quarta-feira, 19 de março de 2008

Aos pais e filhos deste blogue

Pê de Pai é um livro de Bernardo Carvalho e Isabel Martins sobre a relação de cumplicidade e afectividade entre pai e filho(a), premiado com uma Menção Honrosa no Best Book Design From All Over the World (2008). Recomendo a toda a gente! Fiquei maravilhada com a perspicácia das frases curtas (designações/atributos do pai) e a simplicidade dos desenhos, com a forma como texto e imagem se combinam para traduzir a admiração e o carinho com que os filhos interpretam gestos e atitudes paternos (que, em muitos casos, também são maternos).
Abrimos o livro e lá está o pai casaco, que tanto jeito dá num dia como o de hoje.

A propósito da crise económica mundial que se está a viver, um pouco como nos anos 70

Anger is an energy

john Lyndon (aka Johnny Rotten)


preparem-se...

terça-feira, 18 de março de 2008

Anthony Minghella (1954-2008)



Anthony Minghella morreu hoje aos 54 anos. Longe de ter sido um dos meus realiadores preferidos, criou, no entanto, personagens inesquecíveis no meu imaginário cinematográfico. Em The Talented Mr. Ripley (1999) Jude Law surge tão fascinante e inesquecível como a sua personagem, o playboy Dickie Greenleaf. Matt Damon, encarna a personagem de Mr. Ripley criada pela escritora Patricia Highsmith. Nos livros policiais de Highsmith, Ripley também era perversamente fascinante, ao contrário da forma como surge no filme de Minghella. O realizador optou pela transferência, ou seja, o fascínio de Ripley é transferido para Dickie Greenleaf, no filme, deixando Ripley apenas perverso. Lembro que no filme surgem ainda, Gwyneth Paltrow, Cate Blanchett, e o sempre magnífico, Philip Seymour Hoffman.
Em The English Patient (1996), mais uma adaptação literária, desta vez do livro do escritor Michael Ondaatje (livro que ofereci ao meu pai quando ele esteve literalmente na condição de english patient, razão pela qual, ainda hoje não me consigo libertar deste filme), Ralph Fiennes interpreta também uma personagem fascinante, o Conde Laszlo de Almásy, cujo maior medo é: Ownership. Being owned. Quando Almásy se envolve com Katharine (with a K) interpretada por Kristin Scott Thomas, todo o seu universo se transforma. Katharine tem um sonho: An earth without maps. Um sonho que perpassa a II Guerra Mundial por intermédio da morte. Almásy, o céptico, o estrangeiro, o outro que tal que não é verdadeiramente isso que é, o map maker que representa, paradoxalmente, o mundo sem mapas de Katharine, acaba desfigurado fisicamente e transfigurado por, afinal, pertencer a Katharine. Numa cena que valeu o Óscar de melhor actriz secundária a Juliette Binoche que interpreta Hana, a enfermeira que todos os dias alivia as dores físicas do seu paciente queimado, injectando-lhe morfina, esta dialoga sem palavras com Almásy que atabalhoadamente vai empurrando na direcção de Hana várias ampolas de morfina. A enfermeira, numa convulsão de choro, percebe que o seu paciente, sem Katharine já estava morto quando lhe foi parar às mãos, e, que durante todo o tempo que pasaram juntos, era precisamente isso que Almásy lhe queria fazer compreender, e, assim, Hana injecta a morfina pela última vez no seu paciente. O filme conta, ainda, com Willem Dafoe e Colin Firth, entre outros.
Cold Mountain (2003) é também um desfile de estrelas: Jude Law, Nicole Kidman, Renée Zellweger, Philip Seymour Hoffman, Natalie Portman, Donald Sutherland e Jack White, dos White Stripes.
Imagens: Conde Laszlo de Almásy.
And now for something completly different ver o artigo do Pedro Sales aqui.

