domingo, 27 de dezembro de 2009

Quando Dickens brindava com vinho do Porto (II)

- Passa-se alguma coisa com o senhor Snodgrass, senhor? - perguntou Emily, muito ansiosa.
- Não se passa nada, minha senhora - redarguiu o desconhecido. - Partida de críquete... jantar... festa de arromba.... canções fantásticas... Porto velho... clarete... muito bom, vinho belíssimo... O vinho, minha senhora, vinho...
- Não foi o vinho - murmurou o Sr. Snodgrass numa voz entrecortada. - Foi o salmão.
(Pode ser qualquer outra coisa, mas o vinho nunca é causa de nada nestas circunstâncias.)
- Não era melhor eles irem para a cama, minha senhora? - perguntou Emma. - Dois dos moços podem conduzi-los até lá acima.
- Eu cá não vou para a cama - declarou o Sr. Winkle, peremptório.

Charles Dickens, Os cadernos póstumos do Clube Pickwick,
Lisboa, tinta-da-china, 2009, p. 148 (v.o. de 1837)