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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Dez mandamentos do emigrante semibárbaro (10)

10 – Como cobiças tudo, que Deus te dê as cataratas.

Manuel da Silva Ramos,
Três vidas ao espelho, P. D. Quixote, 2010, p. 206.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Dez mandamentos do emigrante semibárbaro (9)

9 – Como passaste a vida a dizer mal dos outros, não desejes para ti a extracção da laringe.

Manuel da Silva Ramos,
Três vidas ao espelho, P. D. Quixote, 2010, p. 206.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Dez mandamentos do emigrante semibárbaro (8)

8 – Só roubarás os teus compatriotas, senão arriscas choldra.

Manuel da Silva Ramos,
Três vidas ao espelho, P. D. Quixote, 2010, p.
206.

Nb: na imagem, cartoon de Adail (retirada deste post dedicado à Antologia brasileira de humor de 1976).

domingo, 13 de junho de 2010

Dez mandamentos do emigrante semibárbaro (7)

7 – Não cometerás adultério com a boneca insuflável do teu vizinho.

Manuel da Silva Ramos,
Três vidas ao espelho, P. D. Quixote, 2010, p.
206.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Dez mandamentos do emigrante semibárbaro (6)

6 – Não assassinarás cadelas ou cães que ladram às três da manhã.
Manuel da Silva Ramos,
Três vidas ao espelho, P. D. Quixote, 2010, p. 206.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Dez mandamentos do emigrante semibárbaro (5)

5 – Honra os teus pais que arbitrariamente se zangaram contigo por causa de desavenças familiares de heranças.

Manuel da Silva Ramos,
Três vidas ao espelho, P. D. Quixote, 2010, p. 206.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Dez mandamentos do emigrante semibárbaro (4)

4 – Lembra-te do dia de sábado, para ires às putas.

Manuel da Silva Ramos,
Três vidas ao espelho, P. D. Quixote, 2010, p. 206.

Nb: na imagem, capa do livro Cartilha do marialva ou das negações libertinas redigida a propósito de alguns provincianismos comuns e ilustrada com exemplos reais, de José Cardoso Pires.

domingo, 6 de junho de 2010

Dez mandamentos do emigrante semibárbaro (3)

3 – Não invocarás a Europa em vão de escada.

Manuel da Silva Ramos,
Três vidas ao espelho, P. D. Quixote, 2010, p. 206.

sábado, 5 de junho de 2010

Dez mandamentos do emigrante semibárbaro (2)

2 – Não adorarás imagens esculpidas, só ídolos de futebol. Em carne e osso. De preferência portugueses. Até à milésima geração.

Manuel da Silva Ramos,
Três vidas ao espelho, P. D. Quixote, 2010, p. 206.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Dez mandamentos do emigrante semibárbaro (1)


1 – Eu sou o euro (€), teu Deus, que te fez sair de Portugal, da casa onde chove. Não terás outros deuses pluviosos.
Manuel da Silva Ramos,
Três vidas ao espelho, P. D. Quixote, 2010, p. 206.


sexta-feira, 7 de maio de 2010

Anoribal, o contrabandista louco

Um dia Deus deu um traque e houve neve.

António Moreira, o louco da Bismula, conhecido pelo Anoribal, viu os campos todos brancos e disse no largo da aldeia
Hoje vou fazer contrabando de cães, quem quer vir comigo?
Passou diante da casa do senhor Mendes que tinha ideias da Rússia, toda a gente sabia e disse
Cão munista
Nisto ouviu um cão a ladrar para os lados do Escabralhado
É um cão positor
Chegou a casa e viu o pai cansado a comer uma cebola
Ó cão ponês, conheces algum cão terrâneo que queira vir comigo às Batocas apanhar um cão estipação.
O pai não tinha cães e pôs-se a chorar.
Manuel da Silva Ramos,
Três vidas ao espelho, P. D. Quixote, 2010, p. 114.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Três vidas ao espelho...

