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quinta-feira, 8 de março de 2012

Mano, respeita as tuas raízes, já que não tens vergonha na cara

«Sarkozy diz que há demasiados estrangeiros em França».

E que tal começar por si e a sua família?

terça-feira, 14 de setembro de 2010

UE avança judicialmente contra expulsão de ciganos por Sarkozi

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Um discurso perigoso de Sarkozy

Num texto publicado no «Le Monde» (ver aqui), Nicolas Sarkozy pronuncia-se sobre a interdição dos minaretes na Suíça num tom ilusoriamente moderado e potencialmente perigoso. O perigo consiste em três confusões que fortalecem a extrema-direita.
Em primeiro lugar confunde a legitimidade do referendo em França sobre a Constituição europeia em 2005 com a legitimidade de um referendo sobre a construção de edifícios religiosos de uma minoria. E acusa os críticos do referendo suíço de «desconfiarem do povo». A minha resposta é simples: no primeiro caso os franceses pronunciaram-se sobre um texto que iria afectar a sua vida. No segundo caso a maioria dos votantes decidiu sobre a vida religiosa de outras pessoas. Invocar o povo para confundir os dois casos é desonesto. O povo deve decidir sobre o que lhe diz respeito. Pelas mesmas razões acharia bem, ainda que não seja costume, que o «povo» de uma religião (uma comunidade religiosa) decidisse por voto como é que devem ser construídos os seus edifícios religiosos. Absurdo é que decida como devem ser construídos os edifícios de outra comunidade menos numerosa.
Em segundo lugar expõe uma bizarra concepção de direitos humanos. Sarkozy escreve do seguinte modo o seu ponto de vista: «Les peuples d'Europe sont accueillants, sont tolérants, c'est dans leur nature et dans leur culture. Mais ils ne veulent pas que leur cadre de vie, leur mode de pensée et de relations sociales soient dénaturés. Et le sentiment de perdre son identité peut être une cause de profonde souffrance.» O direito humano que preocupa Sarkozy é o dos povos europeus conservarem a sua identidade naturalmente acolhedora e tolerante. Qualquer pessoa que estude a História da Europa na primeira metade do século XX, incluindo a do regime de Vichy, não conseguirá engolir esta visão. A tolerância europeia foi o resultado de uma Guerra Mundial, não brota como as flores nos prados. Pior ainda é Sarkozy não associar os sentimentos de perda de identidade e os sofrimentos respectivos às mudanças sociais, à crise económica, às mutações tecnológicas, mas referir a questão apenas do contexto da presença em França de minorias religiosas – neste caso um eufemismo para o islão.
Em terceiro lugar, a sua crítica à «ostentação e provocação religiosa» e o seu apelo a uma prática religiosa discreta esconde uma discriminação. Por que raio é que um minarete há-de ser «ostensivo» e uma peregrinação a Lourdes não? Sarkozy usa a «identidade nacional» da França para definir o que é religiosamente correcto. E para deslocar o debate de questões económicas e sociais para o da imigração e da relação com minorias religiosas. Onde é que eu já li isto?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Identidade Nacional: Proponho que se discuta o caso dos polícias que andavam a roubar imigrantes legais

A França está em pleno debate sobre a identidade nacional, o grande debate de toda a sociedade que Sarkozy desejou, e que o seu ministro da imigração e identidade nacional (sic) tornou realidade (sobre o que já escrevemos aqui no Peão . A coisa está deveras interessante. Para começo de conversa, o ministério da identidade nacional enviou umas circulares com instruções sobre o que se devia discutir no tal grande debate nacional, e lá constava a relação entre a imigração clandestina e a delinquência (toda a gente sabe que esses malandros vêm para cá só para roubar, mas vindo do ministério tem outra legitimidade); só que depois o tal tema desapareceu dos documentos oficiais, como quem não quer a coisa. É o actual ministro, Besson, a seguir as pisadas do seu antecessor, Hortefeux, que acha que um árabe numa reunião do seu partido é uma coisa boa, quando há muitos árabes juntos é que é um problema; mas depois também veio dizer que não disse aquilo que tinha dito. Neste debate lá está também, como não podia deixar de ser, o presidente da junta, na circunstância de Gussainville - uma terriola com 40 habitantes -, eleito pela UMP de Sarkozy, que acha que este debate é essencial porque "está na altura de reagir, pois que senão vamos ser todos comidos" porque eles são "já 10 milhões pagos por nós para não fazerem a ponta dum corno"; está bom de ver, este também não é racista (vale a pena ler a justificação que faz jus ao velho "pior a emenda que o soneto"). Vá-se lá saber porquê há quem no próprio partido da maioria ache que a coisa não está a correr bem e se distancie da iniciativa.

