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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Como o preconceito ideológico anti-serviço público pode destruir o bem comum

«Passos Coelho e a Refer Telecom», por Carlos Cipriano

«"Por exemplo, é serviço público no âmbito da Refer ter uma empresa que trate de telecomunicações - há uma  Refer Telecom. Qual o serviço público aqui? E então porque é que os contribuintes têm de suportar os prejuízos?"

Estas declarações do candidato Pedro Passos Coelho numa entrevista ao Correio da Manhã (19/3/2011) não poderiam ser mais inoportunas. O candidato a primeiro-ministro foi dar como exemplo a única empresa estatal ferroviária que dá lucro (21 milhões de euros nos últimos cinco anos) e que em 2010 duplicou o seu capital social de 5 para 10 milhões de euros apenas por incorporação de reservas próprias e sem qualquer esforço do accionista Refer.

Além desta actividade de prestação de serviços, é esta empresa que assegura que centenas de comboios circulem diariamente com milhares de passageiros sem que haja acidentes [...], todos eles dependentes da fiabilidade dos sistemas de sinalização e telecomunicações».

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Esqueletos no armário

Maioria PSD/CDS não quer Rua José Saramago no Porto

A proposta, apresentada pelo vereador da CDU, Rui Sá, foi ontem rejeitada pelos votos da maioria. O documento previa uma manifestação de pesar pela morte de José Saramago e a atribuição do nome do escritor a uma artéria da cidade. O voto de pesar ainda foi aprovado, com a abstenção de seis eleitos do PSD e do CDS e o voto contra de Sampaio Pimentel (CDS), mas a proposta de dar o nome do escritor a uma rua foi chumbada pela maioria do executivo (com os votos favoráveis de quatro vereadores do PS e de Rui Sá; o socialista Vilhena Pereira absteve-se).

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Um delicioso post cabalístico

Esqueçam o texto alvo de decifração e seu autor, o que interessa mesmo é o resto:
«A cabala decifrada», por Morgada de V.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Outro génio-louco que afinal também não o era

O 'também' vem na sequência deste outro post dedicado a  Grigori Perelman.

Infelizmente, só a versão impressa da reportagem acima referida expõe detalhadamente a opinião dos 3 autores do Museu Van Gogh responsáveis pela mostra «O verdadeiro van Gogh», patente na Royal Academy of Arts, e que é o corolário dum trabalho de 15 anos e de que resultou ainda uma monumental edição anotada da epistolografia do artista, Vincent van Gogh, the letters.

terça-feira, 13 de abril de 2010

«Génio louco» ou um cientista brilhante com convicções éticas?

A propósito do matemático russo Grigori Perelman, autor na berlinda por não ter logo aceite prémios vultuosos que distinguiam o seu contributo para a transformação da conjectura de Poincaré num teorema, passou a imagem dum dum «génio louco» em muitos media.
O último texto a apresentá-lo assim é um aprofundado trabalho de Ana Gerschenfeld. Por ser aprofundado, este texto permite entrever que as reservas do cientista têm a ver com a sua dificuldade em aceitar o atropelo de normas éticas no trabalho científico. Um outro cientista procurou, de modo incorrecto, ficar com parte dos louros daquele proeza científica e, como os restantes matemáticos não denunciaram a situação, Perelman ficou desiludido e resolveu afastar-se deles. A versão de Perelman foi revelada pelo próprio a uma jornalista que escreveu a biografia doutro grande matemático. Parece mais uma questão de ética no trabalho e na vida do que propriamente loucura.
O próprio diz achar esquisito que os prevaricadores passem por gente normal e aqueles que não aceitam atropelos a normas éticas sejam vistos como bichos-do-mato. É que ele até vai apanhar cogumelos no bosque! Pois é, so pode ser louco! Mas, espera aí; então e as pessoas que apanham cogumelos nos bosques para que todos nós os possamos comer também são loucas?
Que grande confusão...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

