segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

É chegada a hora de Hugo Chávez passar a governar a Venezuela

populismo.jpg.548.229.thumb Com 6.000.594 (54,36%) de votos a favor, contra 5.040.082 (45,63%), mais 199.041 (cerca de 2%) e 32,95% de abstenção, os venezuelanos aprovaram ontem a proposta de emenda constitucional que permitirá reeleição ilimitada pra todos os cargos executivos do país, o que permitirá a Hugo Chávez candidatar-se às eleições de 2012 para um possível terceiro mandato. "Todos votaram 'sim' pelo socialismo, pela revolução", disse ele, em um comício com fogos de artifício e pessoas carregando imagens do presidente falastrão com os dizeres "hasta siempre".

Bem, agora só espero que ele passe a governar de fato, pois nos seus 10 anos de (des)governo só fez política rasteira e inconsequente, demagogia e fanfarrices. O resultado do seu desgoverno é uma Venezuela de administração caótica, envolta numa imensa nuvem de corrupção fora de controle, numa inflação que chega perto dos 40% e numa crise profunda de abastecimento. Pra piorar, terá as suas receitas reduzidas por conta da baixa do preço do petróleo, que corresponde a 80% do PIB venezuelano. É hora de o senhor Hugo Chávez sair do palanque e fazer do Palácio Miraflores sede de Governo, não um bunker de seu personalismo e incompetência administrativa como tem feito até agora. Coño, hasta cuándo señor presidente? Até quando vai o seu desgoverno, carajo? Mais (castelhano e português). Aqui vídeo das comemorações em Caracas.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Confesionario Automatico - Vaya Semanita

sábado, 14 de fevereiro de 2009

"Quando a Lua estiver na sétima casa, e Júpiter se alinhar com Marte, então, a paz irá guiar os planetas e o amor irá além das estrelas".


Segundo muitos astrólogos, começa hoje a tão esperada Era de Aquário, tanto cultuada durante os lisérgicos anos de 1960/70. Pra eles, o período astrológico que trará a paz e o amor ao planeta Terra. Abrirá a consciências para a percepção dos espaços infinitos da verdadeira fraternidade entre todos os seres vivos do Universo, dizem. Pra quem acredita, saravá! Era de Aquarius.

Vídeo: informações sobre o filme Hair, aqui.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Marry Me

Feliz São Valentim!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A bordo do Beagle, a fantástica viagem de Charles Darwin

imagem d Clique na imagem pra viajar com Charles Darwin

Hoje se comera o bicentenário de nascimento de Charles Darwin. E o Brasil teve um papel bem importante mos fundamentos de seus estudos. A bordo do Beagle, ele esteve 2 vezes em Pindorama. Em 20 de fevereiro de 1832 esteve no arquipélago de Fernando de Noronha e, em 28 de fevereiro, baixou em São Salvador ( Bahia). Nestas ocasiões, conheceu as matas tropicais e se surpreendeu com a diversidade biológica dessas regiões. Em 29 de março, desembarcou em Abrolhos (Bahia) e em 4 de abril chegou ao Rio de Janeiro. De volta à Inglaterra, passou por Recife (Pernambuco), onde ficou até 12 de agosto.

Sexo: Feminino. Nacionalidade: Brasileira.

schafe Foram justamente estes dados do bilhete de identidade que levou a advogada brasileira a ser cruelmente torturada por um grupo de skinheads neonazistas suíços. Paula Oliveira estava grávida de 3 meses de gêmeas e terminou por perder os bebês. Depois de ser barbaramente agredida a socos e chutes por mais de 15 minutos, cortaram-lhe o corpo inteiro com estiletes a até “escreveram” em sua barriga e pernas a sigla SVP (Scheiz Volks Partei – em português, Partido Popular da Suíça). Este partido é composto por grupos de ultradireita e xenófobos e centra toda a sua campanha eleitoral em temas populistas, onde o imigrante do país é seu principal alvo de ataque. Mais detalhes e imagens desta selvageria aqui.

Imagens: Um dos cartazes de campanha eleitoral do SVP, onde uma ovelha negra é expulsa do país por outras brancas, com o texto: "Pela expulsão de estrangeiros criminosos. Criar Segurança". Infelizmente, este não é um ato isolado de xenofobia. Abaixo, um vídeo sobre a onda de xenofobia e racismo que se alastra pela Europa.