... é o título do novo romance de Manuel da Silva Ramos, que o crítico literário Miguel Real apresentará em Lisboa, ao entardecer da próxima sexta-feira, na livraria Barata (Av. Roma, 11A). A sessão começa às 18h30 e terá ainda a participação especial dos Jograis-U...Tópico.

Três vidas ao espelho é o 5.º livro que o escritor edita pelas Publicações D. Quixote e é-nos apresentado como um «romance alegre e reconfortante», «o elogio do emigrante português e dos contrabandistas da raia, que tiveram um papel crucial na economia das regiões portuguesas vizinhas da fronteira espanhola» (trecho da sinopse).

Quem ficou curioso pode ler esta recensão crítica de Rui Lagartinho (jornalista RTP) na revista Time Out ou sentir um cheirinho na oportuna pré-publicação pela revista A.23.

Com este evento o escritor covilhanense dá seguimento ao ciclo de apresentações iniciado na 11.ª edição das Correntes d'Escritas, tal como anunciei aqui.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Via rápida para um jornalismo diferente

A revista A.23, dirigida pelo Ricardo Paulouro, ressurgiu recentemente com redobrado fôlego.
Em primeiro lugar, com um n.º de Outono bem interessante: reportagem rara sobre o povo saharaui; notícia sobre o 10.º Festival de Cinema Imago, com um tema guloso: sexo; entrevista ao escritor Manuel António Pina; conto do fantástico Manuel da Silva Ramos; viagem de Tiago Salazar pelo terroir do atraente tinto Rioja; portefólio de José Manuel Rodrigues, etc., etc..
Em segundo lugar, surge com um site renovado, com bom grafismo, muitas rubricas novas, excelentes colaboradores e uma combinação única entre local, regional, nacional e internacional!!
Por fim, o n.º de Inverno é bem capaz de nos reservar melhores surpresas! É só uma questão de se estar atento. A distribuição é feita pela Vasp, por isso, a revista, em formato A3, está presente em muitas bancas, além da cadeia de livrarias da Colibri.
Para quem quiser dar uma olhada nos 5 n.ºs anteriores pode ir aqui.
Ao projecto e à equipa desejo boa sorte e perseverança, para bem dos leitores de imprensa!

segunda-feira, 16 de julho de 2007

A ponte submersa

Manuel da Silva Ramos vai lançar o seu novo romance, A ponte submersa, na próxima 5.ª feira, 19 de Julho, às 18.30H, na Livraria Bulhosa (metro de Entrecampos, Lisboa). O romance será apresentado por Miguel Real.
Nas palavras do autor: "Esta é a incrível história de um homem que destruiu a vida de três jovens cheias de sonhos promissores, arrastando no mesmo golpe a cidade que o viu nascer para o opróbrio e a lama e dando vergonha aos seus habitantes ainda não esquecidos de um nome de um conterrâneo ilustre que meteu Portugal na lama da História durante muitos e obscuros anos. Este romance é um feroz requisitório contra os homens portugueses que tentam condicionar o destino de muitas mulheres e uma crítica severa a uma instituição arcaica, prepotente e privilegiada. Enfim, e não é a menor das coisas, oferece um inexplorado caminho de esperança dando lucidamente a mão aos defensores da natureza e do humanismo."
O enredo deste romance baseia-se num caso verídico (os alegados homicídios imputados a um ex-cabo da GNR de Santa Comba Dão), que está neste momento em julgamento.
Lá estaremos, Manel!