segunda-feira, 17 de março de 2008

O caminho mais difícil: notas sobre a regionalização que temos

Passam hoje 30 anos de Alberto João Jardim à frente do governo da Madeira. As regiões autónomas da Madeira e Açores haviam sido constitucionalmente criadas 2 anos antes.
O trinténio é evocado em tom crítico em grande parte dos media (blogosfera e imprensa, nesta destaque-se o P2 do Público). Sobre este mandato ininterrupto (que é recorde mundial), as críticas são de 3 ordens: 1) crítica ao excesso de transferência de fundos públicos e de privilégios para a Madeira; 2) crítica ao modo de aplicação desses recursos; 3) crítica ao tipo de actuação política do governo regional.
1. Sobre a primeira, o problema é múltiplo: amiúde, as transferências ocorrem sobre chantagem política junto do poder central, que cedeu sempre até hoje, em parte por calculismo, em parte pelo disposto na lei, em parte por respeito pelo prejuízo advindo da insularidade.
2. Jardim usou esses recursos para manter clientelas, públicas (1/4 da população activa é funcionária pública) e privadas, e alimentar o fontismo madeirense, assim obtendo a perpetuação no poder.
3. Sobre o modo singular de exercício do poder, o cocktail é explosivo e deprimente: hostilização do debate e do pluralismo político; discriminação negativa das autarquias da oposição (corte na transferência de verbas para investimento); subordinação crescente do parlamento; domínio dos media regionais; linguagem desbragada e xenófoba (contra os portugueses do Continente, contra os chineses, etc.), protegendo-se de sanções judiciais através da imunidade parlamentar; populismo; etc.. Foi a isso que Mário Soares apelidou de défice democrático, e que na politologia se designa por democracia de baixa intensidade, ou de baixa qualidade (sobre o assunto, António Costa Pinto escreveu há meses um artigo elucidativo no DN).
Entendo que qualquer um destes problemas poderia ser fortemente limitado caso se estendesse a regionalização político-administrativa a todo o território nacional. Assim, aumentaria a concorrência política, e com ela, a necessidade de maior racionalização dos recursos públicos, obrigando os partidos e a sociedade a um maior debate sobre a distribuição e aplicação desses mesmos recursos.
Invocar o balanço negativo da Madeira é, porventura, o caminho mais difícil para defender a regionalização, mas faz todo o sentido. É que é grandemente pela ausência duma coerência no ordenamento do território e na descentralização político-administrativa que Alberto João Jardim tem conseguido manobrar. O poder municipal é insuficiente: os municípios das 'não-regiões' são impotentes enquanto actores políticos para lhe fazer frente e para negociar com o Estado central e seus vizinhos. Falta um poder intermédio, legitimado e com massa crítica para negociar e exigir contrapartidas construtivas. Este é um debate que faz sentido a propósito da Madeira. A alternativa é ficarmos à espera que o seu líder caia da cadeira. Faz sentido?
É claro que a regionalização não poderia subordinar-se ao desastroso mapa proposto por Guterres há 10 anos atrás. Antes deveria seguir um mais simples, que aprofundaria as regiões-plano que já existem e têm funcionalismo adstrito, as chamadas comissões de coordenação e desenvolvimento regional (Norte, Centro, Alentejo, Algarve, e as necessárias regiões metropolitanas de Porto e Lisboa). Não será mais salutar este debate?
Nb: imagem retirada daqui.

O drama da esquerda segundo Lenine


"É coisa de poeta navegar na contramão"



O Mote da Barca, Lenine

Jonathan Coe

Para os mais distraídos (como eu), já está nas livrarias O círculo fechado de Jonathan Coe, livro que retoma a narrativa de O Rotters' Club, ou seja o grupo de amigos de Birmingham dos anos 70, adolescentes, ainda sem Mrs. Thatcher, estão, agora, adultos com Tony Blair. E, para começar, o autor escolhe o promissor título de High on the chalk (mais não sei, que ainda só o comprei, mas não li).
Tenho gostado bastante desta ficção por décadas de Jonathan Coe, (para os anos 80, houve Que grande banquete!, história de uma mais que hipócrita família dos anos Thatcher), que tem sempre como pano de fundo os acontecimentos políticos vistos com cinismo e humor.
"[...] so while I may be a 'political writer', I'm certainly not a political thinker: a distinction which sometimes seems to blur."
De Coe, é também, A casa do sono, um dos meus livros favoritos, mas esse merecerá, um dia, um post só para ele.
Imagem: Capa da tradução brasileira de O Rotters' Club (da portuguesa não consegui encontrar a que queria). Cá os livros estão todos traduzidos pela Asa.

