sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Oliviero Toscani, quem mais...?


Oliviero Toscani, o fotógrafo italiano que ficou conhecido uso de imagens de choque na publicidade para a Benetton, lançou agora mais uma campanha, para outra marca de roupas. Desta vez o tema é a anorexia, o efeito é o mesmo de sempre.

P.S. - Por acaso vi uma reportagem sobre a produção desta imagem, e a mulher que é fotografada está perfeitamente consciente das implicações da campanha, e é consentânea. Para ela é uma parte do tratamento da anorexia, e uma forma de chamar a atenção para o problema, sem tabus.

10 comments:

WomenageATrois disse...

ao toscanini, neste caso em concreto, alguém devia ter dado um par de tabefes tal foi o grau de disparate do q lhe saiu pela boca a propósito da campanha. Se te quiseres entreter com uma longa discussão sobre o tema aqui a tens:
http://womenageatrois.blogspot.com/2007/09/blog-review_25.html

shyznogud

WomenageATrois disse...

toscani, bolas. Ah! e tb. vi/ouvi a modelo da campanha.

Zèd disse...

Shyz,
Ainda não li todos os comentários da discussão, mas:
- Não subscrevo tudo o que diz o Toscani. Não acredito que a moda seja a causa da anorexia, quando muito a anorexia e o culto da magreza na moda resultam de uma causa comum: a pressão social para se ser magro (se o fenómeno é recente, ou antigo desconheço, mas é real).
- Não obstante admiro o talento de provocador de Toscani, e mesmo que ele esteja errado nas suas justificações para as causas da anorexia, a campanha pode servir para chamar a atenção para um problema que existe, e abalar os tabús sobre o assunto, para que possa haver uma discussão pública útil.

No recato dos consultórios pode tratar-se a anorexia, mas não se faz a prevenção, essa faz-se pela discussão aberta do assunto.

Shyznogud disse...

Ah! mas então estamos a falar de coisas diferentes, campanhas provocatórias até me agradam, mas não têm q ter associadas alarvidades ditas pelo autor da mesma.
Agora vamos à crítica: não, a anorexia não resulta nada de pressão social para ser magro. É este tipo de afirmações q contesto e q, na minha opinião, desvalorizam a anorexia como doença (by the way, como "companhia" no link q deixei antes tenho a minha irmã q - não por acaso, diga-se - é psiquiatra. )

Zèd disse...

Sim estamos a falar de coisas diferentes, e sim analizemos a campanha separadamente do que o autor diz.

E retiro o que disse "a pressão social para se ser magro" pode até ser uma (pequena) parte do problema mas dizer que é a causa da anorexia é de facto demasiado redutor. Nada do que eu possa dizer pretende desvalorizar a anorexia como doença. Apenas me parece (e posso obviamente estar errado) que a anorexia é essencialmente causada por factores ambientais (sociais, familiares, etc...), não deixa de ser uma doença por isso.

WomenageATrois disse...

Fazendo copy/paste lá da xafarica:

«Usando um dizer de D. Sampaio “sabe-se, porém, que a anorexia não é uma doença de moda e existem já dados consistentes que apontam para uma origem genética.”. Já agora deixo a conceptualização da doença por ele proposta, na qual demarca 3 diferentes fases no processo etiológico:
F1 ou de vulnerabilidade, em que os factores biológicos, a hereditariedade e o desenvolvimento contribuem para a instalação da doença;
F2 ou de precipitação, em que factores de ordem familiar e sócio-cultural surgiriam, confluindo com determinados acontecimentos de vida e um forte sentimento de inadequação a precipitar o início de uma dieta para modificar a imagem corporal;
F3 ou de manutenção, em que os efeitos da privação alimentar iriam perpetuar a alteração do comportamento alimentar.» e «Quanto à prevalência, são apontados valores inferiores a 0,5% (para a bulimia referem-se 3%, o que quer dizer que, em termos de saúde pública” a bulimia é muito mais importante que a anorexia, apesar desta última ser muito mais mediatizada).

A maioria dos dados relativos à doença resulta de estudos feitos nos países desenvolvidos. Nos últimos anos, contudo, a anorexia começou ser estudada em países em desenvolvimento e constatou-se que está presente, também, nas populações mais desfavorecidas e isoladas das propagandas “do corpo magro”.

Estes dois últimos dados são particularmente relevantes para a discussão que temos estado a ter, cuja base inicial foi, relembro, a afirmação de Toscanini "(...) doença, causada na maioria dos casos por estereótipos impostos pelo mundo da moda".