Ora, se é para discutir a relação entre a imigração e a criminalidade eu sugiro humildemente que se discuta este caso ocorrido a semana passada em Paris, que demonstra definitivamente que existe uma relação causa-efeito entre imigração e criminalidade: dois polícias da secção encarregue da imigração ilegal entram numa loja de telemóveis, propriedade de imigrantes, sob pretexto de levar a cabo um controlo de identidade, e de passagem pela caixa dão uma baixa no imigrante. Podem ver o vídeo aqui em baixo, e sim, são mesmo polícias, no exercício das suas funções, sigam o link para ler a história toda.


sábado, 14 de novembro de 2009

Da liberdade de expressão no país da identidade nacional

Marie NDiaye ganhou o pémio Goncourt este ano, com o seu romance "Trois femmes puissantes" (um história de vidas despedaçadas entre França e África, não li mas estou com imensa vontade). Marie NDiaye, e a família (companheiro e três filhos) vivem em Berlin desde que Sarkozy se tornou presidente da república francesa. Mudaram-se essencialmente por razões políticas. Marie NDiaye numa entrevista ao "Les InRockuptibles" afirmou que considera a França de Sarkozy "monstruosa" e que acha "detestável esta atmosfera policiesca e vulgar... Besson, Hortefeux [actual e anterior ministros da Identidade Nacional e Imigração], toda essa gente, acho-os montruosos". São opiniões, cada um tem a sua, NDiaye tem esta. O deputado Eric Raoult, da UMP (partido de Sarkozy), tem outra, acha que NDiaye não tem direito a expressar-se. Raoult não manifesta o seu desacordo, nem se digna contra-argumentar as opiniões da escritora, simplesmente que ela devia estar calada. Repare-se na pérola de raciocínio: Raoult considera que NDiaye tendo ganho o mais prestigiado prémio literário francês se torna de certo modo numa embaixadora de França, e como tal não deve criticar o seu presidente da república, Raoult inventa assim um suposto "dever de reserva" (sic) para os vencedores do prémio Goncourt, com o apoio generalizado do seu partido. Ou seja, na cabeça desta gente, para se ganhar prémios literários (ou quaisquer outros, imagina-se) há que abster-se de criticar sua excelência, o presidente da república. Estranho conceito de liberdade de expressão. NDiaye, que antes de ter conhecimento da posição de Raoult até admitia que as suas próprias afirmações eram algo excessivas, mantém inteiramente o que disse, enquanto Bernard Pivot, membro do júri do prémio Goncourt é bem claro no desmentir a existência do tal "dever de reserva". E tudo isto ocorre em França, quando se debate a identidade nacional, como referiu o André. O que me leva a colocar uma questão: teria Raoult atacado o vencedor do prémio Goncourt se ele/a se chamasse Lefèvre, e tivesse um pouco menos de melanina na pele?
P.S. - Vale a pena ler "Entre a voz da Frente Nacional e a dum escritor livre, há que escolher" por Christian Salmon.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Eu não podia estar mais de acordo com Sarkozy

O presidente francês - mailo seu pressuroso ministro da Imigração e da Identidade Nacional (sic) Éric Besson - acha que o debate sobre a identidade nacional é necessário.

Eu não podia, se o texto acabasse aqui, estar mais de acordo com Sarkozy. E até podia continuar 100% de acordo, se retirasse certas frases do seu contexto:

É com esta política da avestruz sobre a identidade nacional que deixamos o terreno livre para todos os extremismos".

