sexta-feira, 24 de abril de 2009

Conservadores tentam golpe branco no Paraguai (atualizado)

2785G_fernando_lugo_paraguay O ex-bispo católico a agora presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, está a ser submetido a um injusto julgamento político devido à polêmica causada pelas reivindicações de paternidade que enfrenta. Como é composto por uma maioria conservadora, o Parlamento paraguaio tenta criar um clima de crise institucional para promover a abertura de um processo de impeachment. O que não deixa de ser uma tentativa de “golpe branco”. Lugo errou sim. E deve pagar pelo seu erro. Mas não politicamente. Deverá responder somente à Justiça pelo abandono material a que submeteu seus filhos ao não assumir a paternidade. Nada além disso, pois antes de ser religioso ou presidente da República ele é um ser humano e como tal tem todos as necessidades fisiológicas de um ser humano. Mesmo porque o que fez durante o celibato não é novidade alguma pra Igreja católica, que há séculos varre tadas as suas contradições pra debaixo do tapete. Mais.

Lugo pede perdão e diz que não renuncia - “Peço perdão reiteradamente. Sou o presidente eleito para a mudança e essa mudança não será freada. (...) Não era a minha intenção ofender a ninguém. Reconheço que faltei à Igreja e aos cidadãos que confiaram em mim. Mas a constituição nacional permite a privacidade, o que for além disso será resolvido como questões constitucionais. Não escaparei às minhas responsabilidades de presidente. (...) Sou um ser humano, fruto de processos históricos, perfil de minha cultura”. Mais.

“Todos erram”, dizem bispos - “As pessoas que construíram a Igreja são falíveis. A Igreja sempre pregou para se acolher o pecador, embora não admita o pecado. É claro que o bispo não é só uma pessoa que prega a verdade, mas que precisa viver a verdade. Isso não quer dizer que a Igreja vai ficar desacreditada com as fraquezas de seus membros”, disse dom Antônio Augusto Duarte, bispo auxiliar do Rio de Janeiro.

Para o arcebispo do Rio de Janeiro e porta-voz da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Orani Tempesta, cabe à comunidade julgar os erros dos membros da Igreja. “Cada pessoa responde à fidelidade ou à infidelidade daquilo que promete. Acho que não cabe à Igreja julgar ninguém, mas a cada um de nós, vendo as coisas, dizer se estou sendo fiel àquilo com que me comprometi”. Mais.