quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Mais uma vez a ditadura da mídia...

Já não é novidade a ditadura que a mídia tem exercido sobra a sociedade brasileira. Tudo em nome da democracia e da liberdade de informação. O direito à informação é sem dúvida alguma uma das molas mestras da democracia. Mas o seu exercício sem nenhum critério, ou tendo como critério apenas os interesses de determinados grupos não parece algo tão benéfico para uma sociedade. Os dois últimos acontecimento de maior impacto na política brasileira mostram como o "do dever de informar" se tem transformado numa verdadeira ditadura.
No primeiro caso, há duas semanas, o julgamento dos envolvidos no chamado "mensalão", pelo Supremo Tribunal Federal, um dos magistrados da suprema corte afirmou que diante da pressão execerida pela imprensa, o resultado não podia ter sido outro se não transformar os acusados em réus. Ou seja, segundo o ministro Ricardo Lewandowski "Todo mundo votou com a faca no pescoço". Em entrevista à Folha de São Paulo, no dia 30 de agosto, o mesmo magistrado afirmou: "A imprensa acuou o supremo".
Para a grande imprensa, nomeadamente o Grupo Abril, que publica Veja, e o grupo Folha, ligados à elite económica paulista, interessa antes de tudo, qualquer desgaste sofrido pela esquerda, ou a base aliada do governo Lula.
O segundo caso, passou-se ontem com a votação pelo pelnário do Senado Federal, da proposta de cassação do mandato do presidente da casa, senador Renan Calheiros. Embora nenhum processo ainda estivesse concluído, e não se tenha provado nenhuma das acusações. Ora, quem conhece a política brasileira sabe que Calheiros é uma "raposa velha", e que, como boa parte dos líderes estaduais, estende sua influência política sobre negócios que pouco tem a ver com a política. (compra de empresas, de fazendas, emissoras de rádio). Portanto não se trata de advogar a sua inocência. No entanto, a condenação prévia sem que o processo sequer seja concluído não parece adequada
O resultado da votação foi a rejeição da propoosta de perda do mandato, por 40 a 35 votos. Um facto porém chamou-me a atenção. Já houveram processos anteriores por quebra de decoro parlamentar, no senado federal. Em dois deles, envolvendo os Senadores Atónio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda, aliados do então presidente FHC, ambos renunciaram aos mandatos e escaparam à cassação, preservando assim o direito de concorrer à novas eleições. No caso do senador Calheiros , o mesmo esperou pelo julgamento dos colegas. Não saiu pela via mais fácil que era a renúncia.
E não lembro de nos casos anteriores a grande imprensa estar tão preocupada em preservar a imagem do Senado Federal.

1 comments:

Ma P. disse...

Olá, João Rodrigues.

Desculpe-me, mas não posso deixar de fazer aqui algumas ponderações ao seu post. Concordo contigo quando dizes que alguns órgãos da imprensa brasileira têm extrapolado nos ataques sistemáticos que fazem ao governo Lula e à base aliada. Entretanto, é um engano de sua parte afirmar que Calheiros foi levado a julgamento pelos seus pares sem que "nenhum processo ainda estivesse concluído".

O processo seguiu sim todo o ritual a que deveria seguir dentro do Senado Federal, ou seja: a denúncia contra Calheiros (apresentada pelo Partido Socialismo e Liberdade- PSOL) foi aceita pela Mesa Diretora e encaminhada à Corregedoria junto com a defesa do senador. Depois disso, a denúncia seguiu para o Conselho de Ética, onde por 10 a 5 foi aceita e encaminhada à Comissão de Justiça que, por 20 a 1, também deu seu parecer favorável à cassação do senador Renan Calheiros (que, aliás, é réu confesso, pois confirmou que usou o tal lobista para efetuar os tais pagamentos - isso por si só configura-se falta de decoro parlamentar). Em todas as instâncias o voto foi aberto, ao contrário do que aconteceu no Plenário do Senado Federal, onde também a sessão foi secreta e fechada a todos os brasileiros.

Outro equívoco é afirmar que o senador Antônio Carlos Magalhães era aliado de FHC quando foi acusado de violar o sigilo do painel eletrônico depois da cassação de Luiz Estevão. O ACM apoiou sim o FHC na sua reeleição, mas tinha passado pra oposição naquela altura e já lançava seus olhares sobre a candidatura de Lula contra Serra. Tanto isso é verdade, que em seu discurso de renúncia atacou duramente o governo FHC: "Enquanto sou o centro das atenções no país, questões mais cruciais no plano econômico e moral se agravam diante da inércia e incompetência dos governantes", disse ele.

Um abraço.