Adendo - Finalmente um jornal europeu escreve sobre o assunto: Este episódio está a gerar alguma tensão diplomática entre a Suíça e o Brasil. Ainda de acordo a agência noticiosa brasileira, o caso ganhou contornos políticos depois de a cônsul-geral do Brasil em Zurique, Vitória Clever, ter constatado que a polícia local não abriu nenhuma investigação ao sucedido nem sequer tentou identificar os autores do ataque.



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Tsvangirai será o PM de um Zimbábue de Mugabe perto do colapso total

tsvangirai226 O líder da oposição, Morgan Tsvangirai, tomou posse hoje como primeiro-ministro do Zimbábue para formar um Governo de união nacional com o facínora Robert Mugabe, que cede assim pela primeira vez à divisão do poder absoluto que exerceu durante os últimos quase 30 anos. Mugabe levou o país ao fundo do poço. Governa com punhos-de-aço, onde a repressão policial é o seu único programa de governo para conter as diversas crises. O Zimbábue está bem perto do colapso total, com o desemprego próximo dos 90 %, envolto numa hiper-inflação girando em torno dos 230 milhões por cento e com uma epidemia de cólera fora do controle político e sanitário. Mais.

E agora, José?

Israel acordou hoje sob a indefinição política. A atual chanceler e líder do Kadima, Tzipi Livni, venceu (fez 28 cadeiras), mas pode não levar. Já o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, líder do Likud, perdeu (fez 27), mas tem tudo pra compor com a ultradireita laica e religiosa e se tornar o premiê israelense. Poderá contar com 65 dos 120 mandatos do Knesset (Parlamento), enquanto um suposto bloco mais à esquerda soma no máximo 55 cadeiras, isso contando com as 11 conquistadas pelos partidos árabes, que já se manifestaram claramente que não apoiarão qualquer uma das coalizões, pois foram banidos do Parlamento com o apóio de ambas. Decisão derrubada felizmente pelo Supremo Tribunal dias depois de aprovada.

Para governar, a líder do Kadima não terá outra alternativa senão a de compor com o Likud e com os socialdemocratas do Partido Trabalhista (14), o que me parece uma missão quase impossível, uma vez que Netanyahu também quer voltar a ser premiê . Pra piorar a situação, já que merda pouca é bobagem, há uma pedra no sapato de qualquer que seja o bloco governista. E essa pedra no sapato chama-se Avigdor Lieberman, um ultranacionalista e líder do Yisrael Beitenu. Com os 15 mandatos conquistados, deverá preitear um ministério importante que lhe garanta influência decisória e visibilidade política. Ou seja, será muito difícil livrar-se dele na composição do próximo governo. Talvez impossível.

Em suma, seja qual for o próximo governante de Israel não vejo no horizonte a possibilidade de uma abertura de diálogo que dê condições políticas para a elaboração de um projeto sério e determinante que garanta a criação de um Estado palestino livre e soberano. Ao contrário. Tudo deverá ficar como está ou pior. Por isso, ao povo palestino só me resta deixar aqui excerto da poesia de Carlos Drummond de Andrade, “José?”:

E agora, José?/ A festa acabou, / a luz apagou,/o povo sumiu,/ a noite esfriou, /e agora, José ?/ você que é sem nome,/ que zomba dos outros,/ você que faz versos,/ que ama protesta,/ e agora, José ?/ Está sem mulher, está sem discurso,/ está sem carinho, / já não pode beber,/ já não pode fumar,/ cuspir já não pode,/ a noite esfriou,/ o dia não veio,/ o bonde não veio,/ o riso não veio,/ não veio a utopia...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

My name is Harvey Milk and I'm here to recruit you!

Num ano de bons filmes a concorrerem aos prémios, Óscares incluídos, e entre os vistos (e mesmo os não vistos), Milk já é o meu favorito. Milk é um filme emocionante e Gus Van Sant consegue manter esse registo durante todo o tempo o que é mesmo uma proeza difícil para herói tão improvável.
E junte-se à tensão da câmara logo desde a maravilhosa primeira cena, o desempenho de Sean Penn que nos arrasta nas suas escolhas e decisões e o filme do ano, tem, também, o actor do ano.