0,5% é uma prevalência relativamente baixa (felizmente). Ora sendo o efeito do marketing da moda tão poderoso e generalizado nos países desenvolvidos, como explicar esta tão baixa prevalência? Do mesmo modo, e pela mesma razão mas “do avesso”, como explicar a existência de anorexia nos países onde a pressão do referido efeito da moda não se faz sentir?»

Voltando ao Toscani: o problema é q, neste caso, o autor é quase tão importante como a campanha logo o que ele diz tem ecos brutais, tão grandes ou maiores do q as imagens apresenta. Aliás, foi um instantinho enqto toda a gente se pôs a discutir moda e ninguém analisou, por exemplo, o efeito perverso da imagem junto das anas e das mias q - sabe-se lá - de repente vão ver nessa modelo um ícone a imitar.

shyz

Zèd disse...

Syz,
Eu gostava de saber quais são "os dados consistentes que apontam para uma origem genética.” Fiz uma pesquisa rápida, e o que encontrei foi algumas evidências que alguns genes conferem alguma predisposição, o que é muito diferente. Pôr "as culpas" para cima dos genes também é uma solução fácil, mais fácil do que dizer que não se compreende o problema. No resto achei o conteúdo do teu comentário muito interessante, agradeço as informações (talvez o efeito do Marketing e da moda não seja assim tão poderoso...).

Voltando ao Toscani, não concordo. Há muito mais gente que vê o anúncio do que lê as entrevistas do Toscani. E o anúncio apenas, não diz que a culpa é da moda ou de quem quer que seja, apenas mostra abertamente (ostensivamente e provocatoriamente) uma face do problema que é anorexia. O resultado é por as pessoas a falar dele, que é o que nós estamos a fazer.

me disse...

sou eu, a shyznogud, a usar o computador da irmã q diz q depois vem cá para tentar responder a algumas das dúvidas q colocas.

Ah! agora é mesmo só recado meu - mantenho o q disse e desafio-te a passeares por alguns sítios de miúdas anas e mias: até q ponto é q este cartaz não vai ser endeusado por elas?

Zèd disse...

Acredito que as anas e mias endeusem o cartaz, é de esperar. Mas a questão é: é por elas endeusarem o cartaz que são anoréxicas ou é por serem anoréxicas que endeusam o cartaz? Se não houvesse cartaz elas não endeuzariam outra coisa qualquer como fotos de modelos escanzeladas? Esse endeuzamento não será apenas uma manifestação da doença?

Por outro lado que efeito tem o cartaz numa rapariga/mulher que não é anoréxica mas está potencialmente em risco? (honestamente não sei a resposta, pode até não ser muito bom) E que efeito tem o cartaz para o cidadão comum que não está alertado/consciente do problema?

me disse...

Agora sou eu. Ando com pouco tempo, Por isso deixo só uma referência refcente sobre a implicação da genética na etiopatogenia da anorexia.

Ah, é verdade, naturalmente que não é SÓ a genética que deve ser tida em conta.

Annu Rev Nutr. 2007 Aug 21;27:263-275.

The Genetics of Anorexia Nervosa.

Bulik CM, Slof-Op't Landt MC, van Furth EF, Sullivan PF.

1Department of Psychiatry, 2Department of Nutrition, and 3Department of Genetics, University of North Carolina at Chapel Hill, North Carolina 27599; 4Centrum Eetstoornissen Ursula, National Center for Eating Disorders, Leidschendam, The Netherlands; 5Molecular Epidemiology Section (Department of Medical Statistics) and 6Department of Psychiatry, Leiden University Medical Center, The Netherlands; 7Department of Biological Psychology, Vrije Universiteit, Amsterdam, The Netherlands; email: cbulik@med.unc.edu .


"Anorexia nervosa is a perplexing illness marked by low body weight and persistent fear of weight gain. Anorexia nervosa has the highest mortality rate of any psychiatric disease. Historically, anorexia nervosa was viewed as a disorder primarily influenced by sociocultural factors; however, over the past decade, this perception has been challenged. Family studies have consistently demonstrated that anorexia nervosa runs in families. Twin studies have underscored the contribution of additive genetic factors to the observed familial aggregation. With these bodies of literature as a starting point, we evaluate critically the current state of research on molecular genetic studies of anorexia nervosa and provide guidance for future research."

PMID: 17430085 [PubMed - as supplied by publisher]

Ps: A história é hoje notícia do Público.

Pss: Deixei umas dicas sobre prevenção lá na xafarica da minha irmã, caso intersse. Inté
ana