Mas o contexto é tudo - e o debate necessário de que agora se fala é pura poeira atirada para os olhos (de la poudre aux yeux). A identidade nacional de Sarkozy é baseada na exclusão da diferença cultural, a qual diferença é logo amalgamada com o extremismo religioso (junto à conversa sobre a identidade nacional vem agora, como "soundbyte", a conversa sobre a proibição da "burka" na rua).

Pois é: eu não podia estar mais de acordo com Sarkozy. A identidade nacional tem de ser debatida. Mas não porque esteja demasiado ameaçada. E o debate teria de ser todo diferente, não telecomandado pelo ministro da expulsão dos imigrantes (é o verdadeiro nome do ministério).

Política da avestruz é não perceber que a identidade nacional entrincheirada em si mesmo, na tal da aldeia global, para além de ser uma forma vil de fazer salivar o eleitorado xenófobo, se torna em mais uma forma de comunitarismo.

PS: continuando a descarregar a bílis, sugestão de lema épico para o sarkozysmo (não só francês) em versão europeia. Extraído dos Lusíadas, canto I, estância 64, fala Vasco da Gama:

"não sou da terra, nem da geração
das gentes enojosas de Turquia,
Mas sou da forte Europa belicosa"

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

As pífias de Cavaco II - ou o "affaire Clearstream" resumido para aprendizes na arte da manipulação

Enquanto em Portugal o "misterioso caso das escutas a Belém que afinal só existiam na cabeça do presidente e seus lacaios" está no auge, em França o "affaire Clearstream" chega à barra dos tribunais. Os dois casos têm em comum a tentativa de manipulação com objectivos políticos e o provável rebentamento da bomba nas mãos de quem a tentava armadilhar (demonstrando que, contrariamente à crença popular, o crime não compensa). No resto os dois casos são até bastante diferentes, e o contraste que mais salta à vista é o gritante amadorismo, para não dizer infantilidade (oops, já disse...) da troupe de Cavaco.
O "affaire Clearstream" (pode ler-se aqui um recapitular mais completo), sendo complexo, pode resumir-se assim: 1) um jornalista tinha uma lista autêntica de detentores de contas bancárias secretas na sociedade financeira Clearstream, sediada no Luxemburgo, contas essas que serviam para receber dinheiro sujo (corrupção, branqueamento, etc...) 2) um técnico informático de passado duvidoso, obtém essa lista em 2003, e acrescentou-lhe nomes de pessoas que não tinham nada que ver com o caso, entre os quais o de Nicolas Sarkozy, à época ministro das finanças e pretendente a sucessor do então presidente Jacques Chirac, contra a vontade deste 3) para servir de cobertura o informático duvidoso é contratado por uma empresa de aeronáutica a pedido de um general dos serviços de informação (equivalente do SIS) com ligações a Villepin, e em 2004, o chefe do informático duvidoso envia anonimamente a lista adulterada das contas bancárias a um juiz de instrução, numa tentativa de incriminar Sarkozy 4) o dito Juíz apercebe-se rapidamente que há uma tentativa de manipulação, e trata de investigar não a denuncia mas os denunciantes 5) Sarkozy cedo informado da tramóia, deixa a coisa correr apostando (e com razão) que a coisa lhe vai ser favorável 6) os indícios recolhidos pela investigação do juiz de instrução sugerem que Dominique de Villepin, então ministro dos negócios estrangeiros, mais tarde primeiro-ministro, e fiel delfim de Jacques Chirac, como tendo tido conhecimento da manipulação e não a ter impedido, ou de tê-la mesmo encorajado. O julgamento que agora começa visa determinar se houve denúncia caluniosa, e Villepin está no banco dos réus. Sarkozy, entretanto decidiu envolver-se no processo e constituiu-se como parte civil. Um testemunho do processo terá alegado que Jacques Chirac estaria ao corrente da situação, mas não há quaisquer indícios disso, e não vai sequer a julgamento. Ora aqui temos o primeiro contraste: Villepin (e talvez mesmo Chirac, nunca o saberemos....) manipula - presumivelmente - sem deixar provas, passando por entrepostas pessoas que falsificam documentos e fazem denúncias anónimas, Fernando Lima vai tomar um café num lugar público com um jornalista, leva um dossier sobre um assessor do primeiro-ministro, e até hoje ainda ninguém desmentiu que Cavaco tivesse conhecimento de tudo como referem as mensagens trocadas entre jornalistas do Público. Nem que fosse pela falta de sofisticação, Cavaco e toda a casa civil deviam ser destituídos imediatamente das suas funções. Se é para manipular, que manipulem com estilo.
Outra diferença notória é na atitude de quem é apanhado com a boca na botija. O Villepin vocifera que é uma cabala contra ele, dirigida por Sarkozy, que não só está inocente, como é ele próprio a vítima da manipulação - e há que reconhecer consegue ser um nadinha convincente na sua indignação. E o que diz Cavaco? Nada (-pausa para riso-), não diz nada, mas demite o homem da sua confiança como quem não quer a coisa. Mas se não quer a coisa, demite o assessor? Isto faz alguma sentido? Assume a sua culpa pelos actos, e não diz uma palavra para se justificar. Nem que seja pela incapacidade de elaborar um raciocínio lógico, Cavaco deveria cessar funções imediatamente.
Outra diferença curiosa: o caso "Clearstream" veio a público em 2005 graças a um trabalho de investigação jornalística notável do Le Monde, as escutas de Belém vieram a público graças a uma imbecilidade do jornal Público (repararam como eles hoje tentam fazer pressão sobre Cavaco para disfarçar?, como se não fosse nada com eles).
Reparem bem que no caso "Clearstream" todos tentam manipular, e ficamos sem saber quem na realidade manipulou o quê, no caso das escutas de Belém não houve sequer manipulação por manifesta incompetência de quem tentou manipular.
Nisto apenas Sócrates parece estar a seguir o exemplo de Sarkozy, por enquanto não diz nada, mais tarde se verá. Uma máxima alegadamente napoleónica diz "não interrompas o teu adversário quando ele estiver a cometer um erro".

