovido pelo Ministério de Educação e Cultura (MEC), do Brasil. O objetivo deste concurso é o de estimular a produção de livros para o público jovem e adultos recém-alfabetizados. As obras vencedoras serão publicadas e distribuídas às entidades do Programa Brasil Alfabetizado, universidades da Rede de Formação de Alfabetização de Jovens e Adultos (EJA), unidades prisionais e núcleos de EJA das universidades. A expectativa é que cerca de 1,5 milhão de estudantes tenham acesso a estas obras. Aqui os demais vencedores.

Foto retirada daqui.

sábado, 5 de julho de 2008

pensamentos fluidos (uma colagem)

To Renato with luv

Estado...
Propulsor ou não?
Agente impulsionador.
Direita liberal?
Delírio!
Esquerda?
Feitiço!
Folclore político,
Das vias esgotadas
Dos desígnios locais,
Do Estado parceiro
Às dinâmicas sociais.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Habitantes de Lesbos não querem ser lésbicos: querem ser lésbicos.

Moradores da ilha de Lesbos (Grécia) entraram na
Justiça para impedir que a palavra lésbica seja usada
como sinônimo de mulheres homossexuais.
Querem
que “lésbico” designe apenas uma região
geográfica. Pasmado com tal absurdo, prefiro deter-me
com a poesia de Safo.


Mais...




Imagem capturada aqui

A uma mulher amada

(Tradução: Décio Pignatari)

Ditosa que ao teu lado por ti suspiro!
Quem goza o prazer de te escutar,
quem , às vezes, teu doce sorriso.
Nem os deuses felizes o podem igualar.

Sinto
um fogo sutil correr de veia em veia
por minha carne, ó suave bem querida,
e no
transporte doce que a minha alma enleia
eu sinto asperamente a voz emudecida.

Uma
nuvem confusa me enevoa o olhar.
Não ouço mais. Eu caio num langor supremo;
E
pálida e perdida e febril e sem ar,
um frêmito me abala... eu quase morro... eu tremo.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Konstandinos Kavafis

Ofereceram-me um poema. Tão bonito, o presente e o poema:
Für Hildegard Kittel
Ítaca
Quando a saíres a caminho da ida para Ítaca
faz votos para que seja longo o caminho,
cheio de aventuras, cheio de conhecimentos.
Os Lestrígones e os Ciclopes,
o zangado Poséidon não temas,
coisas assim no teu caminho não acharás nunca,
se o teu pensamento permanecer elevado, se emoção
requintada o teu espírito e o teu corpo tocar.
Os Lestrígones e os Ciclopes,
o selvagem Poséidon não encontrarás,
se com eles não carregares na tua alma,
se a tua alma não os colocar à tua frente.

Faz votos para que seja longo o caminho.
Para que sejam muitas as manhãs de Verão
nas quais com que contentamento, com que alegria
entrarás em portos vistos pela primeira vez;
para que pares em feitorias fenícias,
e para que adquiras as boas compras
coisas de nácar e coral, de âmbar e de ébano,
e essências de prazer de qualquer espécie,
quanto mais abundantes puderes essências de prazer;
para que vás a muitas cidades egípcias,
para que aprendas e aprendas com os letrados.

Deves ter sempre Ítaca na tua mente.
A chegada ali é o teu destino.
Mas não apresses em nada a tua viagem.
É melhor durar muitos anos;
e já velho fundeares na ilha,
rico do que ganhaste no caminho,
sem esperares que te dê Ítaca riquezas.

Ítaca deu-te a bela viagem.
Sem Ítaca não terias saído ao caminho.
Mas já não tem para te dar.

