sexta-feira, 3 de abril de 2009

G20: um filme hollywoodiano visto muitas vezes

dolares Apesar de todo o estardalhaço em torno das decisões de G20, creio que uma das promessas não será cumprida: a da criação de um fundo pra combater a pobreza no mundo. Esse filme já vi diversas vezes em outras cimeiras. Se quisessem já o teriam feito. Em 2005, os países mais ricos do mundo se comprometeram investir 0,7% de seu PIB para ajudar o desenvolvimento dos mais pobres. Mas até agora nada.

Segundo o relatório da ONU “Investindo no Desenvolvimento: Um Plano Prático para Atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio” (o maior estudo da História realizado sobre a pobreza no mundo), bastaria investir cerca de US$ 135 bilhões anuais até 2015 para tirar 500 milhões de pessoas da linha de miséria crônica. O que não seria difícil uma vez que esse valor total é um pouco mais do dobro do que foi prometido agora pra maquiar o combalido sistema econômico neoliberal até final de 2010, para torná-lo um travesti mais vistoso aos olhos dos ingênuos.

Não tenho a menor dúvida de que os principais favorecidos serão o FMI, o Banco Mundial, o sistema financeiro, bancos e empresas falidas. E tudo isso com o dinheiro público. Não acredito em uma nova ordem econômica mundial, como também não acredito nas boas intenções desses senhores do G20. Não é possível falar em uma nova ordem mundial sem uma ação concreta que permita erradicar toda a miséria do mundo. Palavras o vento leva. Mesmo que sejam de Obama, que agora tenta convencer a UE a gastar seu rico dinheirinho na "guerra contra o terror". Segundo a ONU, os países gastam cerca de 1.000.000.000.000 de dólares por ano na compra de material bélico. Como se vê, dinheiro pra guerra também há.

3 comments:

Paula Tomé disse...

Olá Manolo,

"We, the Leaders of the Group of Twenty, will use every cent we don't possess to rescue corporate capitalism from its contradictions and set the world economy back onto the path of unsustainable growth. We have already spent trillions of dollars of your money on bailing out the banks, so that they can be returned to their proper functions of fleecing the poor and wrecking the Earth's living systems. Now we're going to spend another $1.1 trillion. As an exemplary punishment for their long record of promoting crises, we will give the IMF and the World Bank even more of your money. These actions constitute the greatest mobilisation of resources to support global financial flows in modern times.

Oh - and we nearly forgot. We must do something about the environment. We don't have any definite plans as yet, but we'll think of something in due course."

E está tudo dito!
in http://www.guardian.co.uk/environment/georgemonbiot/2009/apr/02/1

Daniel Melo disse...

Curto e directo!
A guerra, sempre a guerra.
E as prioridades políticas, bem unidireccionadas...

Manolo Piriz disse...

Oi, Paula.

Somente a ironia com muito humor pra definir bem esse gigantesco circo que foi armado em Londres. Aliás, se esses tais “gês” cumprissem um décimo de suas promessas feitas ao longo do tempo, teríamos outra realidade mundial, seja no plano econômico ou social. Na verdade, esses tais “gês” só servem à arrogância, ao ego, e ao populismo barato de muitos de seus líderes. É como dizem por cá: mudam-se as moscas, mas a bosta é a mesma.

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É isso aí, Daniel.

O que aconteceu em Londres foi coisa pra inglês ver. Tomaram algumas medidas aqui e ali só pra mostrar à opinião pública que são gajos sérios. Muitos deles estão na verdade de olho em suas respectivas campanhas eleitorais, como é o caso do presidente Lula, que chegou a insensatez de oferecer dinheiro pro FMI quando no Brasil há quase 30 milhões de miseráveis, que sobrevivem com menos de 40 euros por mês, e uma violência urbana já comparada a muitas guerras. É o caso do roto a falar do remendado.