Adenda - Lembrei-me de mais um contraste entre estes dois casos: comparado com escutas ao presidente ordenadas pelo primeiro-ministro uma lista falsa de contas bancárias no Luxemburgo é pevides, ainda assim o "affaire Clearstream" está a abalar seriamente o sistema político em França, já as escutas fantasma de Belém parecem ser apenas mais um caso do momento, até ver...

domingo, 19 de julho de 2009

As contas do Sr. Sarkozy

As boas contas fazem os bons amigos, excepto no caso de Nicolas Sarkozy. Pela primeira vez em França o Tribunal de Contas inspeccionou as contas de um Presidente da República (relatório disponível aqui). Como resultado Nicolas Sarkozy teve que devolver 14000 euros ao estado, de despesas particulares pagas "por engano" com dinheiros públicos. Mas 14000 euros não é nada comparado com os quase 400 mil que a presidência pagou à empresa Opinion Way, ao longo de 2008, para encomendar sondagens que foram depois publicadas em media supostamente independentes, no caso o Le Figaro e a LCI. Temos portanto o presidente a tentar manipular a opinião pública à custa do dinheiro dos contribuintes, e não foram uma nem duas sondagens, foram 15 num ano, ou seja mais de uma por mês. O Tribunal de Contas criticou severamente estas sondagens "patrocinadas" pela presidência ("commandités" é a palavra usada no relatório) e outras despesas ainda como por exemplo as viagens oficiais, em que considera que podem ser feitas economias. O Le Figaro pelo seu lado decidiu não mais publicar qualquer sondagem realizada empresa OpinionWay porque prejudicam a credibilidade do jornal.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Sarkozy nas alturas

obama e sarco brunishoes Não. Não estou a falar das Europeias. Mas sim dos truques do presidente da França para ganhar alguns centímetros na sua popularidade. Depois de usar um tacão de 7 centímetros para estar à altura da atual primeira-dama francesa, Sarkozy agora pretende estar à altura de Obama. Mais.