Bloggers do ir better

Ontem estreei-me na mini-maratona de Lisboa. Tendo em conta que só há um mês comecei a praticar jogging não me saí mal. Gostei da prova, por razões desportivas e até estéticas, devido ao ambiente felliniano. O realizador italiano teria gostado de algumas cenas: a banda a tocar para os corredores à saída da estação do Pragal; a dúzia de desportistas que aproveitaram a berma do caminho entre o Pragal e a ponte-sobre-o-tejo para aliviar a bexiga; o(a)s animadore(a)s em cima de um palco a dar o tom a coreografias de massas com as mãos e os braços para saudar os helicópteros da televisão; a variedade de gente, juntando lado a lado o homem de barriga proeminente e de bigode farfalhudo, a jovem fanática de ginásios, a mãe de família e dona-de-casa que por uma vez tirou um dia de folga, os namorados adolescentes, etc.
Só não vi na mini-maratona o seu corredor mais ilustre, José Sócrates. O noticiário televisivo da noite explicou-me porquê: Sócrates fez a prova em uma hora e seis minutos. Eu fi-la em uma hora e três minutos. Como estava concentrado na meta, não reparei quem seguia atrás de mim. Bloggers do it better.

domingo, 16 de março de 2008

Variações sobre Brecht

Primeiro tiraram espaço aos fumadores.
Eu não era fumador e não me meti.
Depois proibiram o uso de piercings.
Eu não usava piercings e não me meti.
Um dia virão atrás de mim
- será por causa dos chocolates?
E será tarde demais para me meter.

Comentário: Não quero com estas «variações» glosar as críticas de Vasco Pulido Valente que descortina sinais de fascismo na nova lei de fumadores. A noção das distâncias agudiza a consciência do ridículo. Já o outro dizia que a História se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa. É ridículo o projecto de lei que pretende proibir a colocação de qualquer tipo de piercings a menores e de alguns tipos de piercings – nos órgãos genitais, por exemplo – a toda a gente. Mas lá por ser ridículo não deixa de ser abusivo da parte do Estado querer decidir o que cada um pode ou não fazer com os seus genitais.

Dilemas profissionais

Hoje, no P2 do Público, fala-se do arquivo da PIDE. Irene Pimentel, após seis anos de pesquisa naquele arquivo, continua a ter "dúvidas que nasceram daquele percurso: qual o grau de restrição que deveria ser aplicado ao acesso aos documentos? O que deve ser ainda preservado e o que deve ser dado a conhecer? Porque é o arquivista o censor? [alusão ao expurgo dos documentos relativamente aos "dados pessoais de carácter judicial, policial ou clínico..."(*)] Que poder lhes está a ser dado?"
Como arquivista e como historiadora, continuo sem perceber porque é que o legislador decidiu conferir ao arquivista o poder de aceder a dados pessoais, negando-o ao investigador. Não vejo que se possa estabelecer uma hierarquia relativamente à ética profissional de uns e de outros. Além disso, os arquivistas 'expurgadores' não são infalíveis: por vezes, expurgam dados inócuos e deixam passar dados pessoais.
Talvez fosse mais acertado abdicar do expurgo e exigir aos utentes dos arquivos uma declaração em como se comprometem a não publicitar nem utilizar nos seus trabalhos os dados pessoais contidos nos documentos. A violação desse compromisso deveria ser considerada crime e sujeita a sanção penal.
__
(*) "Não são comunicáveis os documentos que contenham dados pessoais de carácter judicial, policial ou clínico, bem como os que contenham dados pessoais que não sejam públicos, ou de qualquer índole que possa afectar a segurança das pessoas, a sua honra ou a intimidade da sua vida privada e familiar e a sua própria imagem, salvo se os dados pessoais puderem ser expurgados do documento que os contém, sem perigo de fácil identificação, se houver consentimento unânime dos titulares dos interesses legítimos a salvaguardar ou desde que decorridos 50 anos sobre a data da morte da pessoa a que respeitam os documentos ou, não sendo esta data conhecida, decorridos 75 anos sobre a data dos documentos." (Sublinhado meu. N.º 2, Artigo 17.º, Decreto-Lei n.º 16/93 de 23 de Janeiro (Regime geral dos arquivos e do património arquivístico).

sábado, 15 de março de 2008

Os soldados não gostam de planícies, nem da pompa e circunstância

Morreu esta semana, aos 110 anos, Lazare Ponticelli, o último soldado francês (embora nascido italiano) sobrevivente da I Guerra Mundial. Disse sempre que não queria um funeral de estado, e tinha horror de cerimónias oficiais, nas quais, de resto, sempre se recusou a participar em vida. No entanto, sem surpresas, a república encontra sempre um modo de dar a volta ao texto. Lá estarão segunda-feira todos os seus representantes, a começar pelo presidente, as chefias militares, o protocolo de estado, e claro, as cameras de televisão, os directos, etc, etc... É a apropriação da memória e da História sem qualquer pudor, nem respeito por aqueles que a fizeram.