O submundo de que se alimenta a xenofobia

«Revolta de imigrantes deixa Milão em clima de guerrilha»

terça-feira, 3 de março de 2009

Na velha Albion ainda há quem viva nos tempos da Guerra Fria

Há uns tempos atrás, o mundialmente reconhecido historiador britânico Eric Hobsbawm solicitou, através dum procedimento legal, o acesso a documentos relativos a si depositados no Arquivo do MI5. Para espanto geral, foi-lhe recusado esse acesso, aditado com a nota de que «Não deve concluir pela nossa resposta que possuamos ou não qualquer dado pessoal sobre si». O historiador havia feito esta requisição para a revisão da sua autobiografia, Interesting times, livro originalmente saído em 2002, com grande recepção e traduzido para inúmeras línguas.
Nos países de tradição anglo-saxónica, o acesso à documentação de arquivos é muito facilitada, de acordo com os princípios da transparência da administração pública e do livre acesso à documentação por parte de todos os cidadãos.
Para Hobsbawm, que é um dos mais importantes historiadores da actualidade (juntamente com Immanuel Walerstein, Jacques Le Goff ou Carlo Ginzburg, só para referir alguns) e que até fora distinguido com a honra real pelos seus "servíços à nação", esta resposta só pode dever-se ao facto de se querer ocultar quem o delatou às autoridades como comunista, na época da Guerra Fria. No país de Sua Majestade, o «caso Hobsbawm» converteu-se num assunto de interesse nacional, e já chegou ao parlamento.
Para mais desenvolvimentos vd. aqui; recensão crítica ao livro aqui.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Não percebo nada do que dizem os cientistas, nem quero, prefiro acreditar no que me diz a minha ignorância, afinal sou juíz do STJ, eu é que sei!

Pois é Ana, é de facto muito grave. Claro que os juízes não têm que ser competentes para avaliar determinadas questões técnicas/científicas, para isso há pareceres técnicos e especialistas. O que o juízes têm é obrigação de tomar decisões racionais. Rejeitar a opinião de especialistas quando não se tem competência na matéria manifestamente não é racional, e tem um nome: Preconceito.
É preciso também que os especialistas percebam que (infelizmente) excesso de honestidade intelectual é contraproducente. Claro que pode dizer-se que existe uma possibilidade teórica de uma gota de sangue dar numa de MacGyver e ir infectar uma mucosa ferida de um cliente, mas não há registos de que semelhante coisa tenha alguma vez acontecido. Por vezes as possibilidades teóricas, são apenas isso mesmo, teóricas. Também existe uma possibilidade teórica do novo acelerador de partículas do CERN se transformar num buraco negro e engolir o sistema solar. Também existe um possibilidade teórica de um relâmpago sair do céu azul que vejo da minha janela acertar-me em cheio na cabeça antes de eu publicar este post. Das três, a última é seguramente a mais provável, e mesmo assim pouco. Acontece que muita gente, e pelos vistos juízes do STJ incluídos, não percebe a diferença entre plausível, possível, improvável e impossível. Só existem os dois extremos, a realidade só é compreensível a preto e branco. Só são aceitáveis certezas acabadas. E com gente como esta a aversão que os cientistas têm à palavra "impossível" (ou à "certeza absoluta") torna-se um empecilho. É triste mas é assim mesmo.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Ciganos portugueses: mitos e realidades

Quem quiser saber mais sobre os ciganos portugueses tem um bom programa na próxima 6.ª feira, com a tertúlia «Ciganos portugueses: mitos e realidades» (Lx., Fábrica Braço de Prata, 19h).
Será uma boa ocasião para se desfazerem preconceitos e estereótipos.
A tertúlia contará com a presença inestimável do peoníssimo Ruy, e doutros amigos.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Paciência de Zèd

Via Womenage, encontrei este post de Patrícia Lança que tece considerações acerca das reacções que os seus textos provocaram na blogosfera.
"Como eu tinha que ser desqualificada inventaram culpas que não existem. Em vez de provar que as práticas citadas não provocam doenças, foram efectivamente os críticos que procuraram argumentos moralistas, reivindicando a bondade das suas praticas."
Obviamente, a Patrícia Lança não leu o texto que o Zèd publicou. Um post claro e aberto vindo de uma pessoa com duas qualidades inegáveis: Educação, e, sobretudo, paciência.
A Patrícia Lança não pode esperar, depois de tudo o que afirma nos seus intermináveis e variados textos (sendo a última, "Devido à aliança entre a extrema-esquerda e o lobi (gay)") que os leitores por essa blogosfera fora tenham a paciência de Zèd!

segunda-feira, 2 de julho de 2007

O sexo anal e os riscos para a saúde: uma perspectiva técnica (à atenção de Patrícia Lança)

Patrícia Lança escreve este post a alertar para os riscos que a prática da sodomia representa para a saúde. Trata-se de um excelente exemplo de como se pode distorcer a informação na tentativa de justificar "cientificamente" uma posição cuja única justificação é moralista. Um verdadeito "caso-estudo" que se poderia aproveitar para os manuais, e aulas de faculdade. Este post vai ser longo, mas vale a pena desmontar a argumentação pseudo-científica de Patrícia Lança.