Na foto de baixo, da esquerda para a direita, príncipe Philip, Carla Bruni (sem salto), rainha da Inglaterra e Sarkozy. Foto retirada daqui.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Carla & Carlito ou la vie de château

carla_carlito_BBC

A ex-top model, a ex-italiana, a ex-boêmia burguesa new age, a ex-militante da esquerda-artístico-libertária (entre outras coisas mais bizaras), e agora primeira-dama, aspirante a cantora de bordel (com todo o respeito que os verdadeiros bordéis merecem, é claro) e principalmente mentora intelectual do neo-sarkozysmo ítalo-francês, Carla Bruni, é a heroína e personagem central do livro de cartoon dos impagáveis Philippe Cohen, Richard Malka e Riss. Só lamento não perceber muito a língua francesa. Mais.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Por enquanto o boneco Voodoo de Sarkozy continua a ser legal

Uma empresa lançou no mercado um boneco Voodoo com a imagem de Nicolas Sarkozy (e outra de Ségolène Royal), com agulhas e tudo. Ao contrário de Royal, que até acha divertido, Sarkozy não gostou, e entrou com uma acção na justiça para retirar o seu boneco voodoo do mercado, alegando a defesa do seu "direito à imagem". Não só perdeu a acção, como viu o juíz fazer questão de vincar que o boneco está dentro dos limites da liberdade de expressão. Sarkozy leva uma lição que era perfeitamente evitável, se ele não se tomasse por um semi-deus intocável. Mas como não gosta que o contrariem já recorreu da decisão.

domingo, 7 de setembro de 2008

Ele há mau jornalismo que nem os Arganazes conseguem explicar

Eu sei que há jornais maus, que até costumam vender bem, e que há maus jornalistas. Mas o "Público" seria suposto ser um jornal de referência, mesmo sendo o director um tal de José Manuel Fernandes. Pura ingenuidade - a minha, claro! Esta notícia é mesmo do piorzinho que um "jornalista" (entre aspas) pode escrever. E não deixa de ser irónico que a gravidez de Rachida Dati parece estar a causar mais excitação nas redacções fora de França, do que por cá. Quem diria que eu alguma vez viria a defender Rachida Dati. A ministra de Justiça francesa não tem qualquer talento político reconhecido, nem sequer tinha actividade política (e não digo experiência política relevante, não tinha pura e simplesmente qualquer actividade política anterior, seja num partido seja em cargos políticos) antes de Sarkozy a escolher para sua porta-voz durante a campanha eleitoral no ano passado. Não me lembro de na altura o "Público" ter questionado os putativos laços pessoais entre Dati e Sarkozy. Dati tornou-se em seguida ministra, e é uma péssima ministra. Conseguiu a proeza, ainda hoje inigualada, de em apenas três meses e meio à frente do seu ministério ver não menos de sete membros do seu gabinete se demitirem. Não me recordo do "Público" ter feito disso notícia. Tal como não me lembro de ter sido referido que Rachida Dati ultrapassou todos os limites de gastos em despesas de representação em 2007, e precisou duns irisórios 100.000 euros extra (nem quero imaginar como seria se ela fosse ministra dos Negócios Estrangeiros). Nada disto é politicamente relevante, o que é politicamente relevante, pelo menos no entender da redacção do "Público" é a gravidez de Rachida Dati e os seus mistérios. O que dizer duma notícia em que Dati é apelidada logo no título de "A Sarko Babe"? E que acrescenta, ainda o título "vai ser mãe solteira" (o que tecnicamente é falso, ela já foi casada). Isto é uma informação política relevante? O inenarrável texto continua afirmando na caixa de destaque que "só falta saber quem é o pai". Who cares?. Até a imprensa cor-de-rosa francesa se impõe a si própria limites éticos à devassa da privacidade mais rigorosos do que o "Público". A cereja no topo do bolo é a reprodução de nomes de potenciais pais da criança que circulam na internet. Isto é jornalismo? Reproduzir rumores num assunto que pertence exclusivamente ao foro privado?
Rachida Dati confirmou a sua gravidez e afirmou relativamente à identidade do pai da criança "Tenho uma vida privada complicada e este é o limite que me imponho em relação à imprensa; não direi nada sobre o assunto". Dêem-me uma boa razão para não respeitar a decisão de Rachida Dati.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Quem foi o perigoso esquerdista radical que disse uma barbaridade destas?

"Num contexto onde, desde há vários anos, os salários progridem muito mais devagar que os rendimentos do capital, não é de todo anormal que os rendimentos do capital sejam tributados para revalorizar o trabalho dos mais desprotegidos. Se há dinheiro no cimo, também tem que haver dinheiro em baixo."