Tibete: governo no exílio já fala em 100 mortes

O governo tibetano no exílio, em Dharamsala (norte da Índia), divulgou hoje que ao menos 100 pessoas foram mortas durante as manifestações de ontem na capital do Tibete, Lhasa. Entretanto, o governo da China reconheceu 10 mortes, enquanto a Campanha Internacional pelo Tibete afirmou que o número de vítimas é de 30. A apuração do número exato de mortes é dificultada pelo forte controle sobre a informação e o acesso à região exercido por Pequim. As viagens de estrangeiros à região, especialmente jornalistas, foram suspensas pelas autoridades. Há uma forte campanha na mídia oficial chinesa para retratar os manifestantes como vândalos que atacaram pessoas inocentes, atearam fogo em lojas e agrediram policiais.

O governo tibetano no exílio pediu intervenção da Organização das Nações Unidas (ONU) para interromper o que classificou como "violação dos direitos humanos" no Tibete. Enquanto os ativistas tibetanos sustentam que as mortes foram provocadas pela repressão policial, o governo de Pequim afirma que elas ocorreram em razão dos incêndios iniciados pelos manifestantes.

O Tibete foi tomado pelas forças de Mao Tse Tung, em setembro de l951. A ocupação chinesa na região foi marcada pela destruição sistemática de mosteiros, pela opressão religiosa, pelo fim da liberdade política e pelo aprisionamento e assassinato de civis em massa. Além da pilhagem econômica que vem sofrendo pelo desmatamento criminoso, o Tibete se tornou um imenso depósito de resíduos nucleares por parte do governo de Pequim. Até hoje, a ONU nunca expressou qualquer protesto significativo contra esta ocupação.

Lembrem-me lá porque razão os EUA invadiram o Iraque...

Que no Iraque não havia armas de destruição em massa já a administração Bush reconheceu há muito tempo. Que não havia qualquer relação entre Saddam Hussein e a Al-Qaida também ninguém duvidava, mas agora é o próprio Pentágono quem o reconhece. Cinco anos, e centenas de milhares de mortos depois, ainda resta alguma das desculpas que Bush usou para invadir o Iraque?

Ashley Alexandra, a garota de 1.000.000,00 de US$ (por enquanto)



A agora cantora Ashley Alexandra Dupré (a garota que abalou o estado de NY e derrubou o seu governador, Eliot Spitzer) já ganhou mais de um milhão de dólares com duas canções, "What we want" e "Move Ya Body", que já foram baixadas mais de duas milhões de vezes no AmiSt e está em 1º e 3º lugares, respectivamente, no hit-parade do site. A jovem de 22 anos recebe 70% dos 98 centavos de dólar cobrados por cada download. Em seu site de relacionamento, MySpace, ela afirma que foi influenciada por Alicia Keys, Etta James, Aretha Franklin, Celine Dion, Whitney Houston, entre outras.

sexta-feira, 14 de março de 2008

É pá, tenho que me despachar a acabar aquele artigo

A terra vai ser engolida pelo sol daqui a 7,6 bilhões de anos.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Se acham que os transgénicos são maus, o que dizer das alternativas...

É curioso que os transgénicos sejam considerados como "Organismos Geneticamente Modificados" e outras plantas produzidas por métodos tradicionais de melhoramento vegetal como a mutagénese não o sejam. Mutagénese, como o nome indica, é quando são provocadas mutações deliberadamente, como químicos ou raios ultra-violeta, ou outras coisas do género. No melhoramento de plantas é coisa que se utiliza desde o início do século passado. Como a mutagénese é feita às cegas, para depois se procurar e seleccionar mutantes com as características desejadas, não se sabe muito bem que raio de alterações genéticas se estão a produzir. Vem isto a propósito de um estudo publicado na respeitada revista americana Proceedings of the National Academy of Sciences (o estudo é todo feito por investigadores a trabalhar em Portugal, também vale a pena realçar). Este estudo mostra que a técnica de mutagénese provoca perturbações no genoma das plantas muito mais radicais do que os transgénicos. Quando um do principais argumentos contra os transgénicos é a chamada "poluição genética", quando as regras de cultivo de transgénicos são muito mais apertadas, quando a grande maioria dos transgénicos são estéreis contrariamente às variedades geradas por mutagénese, não deixa de ser preocupante.
Nota: Caso não seja ainda óbvio, não sou um adepto dos transgénicos, não gosto é que sejam recusados por más razões, sem debate, e graças à desinformação em massa. E repito o problema dos transgénicos não é ambiental nem de saúde pública, é económico.