E se um tanto pobre a encontrares, Ítaca não te enganou.
Sábio como te tornaste, com tanta experiência,
já hás-de compreender o que significam Ítacas.
(A tradução portuguesa é da Relógio D'Água)

E do que sei, agora, de Kavafis (1863-1933), poeta grego reconhecido na meia-idade e que era, ao mesmo tempo cosmopolita e recluso, heterossexual e homossexual, ele também oferecia aos seus amigos os poemas... em folhas impressas.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

I saw a man pursuing the horizon aka "Vanishing point"

I saw a man pursuing the horizon;
Round and round they sped.
I was disturbed at this;
I accosted the man.
"It is futile," I said,
"You can never -- "

"You lie," he cried,
And ran on.


*aka "vanishing point" não é do Stephen Crane. É da Vallera para a Filipa, a Clara, o Francisco, o opus night, a Pat, a Ju, a Raquel, o Rui e todos os outros que escrevem %$#=" (teses).
Bold meu.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Electricidade nas veias


Duas baterias (uma côr-de-rosa), um baixo, umas teclas e três guitarras. Está quase tudo dito, mas falta a voz que é única (tirando o Peter Murphy e o Andrew Eldritch). E falta, ainda, o mais importante: a Palavra e a imagem.

domingo, 20 de abril de 2008

Ode a um pirata

Obrigadinho, pirata da net, quem quer que sejas
Obrigado, obrigado, obrigado, estejas onde estejas
O streaming que gentilmente me facultas é fixe
E vê-se bem — obrigado por isso
é um quadradinho só e faz-me ficar cada vez mais míope
Mas vê-se bem — os jogadores quase não têm momentos de buffering
entre a recepção da bola
e o tackle do adversário

Obrigado, pirata, por me permitires ver o Benfica
já estávamos a levar na ripa aos 7 minutos
(acho que é 7 minutos, não se vê bem por causa do tamanho da tv na net)
mas foi o Lisandro Lopez, lá isso viu-se bem
e que o Quim também teve alguma culpa

Obrigado, piratinha escondido, pela mercê suplementar de masoquismo
dares-te a todo este trabalho para eu sofrer assim
e ver
até onde podemos continuar a perder
perder, perder sempre
mas devagar
(e não tão depressa como na quarta-feira)

Perder nas Antas é já um hábito, pirata amigo,
das novas gerações — mas também das velhas

Não me quero
(de modo nenhum)
juntar ao coro dos vencidos do Eusébio
que atiram paus ao autocarro, mesmo que metafórico
dos jogadores do glorioso
são os meus heróis perdentes
filhos, filhos do meu internético vício
de acreditar até ao fim que o empate
ainda é possível

Por isso, por tudo isto,
obrigado pirata,
onde quer que estejas e sejas
a quebrar monopólios,
a romper contratos exclusivos,
de tv's de patrões luxuosos e burgueses e insensíveis
doem-me já os olhos
a coisa está no intervalo
e podia afigurar-se pior
ainda só está 0-1
obrigado por me deixares ver isto até ao fim
isto se não houver problemas técnicos

Este mês ainda faltam 29 dólares em doações para o site continuar a ser gratuito, eis uma maneira simpática de te agradecer, talvez um dia

ó pirata

Mas hoje não, hoje vou ficar só aqui,
frente ao pequeno pequeno pequeno écran
a ver o Porto dar-nos porrada (figurada)
e nós a darmos porrada (literal)
no Porto
O Zèd vai dizer que isto que aqui deixo é uma treta de quem já se abelenensizou
e provavelmente tem toda a razão
mas eu sou assim, na vanguarda do velho
e de qualquer das formas parece-me que não deve haver muitos exemplos anteriores a este
de comentário poético directo e em mau verso livre
a um jogo de bola previamente
condenado

sábado, 22 de março de 2008

The Meeting

The Meeting

Somewhere along the road
you meet up with yourself.
Recognition is immediate.
If it happens at the proper
time and place, you propose
a toast:

May you remain as my shadow
when I lie down.
May I live on as your ghost.

Then you pass, knowing you'll
never see yourself that way
again: the fires which burn
before you are your penance,
the ashes you leave behind are
your name.

Gerald Costanzo