Dou-vos uma pista, citação na sua versão original é em francês:
"Dans un contexte où, depuis plusieurs années, les salaires progressent beaucoup moins vite que les revenus du capital, il n'est pas anormal que les revenus du capital soient mis à contribution pour revaloriser le travail des plus démunis. S'il y a de l'argent pour le haut, il doit aussi y avoir de l'argent pour le bas."

Eh oui, foi Nicolas Sarkozy, em defesa do seu novo plano de pagar as políticas sociais com a tributação dos rendimentos do capital. É lindo ver Sarkozy render-se desta maneira à política de esquerda, e, diria mesmo, à retórica da esquerda. Só é pena (para ele) esta medida desiludir profundamente aqueles que até aqui mais apoiram Sarkozy, a direita liberal. Um a um vai perdendo todos os sectores do seu prórpio eleitorado. Mas isso é problema dele. Acho muito bem esta viragem à esquerda.

sábado, 12 de julho de 2008

O que Carla Bruni quer dizer com “Tu Es Ma Came”?

O que será que Carla Bruni quis dizer com a música “Tu Es Ma Came”? No seu novo disco “Comme si de rien n'était” (não ouvi e jamais ouvirei), a primeira-dama francesa canta: “você é minha droga, mais mortal que a heroína afegã, mais perigosa que a branca colombiana”. Será que a canção foi inspirada no presidente francês? Se foi, ela foi certeira com uma precisão cirúrgica dos diabos. O gajo é mesmo uma droga perigosa. Ouça aqui a tal música.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Sarkozy vintage

O presidente francês Nicolas Sarkozy, continua em grande forma, não deixando os seus créditos por mãos alheias. A semana passada anunciou a sua reforma da televisão que determina que as estações públicas de televisão devem estar sobre o controlo do governo (i.e. ele próprio), medida que suscita críticas de todo o lado, incluindo do próprio campo de Sarkozy. Poucos dias depois vai a uma dessas cadeias públicas de televisão, a France 3, para uma entrevista. O Rue89 pôs on-line um vídeo dos 6 minutos que antecedem a entrada de Sarkozy no ar (sim, é suposto ser em 'off'). Para começar um técnico de som não responde ao cumprimento de Sarkozy - o que começa a tornar-se numa tradição francesa - Sarkozy passa da justificada indignação "Quando somos convidados temos o direito a que nos dêem os Bons Dias" à impaciência - revelando au passage o seu desprezo pelos funcionários públicos - "Isto não é o serviço público" (leia-se Sarkozy acha que no serviço público os funcionários são mal-educados) e continua "parece que estamos no meio dos manifestantes" (donde se depreende que manifestar também é falta de educação), e passa depois à ameaça mais ou menos velada "Isto vai mudar! Isto vai mudar!", parece que a ameaça é dirigida tanto ao técnico de som pouco educado como aos manifestantes. Mas isto foi só o aperitivo. Sarkozy tinha em estúdio dois jornalistas figurando entre os signatários de uma artigo de opinião muito crítico da reforma da televisão, um desses jornalistas, Gérard Leclerc, esteve dois anos na prateleira. Sarkozy achou de bom tom mencionar o assunto poucos minutos antes de entrar no ar, com o delicioso pormenor de tratar o jornalista por 'tu', primeiro uma irónica saudação "É um prazer ver o Sr. Gérard Leclerc por aqui" para logo de seguida lançar um seco "Tu, quanto tempo é que tiveste na prateleira?". Pergunta inocente só para fazer conversa de circunstância ou táctica de intimidação do jornalista? A vous de voir. Segue-se um desconfortável e longo silêncio. Mesmo antes de entrar no ar Sarkozy sugere ao director de informação da France 3, Paul Nahon que lhe sejam feitas perguntas sobre um tema da actualidade, o drama de Carcassone (um sargento do exército numa demonstração militar aberta ao público feriu 17 pessoas, e Sarkozy havia visitado os feridos nesse mesmo dia). Manifestamente dava-lhe jeito falar do assunto, e o director de informação aquiesceu sem grandes hesitações. O entrevistado pode dizer ao entrevistador como fazer o seu trabalho. Será que a intimidação funciona?


