sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Dia mundial da alimentação (foi ontem)

Em Inglaterra só se pensa em comida. [E ainda bem, porque se está a comer muito melhor na Ilha]. Só que esse interesse vai para além da introdução do alho, cebola e mais temperos, do «estilo mediterrânico», ou da abertura de cafés «à la Provence», e envolve uma reflexão séria sobre o que se come.
O debate partilhado por políticos, universitários e cozinheiros (o incontornável Jamie Oliver), parece ter chegado a uma triste premissa: os hábitos alimentares dependem inevitavelmente do dinheiro que se tem, o que acarreta consequências que vão desde os níveis de rendimento escolar, à (e esta conclusão é arrepiante) esperança média de vida. "Sharp inequalities can be clearly mapped, even short distances apart. Travel the eight stops on the Jubilee line tube from Central London's Westminster to Canning Town and you find a decrease in life expectancy of nearly one year for each station going east.
A child born in one deprived Glasgow suburb can expect a life 28 years shorter than another living only 13km away in a more affluent area, a three-year investigation for the World Health Organisation found in August."
Até o Doclisboa reflecte esta questão nacional, já que dois documentários ingleses são sobre comida: All White in Barking, um olhar para a imigração e o racismo através das refeições dos habitantes de Barking e The lie of the land, sobre a sustentabilidade do modo de vida dos agricultores ingleses.
Por cá o tema não articula especialistas de vários sectores e tem-se resumido, sempre na vaga confusão entre alimentação saudável e dieta, a fracas tentativas de retirar os «Bolicaos» das escolas, ou a reportagens incríveis sobre os benefícios da «cervejinha» (sendo o estudo português, naturalmente).
Agora, imaginem só, uma grande equipa que realmente congregasse Ministérios (o da Educação; do Trabalho e Solidariedade Social), Universidades (Faculdade de Ciências; Faculdade de Motricidade Humana; Escola Hoteleira), Câmaras (no caso de Lisboa, desde logo José Miguel Júdice a oferecer trabalho voluntário do chef do Eleven), empresários (Belmiro e os seus Continentes) e a nossa chef Maria de Lurdes Modesto, todos a trabalhar sobre as desigualdades alimentares. Supomos que fizesse alguma diferença.
Imagem: O chef Jamie Oliver que se tem vindo a envolver socialmente em várias causas alimentares e que dá, ele próprio formação nos seus restaurantes a jovens provindos de classes desfavorecidas.

3 comments:

fili disse...

agora teremos alguém do nosso circuito a pensar sobre o assunto, nada mau. um beijo de nyc!!

Matos disse...

misturar racismo com alimentação, é o sinal inequívoco que o totalitarismo multi-culturalista neocolonialista, chegou a uma ultima fase de endoutrinação forçada ... já nem a coerência é requisito nos argumentos, qualquer ladainha mal amanhada serve para criar nos Europeus autócnes um sentimento de culpa e de subserviência para com os alienígenas ... surreal, verdadeiramente Orwellianos

o mais irónico, é essa suposta discriminação, ocorrer num dos Países mais multi-culturalistas do planeta... se a Inglaterra não é um país de acolhimento para imigrantes, então, qual será ?

Paula Tomé disse...

Carla, achei o artigo muito interessante e muito a propósito. A campanha do nosso amigo JO continua a dar que falar. Aqui fica um link das últimas novidades. http://www.guardian.co.uk/lifeandstyle/2008/oct/21/oliver-localgovernment