terça-feira, 2 de setembro de 2008

De qual Geórgia fala a UE?

Pela voz de Nicolas Sarkozy, ouviu-se ontem a União Européia declarar que o bloco irá adiar os acordos políticos (???) e econômicos com a Rússia neste mês até que o presidente Dmitri Medvedev (ou Vladimir Putin, pois sei lá quem é de fato o novo czar do país) retire suas tropas da Geórgia. Como perguntar não dói nadinha, pergunto eu: a UE considera Ossétia do Sul e Abkházia partes do território georgiano?

2 comments:

Daniel Melo disse...

É uma pergunta provocatória mas com cabimento.
O problema é que o precedente do Kosovo foi uma pedra no sapato da UE e dos EUA.
Seja como for, trata-se de ponderar 2 princípios no direito internacional: o direito à integridade territorial e o princípio da autodeterminação dos povos.
O mais correcto seria dar a palavra às populações locais, sob os auspícios da ONU, mas a Rússia vai opor-se (hoje, por ex., ninguém sabe quantos são os habitantes dessas regiões georgianas).
Soube-se ontem, numa notícia que passou muito timidamente, que a OSCE tinha declarado que as hostilidades foram abertas pelo pres. da Geórgia.
Enfim, é mais um imbróglio que está para durar...

Manolo Piriz disse...

E que imbróglio, Daniel.

Realmente, quando a UE e os EUA reconheceram a independência de Kosovo, a Rússia pulou nas tamancas. Agora quem pula nas tamancas são os EUA e UE. É aquela velha história do “faça o que digo, mas não faça o que faço”. Bem diferente do que acontece com outros movimentos separatistas europeus (na Espanha e na Bélgica, por exemplo), o problema nessas regiões não se limita, creio eu, às questões essencialmente nacionais, como o direito à integridade territorial, de um lado, e o princípio à autodeterminação, do outro. Vai além, pois envolve interesses geopolíticos pontuais. Parece-me que o fantasma da “guerra fria” ainda ronda a Europa, os EUA e a Rússia.