domingo, 26 de julho de 2009

A gripe irónica


Manuela Ferreira Leite diz que não vai a Chão da Lagoa porque apanhou uma gripe. A gripe é acaso, estratégia ou conspiração? Esta fotografia em que parece que está quase a espirrar não vale como prova, pois foi tirada antes da notícia contaminar a comunicação social. A avaliar pelas reacções à notícia, aqui, muita gente acha a gripe demasiado conveniente. Assim Manuela Ferreira Leite evita comprometer-se com os disparates de Alberto João Jardim. Assim evita comentá-los ou demarcar-se deles. Assim evita a incomodidade de fazer política.
Espanta a secura da notícia sobre a principal líder da oposição e candidata a primeira-ministra. Até sobre o ainda vago acidente de Sarkozy temos mais informação. E não paira sobre ele a hipótese de ter sido contagiado pela epidemia do ano. Trata-se ou não da gripe A? Está a ser acompanhada por um médico do Serviço Nacional de Saúde ou privado?

Aqui como no resto a política de verdade é política de omissão. O silêncio é laranja e abre caminho a interpretações que vão desde a estratégia política à teoria da conspiração. Será que Manuela Ferreira Leite leu este poste do Daniel Melo, resolveu imunizar-se contra a gripe e depois avança para uma guerra biológica? Não o creio. Esta gripe deve ser apenas outra ironia.




3 comments:

Manolo Piriz disse...

João, a esta altura do campeonato, a Madeira do excêntrico (digamos assim) Alberto João Jardim pode ser um campo-minado pras pretensões políticas dos laranjas do continente. O melhor a fazer neste momento é se afastar dele pra não correr o risco de ser contaminado por um vírus muito mais letal que qualquer outro da gripe. Afinal, o homem até Zeppelin tem abatido ultimamente.

João Miguel Almeida disse...

É mesmo assim, Manolo. Alberto João está sempre a ultrapassar os seus próprios limites.

Daniel Melo disse...

Das baixas fraudulentas à gripe irónica é já um avanço civilizacional.
Digo eu, que vi para crer, e que fiquei com uma ideia neo-realista da coisa.
O que não invalida as leituras mais 'semióticas'.