Documentários francês e português em Lisboa

O primeiro está presente através duma homenagem ao cineasta e etnógrafo Jean Rouch, falecido em 2004. Segundo o promotor, o Instituto Franco-Português, Rouch legou-nos "uma obra cinematográfica imensa (mais de 120 filmes!) e atípica, intuitiva e inspirada: documentário etnográfico, sociológico, «cinema directo», ficção…".
Hoje, às 19h, é a vez de Chronique d'un Été (1960, Prémio da Critica no Festival de Cannes, 1961). Eis a sinopse: "Durante o Verão, Edgar Morin, sociólogo, e Jean Rouch vão investigar a vida quotidiana de jovens parisienses para tentar perceber a concepção da felicidade. Em torno da pergunta inicial «Estás feliz?», surgem questões essenciais como a política, o desespero, a solidão. O grupo interrogado reúne-se finalmente para a primeira projecção do filme e os dois autores encontram-se perante esta experiência cruel mas plena de «cinema-verdade»".
A projecção será seguida por debate com Brice Ahounou, jornalista e programador de filmes etnográficos e Joaquim Pais de Brito, antropólogo e director do Museu Nacional de Etnologia.
O ciclo começou a semana passada e decorre durante este mês.
Quanto ao documentário português, regressa na 6.ª feira, com Panorama- 3ª Mostra do Documentário Português, novamente pela mão da apordoc, também responsável pelo DocLisboa.
No cinema S. Jorge, e até dia 22, haverá espaço para uma retrospectiva específica de 2008, 8 estreias, conversas com realizadores, uma mostra especial dedicada a António Campos e a sessão «a produção de imagens nas ciências sociais». Esta última decorrerá em torno de O compasso, de Regina Guimarães e Saguenail (19/2, 13h30), documentário que acompanha a revisitação sociológica de José Madureira Pinto à aldeia de Fonte da Arcada.

Buena Vista Social Club perde agora Orlando "Cachaíto" López

cachaito2 Morreu nesta segunda-feira, aos 76 anos, Orlando 'Cachaíto' López, baixista do Buena Vista Social Club (veja vídeo aqui), vítima de complicações após uma operação na próstata. Cachaíto era sobrinho do lendário Israel "Cachao" López (1918 – 2008), baixista, compositor e considerado um dos pais do mambo. A morte do baixista representa outra dura e triste baixa para o Buena Vista, que após o filme perdeu o pianista Rubén González em 2003, o cantor Ibrahim Ferrer em 2005 e o ritmista 'Pío' Leyva, em 2006. Mais.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Carmen Miranda, ícone pioneiro da cultura de massas

