terça-feira, 27 de novembro de 2007

Impressões madrilenas

Voltei a Madrid a semana passada, após 7 anos de ausência, e gostei mais agora do que então. Talvez porque tenha visto uma Madrid mais intercultural. Não que ela não existisse antes, talvez me tenha passado ao lado.
A começar pelas gentes nas ruas e nos estabelecimentos, com muitos imigrantes, sobretudo latino-americanos. Depois, a retrospectiva da Paula Rego no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, muito forte, embora o espaço parecesse apertado.
Ademais, os melhores restaurantes foram galegos: o Taberna Maceiras, com música tradicional galega e um ambiente muito acolhedor (+info e imagens para salivar aqui e aqui) e a Marisquería Ribeira do Miño, esta mais antiga e finalizando os repastos com a tradição do conjuro, uma queima para fazer ponche de café acompanhada da leitura dum texto de esconjuro.
Deu ainda para ver a exposição que inaugurou o anexo do Museo Nacional del Prado, Fábulas de Velázquez, que mostra o lado menos conhecido deste pintor, enquadrado por outros pintores e quadros que o influenciaram.
E livrarias, muitas, e manifestações, ao largo (não são monopólio de França, hélas!). E muito passeio...
Duas coisas ficaram em falta: ver o Rastro (a Feira da Ladra lá do sítio) e comprar uma garrafa de aguardente de medronho. É verdade, nem na cidade que tem como símbolo um medronheiro cobiçado por um ursão guloso foi possível encontrar, em pouco tempo, o divino néctar. Fica para a próxima.

11 comments:

Elisa disse...

que inveja. Teres ido ver a retrospectiva da Paula Rêgo... quanto a Madrid...Madrid Me mata Siempre. Aliás, toda a Espanha é absolutamente... sei lá, muito melhor do que isto em que vivemos. Não percebo porque é que não podemos ser espanhois :-(

Renato Carmo disse...

Não de amargures, como dizia o outro somos cidadãos do mundo :)

Zèd disse...

Porque a Espanha é uma monarquia...

Zèd disse...

O comentário anterior é em resposta à Elisa.

Daniel Melo disse...

É verdade, Elisa, às vezes dá vontade de pedir por mais :|
Agora gosto mais de Madrid (apesar do seu lado monumental), mas acho que ainda prefiro Barcelona, e continuo a gostar muito de Santiago e Sevilha (vá, também um pouco de Salamanca).
Por cá, vamos melhorando (pelo menos em Lisboa e Porto, que são as cidades que conheço melhor), se calhar mais devagarinho.
Somos mais pobres, com menos escala e mais conservadores, deve ser por isso..
By the way, fui duas vezes a Aveiro e gostei da cidade, pode-se andar a pé (e de buga!), tem uma boa livraria, um teatro bonito, uma ria magnífica. E mais segredos que tu deves conhecer ;)

Manolo Piriz disse...

Ola, Daniel.

Da próxima vez, vá até las tiendas de Licores Cortés (situadas em pleno centro de Madrid) que, com certeza, vais encontrar aguardente de medronho a dar com pau. Já em Salamanca, vale tudo. Acredito que é a cidade com o maior número de bares por habitante. E com "tapas" bem convidativos...Tim-tim

Sofia Rodrigues disse...

Uma vez em Madrid esqueçam as bebidas típicas e provem o melhor, mas mesmo o melhor vodka que já beberam na vida no restaurante/bar escandinavo Olsen (www.olsenmadrid.com)

Daniel Melo disse...

Manolo e Sofia, obrigado pelas dicas, fica anotado para a próxima investida, que espero seja menos intervalada no tempo :)

Ana Matos Pires disse...

Apertado é o mínimo que se pode dizer do espaço da exposição da Paula rego, Daniel, coitados dos quadros todos a gritar.

Daniel Melo disse...

Tens razão, Ana, o espaço era manifestamente exíguo para uma mostra daquele fôlego.
Há museus em Paris e Londres com bastante mais espaço para as temporárias do que o Rainha Sofia, mesmo tendo colecções permanentes.
Já o novo anexo do Prado é espaçoso, permitindo inserir quadros de dimensões 'monumentais'.

Elisa disse...

Daniel
a minha cidade espanhola favorita é Santiago. E depois Madrid. Depois talvez Barcelona... mas eu gosto de toda a Espanha e, sim, mesmo cidadã do mundo, gostava de ter no BI nacionalidade: espanhola. Pronto. Mesmo não sendo pró-monarquia, até aguentava o Juan.