Comecemos pelas fontes. Para procurar fontes científicas imparciais e objectivas eu pessoalmente uso a Pubmed, eu qualquer investigador em Biologia ou Medicina. Será necessário explicar o porquê da necessidade fazer uma pesquisa objectiva e sem enviezamento? A Pubmed trata-se da maior base de dados mundial para artigos publicados em Ciências Biomédicas, e dá acesso aos resumos dos artigos referenciados. É uma espécie de Google da bibliografia nesta área (gentileza do National Institutes of Health - NIH - americano). Aconselho vivamente todos os leitores interessados nestas coisas a perder algum tempo a fazer pesquisas na Pubmed. O que não está publicado em revistas referenciadas não aparece na base de dados por uma simples razão: para ser publicado um artigo passa pelo crivo da crítica de outros especialistas na mesma área, saber que passou por esse crivo é uma garantia de credibilidade, sem essa chancela um trabalho não é referenciado. Patrícia Lança usa critérios diferentes, vai buscar as suas fontes à Family Policy Network, onde seguramente tem muito mais probablidade de encontrar o que procura, mas em termos de isenção e objectividade estamos conversados.

Outro aspecto importante é a confirmação pela comunidade científica dos resultados publicados. Quando a mesma afirmação é consistentemente encontrada em estudos independentes é obviamente muito mais credível, convém levar isto em conta quando se faz pesquisas bibliográficas. Como é também uma boa ideia levar em conta o prestígio da revista em que o estudo é publicado e a instituição onde o trabalho é feito. Se não se levar nada disto em conta, e se se procurar bem, encontra-se sempre uma referência para justificar aquilo quisermos, e o seu contrário. Tentando levar estes critérios em conta encontrei, por exemplo, este artigo, dum tal Chris Beyrer (que não conheço), mas que trablha no Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health. Johns Hopkins é uma das mais reputadas instituições americanas e mundiais em Biologia e Medicina. Mais, este artigo é um comentário resultante de uma reunião internacional em HIV, não é tanto a opinião do seu autor como é o resultado de um consenso entre os especialistas presentes nessa reunião. Pode ler-se logo no resumo:

An emerging epidemic of HIV infection among men who have sex with men in developing countries is primarily spread through unprotected anal intercourse but is also driven by limited HIV infection prevention services, social stigma, and the lack of human rights protection.
(destaque meu) Digamos que é um ponto de vista completamente diferente do que nos apresenta Patrícia Lança. Eu diria até que a senhora se inclui no "lack of human rights protection".

E agora rebatendo alguns pontos dos específicos apresentados por Patrícia Lança:

- A 1997 study in British Columbia found the life expectancy of men who engage in sodomy to be comparable to that of the average Canadian man in 1871

O tal estudo (resumo aqui) não só é de 1997, já de si não muito actual, como se reporta a resultados obtidos entre 1987 e 1992. Nessa altura a realidade tanto em termos de terapia da SIDA como de prevenção era outra completamente diferente. Recomenda-se a utilização de fontes mais actualizadas. Mas não é só isso...

- Ninety-five percent or more of the AIDS infections among gay men result from receptive anal intercourse

Obviamente que se a SIDA é transmitida sexualmente, e se os gay men são os homens que têm relações sexuais com outros homens, como quereriam então que a SIDA fosse transmitida? Por telepatia? E aqui a má fé de que faz prova é gritante. Tal como no ponto anterior, Patrícia Lança, ou o autor do estudo, omitem um pormenor muito importante referido em toda a bibliografia que consultei, a palavra "unprotected" (como se pode ver por exemplo na citação que coloquei mais acima). Deveria estar escrito "unprotected receptive anal intercourse", porque o problema não é a sodomia per se mas sim o facto de o sexo, anal ou não, ser desprotegido. O uso do preservativo, como é sabido, reduz enormemente o risco (e aliás o mesmo se aplica ao coito vaginal entre homem e mulher, e gostaria de saber se Patrícia Lança é coerente nas ilacções que daí retira, mas já lá vamos...).

