domingo, 16 de agosto de 2009

Irmãos Metralha a deputados

Foi numa praia bem tuga, com mais facilidade em tomar um banho de mar do que em recorrer à internet para atirar um post às ondas virtuais, que fiquei a par da nova doutrina da dr. Ferreira Leite para formar listas de deputados. Como se pode ler aqui, justificou a inclusão de António Preto, arguido num caso de fraude fiscal e de envolvimento no financiamento ilegal do PSD, com o facto de Preto não ser acusado de crime no exercício de cargos públicos. Ocorreu-me então um slogan para este verão de cabeças quentes e engripadas: «Irmãos Metralha a deputados, que o António Preto já lá está».
Nem os irmãos Metralha nem António Preto foram alguma vez acusados de praticarem qualquer crime no exercício de cargos públicos. Os irmãos Metralha terão talvez o inconveniente de serem personagens de BD e de serem demasiado trapalhões. Mas felizmente configuram um tipo de que não faltam exemplares de carne e osso em versão mais competente. Há muito por onde escolher no campo dos alegados criminosos que não foram acusados no exercício de funções públicas. Alegados chulos, agiotas e burlões são particularmente promissores. É que só praticando crimes na esfera privada, são inegáveis empreendedores, aos quais não falta sedução, astúcia e criatividade.
Mas o candidato ideal a deputado, pelo menos nas listas da dr. Manuela Ferreira Leite, seria um alegado mafioso ao estilo de don Corleone. É que don Corleone, não só nunca praticou nenhum crime no exercício de cargos públicos e foi um verdadeiro empreendedor, como dava festas!
E os alegados mafiosos que dão festas criam empregos!
Como recusar a qualidades tão excelsas um ponto de exclamação?!