Curiosamente a coisa não fica por aqui. Agora é a France 3 (televisão pública, relembre-se, controlada pelo estado) quem ameaça o Rue89 (orgão de informação independente) com um processo judicial por divulgar as imagens que deviam ser em "off". Esta é nova, um orgão de informação que processa outro orgão de informação para tentar obter as suas fontes, e impedir a divulgação da notícia. Obviamente que a publicação do vídeo pelo Rue89 já foi bastante criticada, ao que o próprio Rue89 já respondeu (e, a meu ver, bem).

sábado, 24 de maio de 2008

Foi você que disse liberdade de expressão?

Em França a Sátira política (pelo menos se estampada em T-shirts) dá direito a processo em tribunal, e Sarkozy constitui-se como parte civil. Esperemos que ao menos os juízes tenham juízo.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

E para completar o quadro, um toque de revisionismo histórico

Segundo Sarkozy, ontem nas comemorações do 8 Maio, o fim da II Guerra na Europa, afrimou que "A verdadeira França não estava em Vichy". Ficamos a saber portanto que Pétain não era verdadeiramente francês (se calhar era austríaco). A polícia francesa também não teve nada que ver com a deportação de judeus, como por exemplos no Vel' d'Hiv a 16 e 17 de Julho de 1942 (deve ter sido o exército regular prussiano). As forças afectas ao regime de Vichy que combateram activamente a resistência também não eram franceses (eram talvez alemães). E já agora quem é que transformou num massacre os festejos da vitória na II Guerra, a 8 de Maio de 1945 em Sétif e Guelma, na Argélia?
De facto só faltava a Sarkozy um ligeiro toque de estalinismo para completar o quadro.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Perguntar não dói

Essa história de Sarkô querer se aventurar na selva pra garantir a libertação
pelas Farc da franco-colombiana Ingrid Betancourt seria um gesto humanitário,
ou mais uma jogada de puro marketing do presidente francês? Ó dúvida cruel!

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Outro poeta



Mais um trecho da novela “Sarkozy presidente”.

É preciso relembrar que houve algumas pessoas que foram julgadas por terem insultado o antigo ministro do Interior e o agora Presidente (ver esse caso mas há outros).


Talvez a pessoa insultada vai queixar-se mas, como se sabe, o Presidente francês não pode ser julgado - salvo casos muito graves - enquanto é presidente.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Tão amigos que eles eram...



É curioso, os mesmíssimos periódicos que apresentavam Sarkozy como imbatível a uma semana das eleições presidenciais, no que não foi mais do que campanha eleitoral encapotada, apresentam agora Sarkozy como a grande decepção, nem faz um ano sequer. Os media que tanto ajudaram Sarkozy a chegar a presidente, agora que ele agoniza nas sondagens não hesitam a ajudar ao enterro. Chamem-me cínico. Esta imprensa, que não é toda a imprensa, limita-se a andar atrás da opinião pública. Não têm qualquer escrúpulos em morder a mão que deu de comer (o que no caso em apreço não me incomoda minimamente, estão bem um para o outro). Faz-me lembrar uma linha que retive de um dos melhores filmes que já vi: "Os jornais não fazem a opinião pública, é a opinião pública que faz os jornais" (cito de memória, e admito que deva ser uma adaptação muito livre, mas a ideia está lá).

Por falar nisso, a obsessão actual da imprensa francesa, particularmente a de esquerda, com a queda Sarkozy nas sondagens faz-me alguma comichão. Que me importa agora se o homem está em queda nas sondagens, se ele for re-eleito daqui a quatro anos? É certo que a magnitude da queda nas sondagens, e a aparente incapacidade de gerir a imagem depois de estar no poder, são no mínimo surpreendentes para quem soube tão bem usá-las para chegar ao poder. Mas isso não justifica tanto sururu. E bem fariam os jornais se em vez de se focalizarem nas taxas de aprovação fossem à procura das razões dessa impopularidade (à cabeça das quais estará o poder de compra - "it's the economy, stupid!"

Adenda - Sarkozy continua a descer nas sondagens, e os jornalistas continuam obcecados com isso.