Outro aspecto referido no tal post é risco de Câncro Anal. É verdade que a sodomia comporta um risco de contrair este tipo de Câncro (pode ler-se este artigo de revisão sobre o assunto). Mas vale a pena olhar para a questão mais de perto. A principal causa de Cancro Anal é a transmissão de um Vírus, o Papilomavírus Humano. Os factores de risco são o tabaco, como em qualquer tipo de cancro, o HIV, que diminuindo as defesas imunitárias diminui a resitência a este como a qualquer outro tipo de vírus (nada de novo), e a transmissão do Papilomavírus por via sexual. Sim, o Papilomavírus é transmitido sexualmente, tal como o HIV. A protecção é a mesma, o preservativo. Mais uma vez não é a sodomia em si que é o problema, é o sexo sem protecção que expõe o indivíduo ao risco.

Entretanto nas minhas pesquisas sobre o assunto encontrei um artigo muito interessantes sobre o risco do Papilomavírus Humano para as mulheres (resumo aqui). Ora sucede que o Papilomavírus, que pode provocar Cancro Anal a quem pratique a sodomia, pode também provocar Câncro do Colo de Útero a mulheres que pratiquem cópula vaginal sem protecção. Mas não e só, a gravidez aumenta o risco para a variante invasiva do Câncro do Colo do Útero, na proporção do número de gravidezes. A cópula vaginal entre homem e mulher comporta os mesmos riscos (ou mais no caso de haver gravidez) do que comporta a prática da sodomia.

Fica portanto aqui a questão: Se os riscos para a saúde provocados pela sodomia são razão suficiente para rejeitá-la, então, uma vez que os mesmos riscos se verificam no coito vaginal, devemos também em coerência rejeitar esta prática? O que nos leva a uma outra questão: quais são então as práticas que permanecem aceitáveis neste quadro? O sexo oral, a masturbação ou a abstinência? Gostaria de saber o que pensa Patrícia Lança do assunto.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Importa-se de explicar um pouco melhor?

Através do Glória Fácil cheguei a um interessante post, assinado por João Paulo Geada, e intitulado "Vamos falar claro sobre a homossexualidade" onde se pode ler:

"Não vale a pena ir muito longe na análise mas pensemos apenas por alguns segundos na tragédia que representa a SIDA, cujas origens – é bem sabido – têm muito a ver com a prática cada vez mais generalizada da sodomia a partir da “revolução sexual” dos anos 60. A responsabilidade pela expansão desta e doutras doenças, mesmo não do foro sexual como as próprias tuberculoses ultra-resistentes tem muito a ver com a promiscuidade sexual de que é expoente máximo a expanção da homossexualidade, e em particular da sodomia, um comportamente e um vício claramente nefasto para a sociedade como foi sempre reconhecido ao longo dos séculos. Para já não falar na fronteira por vezes muito ténue entre homossexualidade, prostituição, pornografia, pedofilia."

É bem sabido que a SIDA tem a ver com a "prática cada vez mais generalizada da sodomia"? Olha!, eu não sabia, curioso... Poderia o João Paulo Geada indicar-nos um qualquer estudo epidemiológico que estabeleça essa relação? Seria interessante saber em que se baseia.
E essa prática (da sodomia) generalizou-se nos anos 60? Vejam lá eu, na minha ingenuidade, que pensava que vinha já do tempo dos Gregos, enfim...
E a tuberculose ultra-resistente também se deve ao aumento da sodomia? É que eu estava capaz de jurar que se deve ao mau uso de anti-bióticos, mas de certeza que o João Paulo Geada deve saber mais do que eu. Mais uma vez, se nos poder indicar o estudo epidemiológico em que se baseia para fazer essa afirmação, a malta agradece encarecidamente.
Ah!, é verdade, há ainda a relação entre a homossexualidade e a prostituição, a pornografia e a pedofilia. É óbvio! Todos sabemos que não existe nem pornografia heterossexual, nem prostituição heterossexual, nem pedofilia heterossexual, evidentemente... Onde é que eu estava com a cabeça?

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Até onde vai o preconceito?

Uma expressão que me desagrada profundamente é a "conversa de surdos". No senso comum "conversa de surdos" refere-se a uma conversa entre pessoas que em geral se ouvem sem problemas mas têm uma manifesta incapacidade (ou falta de vontade) em compreenderem-se mutuamente. Ou seja, usa-se o surdo como imagem de quem não tendo problemas auditivos tem uma limitação intelectual no que respeita à compreensão. Basta conversar com um surdo, digamos 30 segundo (vá, um minuto) para perceber que com os surdos se passa exactamente o contrário da imagem que a "conversa de surdos" pretende retratar. 30 segundos chegam para demonstrar que mesmo incapacitados de ouvir os surdos têm uma (notável) capacidade de compreender quem com eles fala.