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Posfácio c/osso (IV)

"O homem (onde o encontrei) é um abismo provisório cheio de bebida au ralenti.
O exílio (sic experiência!) é um elixir esquisito do qual eu conservo o frasco...
O sexo (ver o conto da minha vida)...
A morte não só conserta todos os defeitos de fabricação como dá dinheiro pelos colchões antigos ainda bons.
A realidade não existe. Só há amoladores de facas em rebolo.
Minha patologia de sempre: a realidade portuguesa."
Manuel da Silva Ramos
(O sol da meia-noite seguido de contos para a juventude,
Lx., Eds. D. Quixote, 2007, p. 163)

domingo, 1 de abril de 2007

Posfácio c/osso (III)

"Vivi quase trinta anos afastado do país. Foi a minha sorte. Se cá tivesse ficado, hoje estava morto. Ou calvo e barrigudo e com uma caterva de filhos. Ou talvez com uma perna de alumínio...
Hoje tenho saudades da França. Das suas mulheres, dos seus vinhos, dos seus poetas suicidários, dos seus escritores extravagantes. Jean-Pierre Brisset escreveu um livro volumoso para provar que o homem provém da rã...
Os Franceses ensinaram-me uma coisa: deve-se viver a vida até às borras. E acreditar-se no que se faz."
Manuel da Silva Ramos
(O sol da meia-noite seguido de contos para a juventude,
Lx., Pubs. D. Quixote, 2007, p. 164)

sábado, 31 de março de 2007

Posfácio c/osso (II)

"O Lobo Antunes oculta, Saramago pouco fala e eu desnudo. O quê? As rolas? As toutinegras? As milheiras? Não, o sexo em Portugal."
Manuel da Silva Ramos
(O sol da meia-noite seguido de contos para a juventude,
Lx., Pubs. D. Quixote, 2007, p. 166)

quinta-feira, 29 de março de 2007

A grande beatitude

"Estava a chegar a uma grande praça cor-de-rosa vindo de uma rua de peões. Na praça o pavimento era de mármore branco e a luz que aí se reflectia dava aos transeuntes mil aspectos definitivos, como se na vida fossem molduras de quadros vivos."

Manuel da Silva Ramos
(O sol da meia-noite seguido de contos para a juventude,
Lx., Pubs. D. Quixote, 2007, p. 145)

quarta-feira, 28 de março de 2007

Posfácio c/osso

"O amor é passageiro, a recordação é eterna ou nebulosa, mas os restaurantes são caros.
O amor (para os Portugueses) devia ser reembolsado pela segurança social como os medicamentos mais prementes."
Manuel da Silva Ramos
(O sol da meia-noite seguido de contos para a juventude,
Lx., Pubs. D. Quixote, 2007, p. 166)

sexta-feira, 2 de março de 2007

Sexo & Prozac

Manuel da Silva Ramos, hoje, no ípsilon, referiu-se aos prazeres da vida com uma abertura muito pouco usual entre os portugueses. Fala-se de sexo de uma maneira ou muito cerimoniosa, ou entre risos, mas raramente como um acto de que se desfrute: tem de ser com a pessoa certa; tem de ser no momento oportuno; tem de ser num sítio adequado e, claro, o inevitável, tem de haver amor... Naturalmente, todas estas condições pesam, ainda mais, no universo feminino, que o autor «acusa» de só querer casar, pelo menos no caso português.
Esta falta de capacidade portuguesa para desfrutar e para ser festivo, também apareceu, ontem, em rodapé do telejornal: os portuguese choram, em média, 2 a 3 vezes por semana! E sempre que se mencionam estatísticas de uso de anti-depressivos, os números no país são impressionantes!
Cada vez mais pessoas dizem ficar angustiadas com o Carnaval, deprimidas no Natal, arrasadas nos aniversários. Não se comemora festivamente, com excepção para o 1º de Maio, datas como o 5 de Outubro, o 25 de Abril, ou, até mesmo, o 10 de Junho; nesses dias não há farturas ou bifanas, apenas discursos, paradas e distribuição de «caricas» pelo Presidente da República.
Os portugueses encerram esta mistura desanimadora de serem macambúzios e, ao mesmo tempo, pouco sérios, o que os arrasta para este pântano de choraminguice, depressão e falta de sexo.
Por tudo isto, e porque estamos mesmo à beira de mais um fim de semana, aqui deixo o conselho do autor: «Comer, foder e beber».
Imagem: Instalação de Tracey Emin, My Bed, obra nomeada para o Turner Prize de 1999.