Celebram-se hoje os 100 anos do nascimento da cantora e dançarina Carmen Miranda, ícone brasileiro divulgado em todo o mundo.
De seu nome civil Maria do Carmo Miranda da Cunha, nasceu numa aldeia minhota, filha de lavadeira e barbeiro, e cresceu no Rio de Janeiro, onde foi alcunhada de Carmen pelo gosto do seu pai por óperas. Aí ganhou o gosto e, também, o talento pelo canto, enquanto trabalhava como empregada de comércio (a sua irmã Olinda foi decisiva, e o canto atraía clientes).
A sua carreira começa com convites para cantar no teatro e na rádio cariocas, em 1929. O êxito é imediato, devido à sua imagem alegre e electrizante, plena de requebros e um misto de graciosidade e malícia hipnotizante. Passa para o suporte disco, popularizando-se rapidamente, com sambas e outras canções fáceis de reter e o seu jeito simples e animado de cantar. Em 1930 grava «Taí (pra você gostar de mim)», e ascende a maior fenómeno popular no Brasil, com mais de 35 mil cópias vendidas (a média era 10 mil).
Em 1939, monsieur Broadway convida-a para uma estadia no país da cultura de massas. Aí fica ano e meio, dando mais de 2 espectáculos por dia, numa agenda carregada de manhã à noite. Aguenta com gosto, mas também com barbitúricos, de que se tornará dependente. No curto regresso ao Brasil, tem uma recepção popular, mas muitos consideram-na «americanizada». Voltará aos EUA, para uma estadia mais prolongada (1942-53), agora em Hollywood, onde participa em 13 filmes, e em variados programas da rádio, tv, teatro, casinos e clubes nocturnos.
Em 1939, interpreta no filme Banana da terra aquela que será uma das suas canções mais conhecidas, «O que é que a bahiana tem?». Em 1943, e no contexto de aliança entre EUA e Brasil contra as potências do Eixo, arrancam uma série de iniciativas culturais de aproximação, de que o filme disneyano The gang's all here é um dos ícones, com Pato Donald ao lado do seu congénere brasileiro Zé Carioca, numa animação complementada com o meddle «Aquarela do Brasil»/ «Tico tico no fubá» e a presença de Carmen Miranda, em boneco animado e ao vivo.
Em 1944, é a vez da canção preferida dos americanos, «Mamãe eu quero», em Four jills in a jeep. Em 1947, será a vez de «Tico tico no fubá», no filme Copacabana, composição de Zequinha de Abreu. No ano anterior, tornara-se na artista mais bem paga de Hollywood.
Nos EUA, contracena com alguns dos actores mais conhecidos, como Groucho Marx, Dean Martin, Jerry Lewis, em filmes musicais e afins, onde por vezes tem que vestir 'peles' equivocadas, como as de mexicana, rumbeira, etc..
Após a sua morte precoce, por ataque cardíaco fulminante (1955), a divulgação não cessa. Desde logo, no seu velório, onde compareceram 60 mil pessoas. No ano seguinte, lança-se o Museu Carmen Miranda, no Rio de Janeiro, só inaugurado em 1976. Em 1972, Elis Regina canta em sua homenagem o enredo do desfile da Escola de Samba Império Serrano, escola vencedora nessa edição. Por ocasião da presente efeméride, foi lançado um site específico, Carmen Miranda, que tem muita informação útil e organizada. Uma boa iniciativa.
Além das fontes já citadas, baseei-me ainda numa reportagem de Anabela Mota Ribeiro («Morreu com um espelho na mão, sozinha no seu quarto», Pública, 8-2), que, por sua vez, entrevista o biógrafo Ruy Castro.
Na imagem, video antológico Carmen Miranda - Brazilian Career Medley.

Israel vai às urnas sem qualquer alternativa. Todos são pela guerra.

Nem a atual crise econômica, nem o desemprego, nem a incompetência de seus políticos, nem a esquerda, o centro ou a direita. As eleições gerais de amanhã em Israel não terão qualquer motivação ideológica ou administrativa. Os israelenses vão às urnas sem qualquer alternativa de escolha sobre a questão palestina. É a guerra pela guerra.

A operação militar que quase devastou Gaza, que deixou mais de 1300 palestinos e 13 israelenses mortos, foi a única plataforma política dos líderes dos principais partidos políticos de Israel durante toda a campnha eleitoral. Tanto os governistas Kadima e Partido Trabalhista como o oposicionista Likud defenderam enfaticamente o uso da força contra o povo palestino. Aliás, já não é incomum a migração de políticos entre estas 3 forças políticas.

Independentemente das cores partidárias, os principais candidatos ao cargo de premiê basearam suas respectivas campanhas no uso da força para conter as ações do Hamas. Em momento algum se propôs um plano para a abertura de um diálogo entre as partes para a criação efetiva de um Estado palestino livre e soberano. Não. Isso parece não emocionar muito o eleitor comum. Em nome de uma suposta segurança do país, parece-me que ações militares contra paletinos inocentes têm mais apelo político.

Entre a atual ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni (Kadima) e Ehud Barak, atual ministro da Defesa e candidato pelos trabalhistas, e o oposicionista e líder do Likud, Binyamin Netanyahu, não há divergências. Não são inimigos políticos. São cúmplices na defesa da política de punição coletiva implementada pelo apartheid. Em nome da alegada luta contra o Hamas, todos defendem o covarde ato de terrorismo de Estado praticado impunemente por Israel há anos, que transformou a Faixa de Gaza num gueto, onde se vive uma dos maiores tragédias humanitária do mundo.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Kew Gardens

Em Londres, Kew Gardens comemora 250 anos. É um espaço natural fantástico, hoje enfeitado com muitas orquídeas e arranjos florais magníficos. Surpreende-me o enorme esforço de preservação, a imaginação e a criatividade que contribuem para que seja um lugar vivo e de interesse para todos. O ano passado foi salpicado de esculturas de Henry Moore, no ano anterior de esculturas de vidro maravilhosas de Chihuly. Há imensas coisas para fazer, a comida é maravilhosa, as lojas de bom gosto, as árvores centenárias e lindíssimas. Não sei se está no topo das atracções turísticas, mas recomendo... e pode-se pisar a relva!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Lily Allen - The Fear

