sexta-feira, 3 de julho de 2009

Lula, apenas uma triste e sombria imagem do que já foi no passado

lulaSombraAMar Quem te viu, quem te vê!? É o mínimo que posso dizer neste momento do presidente Lula da Silva e o PT (Partido dos Trabalhadores). Daquela imagem do sindicalista combativo da Ditadura Militar, do homem que defendia preceitos éticos na política brasileira e a moralidade pública só resta uma triste e sombria imagem perdido no passado. Uma imagem fascinada pelo poder e suas benesses, onde a arrogância, a vaidade e a falta de escrúpulos políticos beira à indecência. Uma imagem fantasmagórica e de contorno obscuro.

É desolador vê-lo agora a advogar por uma das figuras mais repugnantes do cenário político brasileiro, o senador e ex-presidente da República José Sarney. Sarney além de ter sido um ferrenho defensor e cúmplice da Ditadura Militar, é o homem cuja biografia política é composta apenas por falcatruas. Mantê-lo na presidência do Senado, como defende incondicionalmente Lula, é o mesmo que dar as mãos e acolher pra si o que há de mais sujo em toda História da República brasileira. Pior. É perpetuar no poder uma corja que tomou de assalto este país, em 1964, e dele fez (e faz) um balcão de negócios pessoais. É como dar na cara de muitos brasileiros que acreditaram que o interesse público ficaria acima do interesse privado quando o elegeram para ocupar o suntuoso Palácio da Alvorada.

Enfim, seria interessante que Lula e o PT explicassem publicamente (não com a retórica da governabilidade como estão a fazer) por que deixaram para traz todo um passado ético e agora se aliam ao que há de mais podre, imoral e nocivo no Brasil. Mas creio que isso não será mais possível, mesmo por que esse passado já está morto e enterrado a 7 palmos do chão. E eu não acredito em ressurreição.

***

Alguns dos escândalos mais recentes do Congresso Nacional:

Atos secretos – Os atos secretos foram decretados para nomear parentes, amigos, criar cargos e aumentar salários sem qualquer critério técnico. Um levantamento mostra que mais de 600 decisões não foram publicadas no Diário Oficial da República. Entre os muitos beneficiados, constam nomeações de parentes e afilhados de Sarney. Também se descobriu que os tais atos secretos serviram para pagarem o salário (aproximadamente 12 mil reais) de um mordomo da agora governadora Roseana Sarney (filha do dito cujo), reformas luxuosas de casas e cirurgias estéticas da madame.

Passagens aéreas - Deputados e senadores levaram parentes e assessores em viagens pelo Brasil e para o exterior usando a cota de passagens aéreas do Congresso.

Horas extras - Pagamento de 6,2 milhões de reais de horas extras a mais de 3.000 funcionários em janeiro, quando o Congresso Nacional está em recesso parlamentar.

Caso Zoghbi - O ex-diretor de Recursos Humanos, João Carlos Zoghbi, é acusado de cobrar propina para favorecer empresas interessadas em prestar serviços ao Senado. Também foi acusado de usar a ex-babá como “laranja” para receber 2,3 milhões de reais do Banco Cruzeiro do Sul, responsável por operações de empréstimos consignados a funcionários do Senado.

Caso Agaciel - O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, foi acusado de omitir de seu patrimônio uma mansão de 5 milhões reais e de fazer contratos irregulares.

Auxílio moradia - Sarney admitiu que vinha recebendo 3.800 reais de auxílio moradia desde 2008. O benefício não deveria ser concedido, uma vez que Sarney mora em Brasília.

Nepotismo - Diretores burlavam a lei antinepotismo empregando parentes por meio de empresas terceirizadas.

Celular - O senador petista, Tião Viana, cedeu um celular do Senado para a sua filha, que viajou de férias para o México e gastou quase 15 mil reais em ligações.

Funcionária fantasma - A funcionária fantasma Luciana Cardoso, filha do ex-presidente tucano, Fernando Henrique Cardoso, admitiu que “trabalhava” em casa porque o “Senado é uma bagunça generalizada”.

Jatinho – O senador cearense Tasso Jereissati (PSDB) usou parte de sua verba de passagens para fretar jatinhos e viajar alhures.

Fonte: Jornal o Estado de São Paulo.

3 comments:

jozahfa disse...

Seria interessante, senhor Manolo, que o senhor esticasse um pouco mais a sua postagem, o seu texto tão ornado de inflexões moralistas (vê-se que trata-se de alguém plenamente apto a atirar pedras), e nos explicasse qual deveria ser a atitude do presidente Lula com relação à inesperada, súbita e inimaginável crise de nosso senado. Realmente, muito me espanta como as crises fabricadas se adéquam aos interesses de oligarquias midiáticas como à qual deve, certamente, pertencer vossa senhoria. Aliás, as palavras com as quais vossa senhoria termina o primeiro parágrafo de tão ilibado texto não seriam melhor aplicadas ao governador do estado em que reside tão arguto e original jornalista, o excelentíssimo José Serra, conhecido também por Zé Pedágio? Pois fantasmagóricas e obscuras me parecem ser as profundíssimas crateras em obras públicas e os repetidos engavetamentos de denúncias e CPIs criadas em seu governo, tal como a última em que manda suspender sindicância sobre irregularidades na compra de material didático. Entre dezenas de outras falcatruas, nós sabemos, não? Ignoro porquê estou a me dar ao trabalho de perder meu tempo com as vossas bobagens pois, de antemão, sei que esse tipo de manipulação da opinião alheia tem pernas curtas. O que lamento mesmo é verificar que terei que abandonar a visita a uma página que sempre achei interessante para evitar ter que cansar meus olhos sobre vossas tristes, decadentes e reacionárias linhas . O senhor acha que está enganando a quem? Triste é fim das oligarquias midiáticas paulistas. Ad aeternum.

Manolo Piriz disse...

“.."...à inesperada, súbita e inimaginável crise de nosso senado”. Com essa afirmação, jozahfa, creio que não vives em terras brasileiras.

Como fonte de informação, indico-te o império de comunicação social que a família Sarney e seus aliados políticos (leia-se quadrilha) detêm nas regiões norte e nordeste do país. E tudo isso conquistado com o dinheiro público. Vale lembrar que boa parte desse império foi construído quando Sarney era presidente da República e o falecido Antônio Carlos Magalhães era o ministro das Comunicações. E essa farra continua até hoje. Aqui tens um aperitivo: http://www.brasildefato.com.br/v01/impresso/anteriores/jornal.2009-03-10.6879768371/editoria.2009-03-11.3000122871/materia.2009-03-12.4964815895

O resto não retruco por que são meros clichês retóricos.

josaphat disse...

Amigo, se a tua capacidade de entender a ironia for mesmo, como eu pensava, semelhante à tua imaginação política, então, desista da profissão de jornalista e vá plantar couves! Serás mais feliz, saudações...