terça-feira, 18 de novembro de 2008

Política externa de Obama será conduzida por Hillary. É possível?

Barack-Obama-Hillary A se confirmar esta notícia do The Guardian, tudo indica que Obama cederá a pressões dos Clinton e nomeará a ex-primeira-dama como a sua secretária de Estado, o segundo cargo mais importante da república norte-americana e, em algumas situações, decisivo na política externa dos EUA. Este foi o caso, por exemplo, de Henry Kissinger durante os governos de Richard Nixon e Gerald Ford (1973 a 1977). Para quem foi cotada para ser apenas vice, até que Hillary sairá ganhando nesta troca, pois é grande a visibilidade política do cargo. Creio que poucos saberão responder quem foram os vices de George W. Bush, mas muitos saberão reconhecer Colin Powel e Condoleezza Rice. Também não dá pra esquecer Madeleine Albright (esta, aliás, já está dando as cartas na equipe de transição e representou o presidente eleito na última reunião do G-20) no segundo mandato de Bill Clinton.

O que será que está movendo Barack Obama pra conduzir Hillary Clinton à secretaria de Estado? Pra unificar os democratas? Não tenho certeza. Pra mim, um verdadeiro mistério. Além da sua pouca experiência (coisa que ela combateu em Obama durante as primárias democratas) em diplomacia, ela tem idéias conflitantes às propostas por Barack Obama em termos de relações exteriores. Senão vejamos.

Guerra do Iraque – Clinton votou no Senado a favor da resolução que autorizava o ataque ao Iraque, em novembro de 2002. Na ocasião, Obama era membro da Assembléia Legislativa de Illinois, mas se posicionava radicalmente contra a invasão, num comício realizado em Chicago 10 dias antes.

Cuba Também aqui há diferenças entre ambos. Clinton impõe pré-condições para iniciar o diálogo, assim como a democratização da ilha, libertação de prisioneiros políticos e o fim do controle das Comunicações Sociais. Já Obama aceita conversar com Raúl Castro (ou qualquer outro líder estrangeiro) sem qualquer pré-condição. Também sobre a polêmica quanto à liberação das viagens de famílias cubano-americanas a Cuba há divergências. Clinton é contra e Obama a favor. Quanto à retirada do bloqueio econômico a posição dos dois não é lá muito clara. Creio ambos são favoráveis à sua manutenção.

Irã/Israel/Palestina - Parece-me que nestes casos, a diferença entre eles e bem sutil. Durante as primárias, Hillary disse que a posição dos EUA não é negociável (?): "Os EUA ficarão com Israel agora e sempre", salientou. Já Obama enfatizou que fará "todo o possível" para "garantir a segurança de Israel" e "dará fim à ameaça" do Irã. Neste acaso, a exemplo de Cuba, Obama não impõe pré-condições para abrir o diálogo com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, mas reconhece a “importância da preparação de uma pauta onde se aborde direitos humanos, libertação de presos políticos, abertura para a imprensa e etc”. Creio que nesta questão há uma pequena incoerência do presidente eleito, pois “a preparação de uma pauta” não deixa de ser uma pré-condição. Mas, enfim, às vezes Obama não tem sido muito claro em algumas questões mais polêmicas, principalmente em relação à situação Palestina. Fora a posição em defesa de Israel, não sei na verdade o que realmente eles pensam. Neste caso, basta que respeitem as resoluções da ONU.

Desarmamento - Aqui as coisas não são diferentes. Em setembro de 2006, o Senado votou uma emenda que proibia os EUA de exportar bombas de fragmentação (cluster bombs), exceto quando a compra incluísse a proibição de seu uso e estocagem em áreas habitadas por civis. A emenda foi derrotada. Obama votou a favor. Clinton foi uma de 15 democratas que votaram com os republicanos para derrotá-la. Na sequência, Hillary também votou com os republicanos a aprovação de outra mediada que qualificava as forças armadas do Irã como uma organização terrorista. Bolas, que raio é isso? O Senado norte-americano DECLAROU que as forças armadas de uma nação soberana são terroristas? Isto só pode ser piração.

Bem, vamos ver se se concretiza a tal notícia. Ela poderá se concretizar caso Obama não se oponha às relações comerciais e filantrópicas da Fundação Bill Clinton espalhadas pelo mundo. Neste caso, deveria haver uma divulgação pública totalmente transparente do verdadeiro montante recebido pelo ex-presidente e quem são os doadores. Há quem diga até que a tal fundação já movimentou quase 500 milhoes de dólares e que tem recebido vultosos donativos de xeques árabes.


2 comments:

xatoo disse...

p/f
qual é a fonte de onde este texto brasileiro foi decalcado?

Manolo Piriz disse...

Xattoo, pra quem acompanhou minimamente as primárias isto aqui não é novidade alguma. Estes temas foram abordados inúmeras vezes pelos candidatos (programas de governo, debates e discursos) e veiculados à exaustão pela comunicação social norte-americana e mundial. Aliás, algumas das informações aqui contidas já foram por mim abordadas anteriormente. Neste caso, só juntei as peças pra mostrar a contradição da provável "escolha" de Obama. Não vejo mistério algum nisso.