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Um vento que sopra das Caraíbas


Talvez se tenha ouvido falar em Portugal de umas greves e manifestações aqui em França, mas duvido que se tenha falado do que se passa nas Antilhas francesas. Nem sequer na França metropolitana se tem falado. A ilha da Guadeloupe está em Greve Geral há 18 dias consecutivos, a que se juntou ontem e hoje a vizinha ilha da Martinique. Desde 20 de Janeiro que um colectivo "Liga contra a exploração" ("Liyannaj kont pwofitasyon" em crioulo antilhês) na Guadeloupe que engloba todos os principais sindicatos, partidos da oposição e inúmeras organizações da sociedade civil apela à greve. Um colectivo idêntico formou-se entretanto na Martinique. As duas ilhas juntas fazem perto de um milhão de habitantes, a que se poderá juntar ainda a Guiana francesa. A Greve é contra o custo de vida, os elevados impostos, os salários baixos, o desemprego e a pobreza. Sabemos que a insularidade tem um preço, e damo-nos conta agora que no caso das Antilhas são os antilheses que pagam o preço. Para contextualizar um pouco, o conflito começou com protestos contra o preço da gasolina. Em Dezembro depois da descida do preço do petróleo, os preço da gasolina desceram em todo o lado, excepto nas Antilhas. Houve então uma primeira Greve, que resultou numa descida dos preços, e nomeadamente a gasolina sem chumbo desceu 31 cêntimos... para ficar ao mesmo preço que na França metropolitana. SIm, a gasolina estava 30 cêntimos mais cara lá do que cá. Revelador. Nem de propósito uma reportagem do Canal+ veio por estes dias revelar a que ponto a economia das Antilhas continua nas mãos das famílias de "Békés" descendentes dos colonos brancos esclavagistas de há século e meio. Revela-nos que por exemplo essas famílias, 1% da população, detêm mais de metade das terras agrícolas e do imobiliário, e o monopólio da distribuição, o que é como quem diz que detêm a economia toda. Isto onde 90% (estimativa por baixo) da população é descendente de escravos. Por exemplo a banana da Guadeloupe e Martinique, que abastece toda a França é mais cara 40% nas Antilhas do que na metrópole. Isto faz sentido? Nessa mesma reportagem, um desses békés, Alain Huyghes-Despointes, por sinal o mais rico, diz que "Nas famílias mestiças as crianças são de cores diferentes, não há harmonia. Eu não acho isso bem. Nós quisemos preservar a raça. (« Dans les familles métissées , les enfants sont de couleur différente, il n'y a pas d' harmonie. Moi, je ne trouve pas ça bien. Nous, on a voulu préserver la race.» no original). Pode lembrar-se ainda que a França uso (para não dizer "usa") as Antilhas como reserva de mão de obra barata e pouco qualificada. Entre 1963 e 1982 existiu o BUMIDOM, que era simplesmente uma agência governamental com a missão de recrutar antilheses (e de outras colónias) para trabalhos pouco remunerados na metrópole, muitos deles na função pública. O resultado foi a deserção da população activa dessas regiões, com o consequente desastre económico. E entretanto nunca uma verdadeira política de desenvolvimento foi posta em prática.
Sarkozy ontem falou ao país, num cenário de contestação e crise, e apesar de 18 dias de Greve na Guadeloupe, e do início da Greve na Martinique, não disse uma só palavra sobre o assunto. Para resolver a crise antilhesa não fez mais do que mandatar um secretário de estado para negociar. Parece-me que o governo não está consciente da dimensão da questão. 18 dias de Greve Geral não é coisa pouca. As reivindicações independentistas ainda não se formalizaram, mas também ninguém esconde que há uma parte dos mentores dos protestos que defendem a independência. E é óbvio que esta situação está intimamente ligada à crise internacional. Acontece que por vezes estas crises têm consequências inesperadas.

P.S. - Como de costume Lilian Thuram diz o que de mais inteligente se tem dito sobre o assunto.