Parte 2:
Clara Pinto Correia, figura conhecida do grande público principalmente pelos artigos de opinião que plagia, mas também pela sua actividade ocasional de dançarina, diz que também têm opinião em assuntos relacionados com a Biologia. Pelo que conheço tem mais talento para a dança do que para a Biologia (mas quem sou eu?...). Clara Pinto Correia no programa de Radio da Antena 1 sobre Ciência, "A1 Ciência", falou sobre transgénicos, e disse um chorrilho de asneiras. Pedro Fevereiro, investigador com créditos firmados na matéria, dirigente da Ordem dos Biólogos, e presidente do Centro de Informação de Biotecnologia escreveu uma carta aberta em resposta aos disparates de Clara Pinto Correia, vale a pena ler essa carta. Para quem quiser ouvir o programa de rádio em questão (o que desaconselho vivamente) e ler a carta de Pedro Fevereiro, ambos estão disponíveis no lado b do Peão. Mas fica a pergunta: porque é que não convidam para estes programas especialistas que realmente percebam do assunto?

State of the art

Excelente desabafo sobre ensino e danos colaterais. Aqui.

Trabalho de terreno em locais macios




Caros consofredores (nova designação com a qual passarei a iniciar os meus posts daqui para a frente... ou talvez não, depende; é uma parvoíce que me ocorreu neste momento),

estou de partida para uma breve estadia na Holanda. Parto com o objectivo de iniciar mais uma grande investigação com a "chancela de qualidade" do DJ Imbecil (entretanto personificado na minha pessoa):

A questão em teste é a seguinte: perceber como é que aquela malta se organiza para trabalhar tão poucas horas por dia, cultivar em simultâneo aquilo do relax em local de trabalho (sofás e mesas de centro para tomar o chazinho com bolinhos) e mesmo assim ainda ser produtivos (ou pelo menos mais que nós, o que de resto já não era difícil).

Fiz uma primeira pesquisa de terreno comparativa: passei bastante tempo deitado no meu sofá vermelho lá de casa, para ver se acontecia alguma coisa (a coisa correu bastante bem, mas não recolhi muita informação). Também participei num projecto de pesquisa com alguns colegas e amigos sobre divãs (mas disso falar-se-á abundantemente por cá em breve). Ainda passei pelo Mundo do Sofá, para fazer pesquisa de arquivo.

Prometo divulgar resultados assim que os tiver. Porque, como sabem, quando prometo, cumpro.

O referendo à IVG em análise

A Fundação Friedrich Ebert promove, amanhã à tarde, um encontro sobre o referendo à IVG de 2007, no Goethe Institut de Lisboa. Regista-se aqui o respectivo programa, à atenção de potenciais interessados.

Seminário Internacional «Sociedade civil, democracia participativa e poder político: o caso do referendo do aborto, 2007»
(Lisboa, 14 de Março de 2008; Goethe Institut, Campo dos Mártires da Pátria, 37)

14h00- Recepção e inscrições dos participantes
14h30- Introdução
Reinhard Naumann (Representante da Fundação Friedrich Ebert, Lisboa)
André Freire (Professor no ISCTE, Lisboa)
14h45- Abertura
Alberto Martins (Deputado à Assembleia da República de Portugal) a confirmar
15h15- Referendos como instrumento para dinamizar a relação entre a sociedade civil e o poder político
Andreas Gross (Deputado ao Parlamento Nacional da Suíça)
Zoe Felder (Universidade de Marburgo)
16h00- Debate (moderador: André Freire, ISCTE)
16h45- Coffee break
17h00- Mobilização cívica na campanha do referendo nacional sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez
Elísio Estanque (Investigador do Centro de Estudos Sociais, Coimbra)
Ana Catarina Mendes (Deputada à Assembleia da República de Portugal)
17h30- Debate (moderador: José Pereira, ISCTE)
18h15- Encerramento
Reinhard Naumann (Fundação Friedrich Ebert, Lisboa)
*
O seminário decorrerá em português e inglês, havendo tradução simultânea. A entrada é livre.
Inscrições: Fundação Friedrich Ebert (tel.: 213573375; fax: 213573422; e-mail: info@feslisbon.org)

quarta-feira, 12 de março de 2008

A própria América Latina ganhou (e muito)!