Adenda: A reportagem do Canal+ "Les Derniers Maîtres de la Martinique" pode ser vista na íntegra aqui.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

São Paulo dá as boas-vindas à arte contemporânea angolana

hotel_central A arte contemporânea africana passará a ter um centro de referência em Terras Brasilis. Será inaugurada amanhã em São Paulo a Soso- Arte Contemporânea Africana. Inspirada na sua homônima de Luanda, a Soso-São Paulo será aberta com a apresentação de fotografias, vídeos e instalações dos artistas angolanos Cláudia Veiga, Ihosvanny, Kiluanji e Yonamine. A exposição se estenderá até o próximo dia 21 de março, no antigo Hotel Central, na av. São João, 313 – Centro. E o melhor de tudo: é de graça. Mais.

Imagem da fachada do Hotel Central retirada daqui.

As tragédias humanitárias que o mundo faz questão de não enxergar

somalia Com o objetivo de chamar a atenção do mundo para uma das tragédias humanitárias que caiu no esquecimento, a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) está a organizar uma exposição de fotografia e audiovisuais sobre o drama do povo somali. A mostra “Somália: sobreviver ao esquecimento” poderá ser vista de hoje até o próximo dia 18 de fevereiro na Estação de Atocha, em Madri. Ao todo, serão 74 imagens do fotógrfo Pep Bonet (mais informação aqui).

Junto com a Somália, a República Democrática do Congo é um dos países que lideram a relação de países com tragédias humanitárias menos atendidas e mais esquecidas pelo resto do mundo. O relatório anual dos MSF também inclui Iraque, Sudão, Paquistão, Mianmar, Etiópia e Zimbábue. Os povos destes países (ou região) são vítimas de guerras, dos conflitos internos, de seus ditadores, dos desastres naturais, da falta de comida e água. Em suma: não têm acesso a condições mínimas de sobrevivência, onde a pobreza absoluta, a desnutrição infantil, a exposição a inúmeras doenças infecto-contagiosas e tropicais e o medo fazem dessas pessoas criaturas subumanas. E pior, tornaram-se invisíveis aos olhos do mundo.

PS:

Em São Paulo, a partir de hoje os usuários do Metrô poderão visitar, na Estação Sé, a exposição interativa "Médicos Sem Fronteiras no Mundo". O evento ambientará os visitantes com fotos, vídeos, mapas e atividades especiais na atuação desempenhada há mais de 30 anos pela organização humanitária. Mais informações aqui.

Keep Calm...

Este poster , concebido para ser lançado na véspera da Segunda Grande Guerra, não viu a luz do dia até ao ano 2000 quando foi descoberto numa caixa de livros.

Faz parte de um conjunto de posters que visava apelar às míticas qualidades dos britânicos, entre elas a coragem e o famoso stiff upper lip!

Os outros diziam Freedom is in Peril e Your Courage, Your Cheerfulness, Your Resolution Will Bring Us Victory.

Em tempos de recessão, aqui fica a mensagem intemporal dos súbditos de Sua Majestade o rei Jorge VI...

Sociedades desiguais e paradigmas em confronto

Depois dos movimentos sociais terem dado a cara no Fórum Social Mundial, que o Manolo Piriz aqui cobriu com detalhe, é a vez dos cientistas sociais se debruçarem sobre os mesmos (e outros temas) no X Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. Aquele que é o principal fórum dos cientistas sociais do espaço lusófono arranca hoje em Braga, prevendo-se a chegada de 2000 participantes, que apresentarão 1400 comunicações em 260 mesas de trabalho. Os trabalhos decorrerão na Universidade do Minho, e duram até sábado.

O oportuno tema desta edição é justamente «Sociedades desiguais e paradigmas em confronto» (+informações neste blogue oficial). Haverá ainda tempo para o lançamento de 23 livros e revistas, incluindo as obras As cidades na cidade: movimentos sociais urbanos (de Carlos Faria, numa adaptação da sua tese de doutoramento sobre o movimento de moradores em Setúbal), Dicionário da outra economia (de Pedro Hespanha), Escola da Ponte - formação e transformação da educação (de José Pacheco) e As vozes do mundo (de Boaventura Sousa Santos).

Na sessão inaugural falarão conhecidos cientistas sociais, como Beit Vader, Hermínio Martins, Boaventura Sousa Santos, Renato Lessa, Carlos Lopes, Fernando Oliveira Baptista, José Madureira Pinto, entre outros. Vários peões e amigos de peões aí marcarão presença, não fosse Braga uma boa cidade onde deambular. As comunicações apresentadas serão disponibilizadas em linha, com acesso livre para todos.