Depois de ler esta notícia, e vendo as coisas de longe parece-me que há ainda ganhadores e perdedores na crise da semana passada na América Latina, que vale a pena referir (para além dos que já referiu o Manolo). De facto Chávez ficou mais uma vez mal na fotografia com a sua extemporânea escalada militar. O presidente colombiano Uribe, obviamente, ficou pior ainda porque violou o território, logo a soberania, de um país vizinho com o qual não está em guerra. Mais ainda porque impediu que os reféns das FARC sejam libertados nos tempos mais próximos - o que era talvez o seu real objectivo -, e não apenas porque as FARC se entrincheiram ainda mais ao serem atacadas, mas porque Reyes, o n°2 das FARC abatido estava a estabelecer contactos com vários países, nomeadamente a França, para negociar a libertação dos reféns. Há m pormenor importante nesta crise: a operação militar colombiana foi desencadeada por informações fornecidas pelos Estados Unidos (segundo o próprio ministério da defesa colmbiano), o que é bem revelador do quanto a administração Bush está interessada num clima de estabilidade na região. Sendo que a solução diplomática acabou por vingar a administração Bush é quem sai a perder da situação. Não deixa de ser muito significativo que a Colômbia, o hoje em dia o único real aliado dos E.U.A. numa região em que estes tinham por hábito pôr e depor ditadores a seu bel prazer, vendo-se encurralada e tendo que escolher entre a estrtégia de Bush e os seus vizinhos, tenha preferido estes. E não acredito que tenha sido um súbito acesso de boa-vontade de Uribe, que já demonstrou ter muito poucos escrúpulos, mas é tão mais significativo quanto Uribe tenha sido obrigado contra-vontade a optar pelos seus vizinhos em detrimento de Bush. Quer dizer que os vizinhos tem influência e poder suficientes para contrariar a política de Bush (e já agora a de Chávez também, já que este estava tão desejoso de uma escalada quanto o presidente gringo). Quem sai a vencer é afinal a América Latina, que conseguiu encontrar dentro de portas a solução para o imbróglio, demonstrando maturidade política e diplomática, e autonomia em relação aos E.U.A. Pelo que li parece que foram vários os líderes políticos locais que se envolveram decisivamente para procurar a solução diplomática, os presidentes da Argentina (Cristina Kirchner), do México (Felipe Calderon), da Niquerágua (Daniel Ortega) e da República Dominicana (Leonel Fernandez). É toda a América Latina quem sai a ganhar.

"Se Obama fosse um homem branco, ele não estaria nesta posição."

Sentenciou Geraldine Ferraro, a primeira mulher a concorrer à vice-presidência dos Estados Unidos, em 1984, e que integra a campanha de Hillary, em entrevista ao jornal The Daily Breeze of Torrance, publicada na última sexta-feira, numa clara manifestação racista. É assim que a senhora Clinton pretende vencer as primárias norte-americanas?

Adendo:

Agora quem decide são os superdelegados

Mesmo com a vitória de ontem no Mississipi, Obama dificilmente conseguirá os 2.025 delegados necessários para ser indicado candidato à presidência da República pelos democratas. O mesmo vale para Hillary Clinton. Ou seja: as primárias que restam não decidirão absolutamente nada e tudo ficará nas mãos dos superdelegados. As primárias do Partido Democrata são compostas por 4.049 delegados, sendo que 3.254 sãocomuns” e 796 são superdelegados. Qual a diferença entre eles? Delegados "comuns" votam de acordo com a escolha popular, enquanto superdelegados votam de forma independente, sem a obrigação de votar num ou noutro pré-candidato. Do total destes superpoderosos "eleitores", cerca de 500 não declararam voto, enquanto aproximadamente 200 apóiam Clinton e em torno de 100 estão com Obama. Em outras palavras, as primárias democratas poderão ser decididas pelo voto indireto. Que raios de democracia é esta