quinta-feira, 17 de setembro de 2009

AI: violência de gênero não é conto-de-fadas

branca de neve

chapeuzinho vermelho

A nova campanha da Anistia Internacional utiliza personagens de conto-de-fadas para denunciar a violência de gênero: Chapeuzinho Vermelho e a Branca de Neve. Com a frase “Mom was reading me a tale, till daddy came back…” (Mamãe estava lendo um conto pra mim, até que papai voltou), a AI bate de frente contra a violência a que muitas mulheres estão expostas dentro de seus próprios lares. Pode ser um pouco mórbida, mas não deixa de ser bem interessante.

Fonte.

8 comments:

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

Porque é que quando se fala em violência doméstica se fala sempre em violência contra as mulheres? Porque é que se fala tão pouco na violência, muitas vezes cometida pelas mulheres, contra as crianças? E porque é que quase nunca se fala na violência contra os homens?

jrd disse...

A violência "doméstica" é "selvagem".

Ana disse...

"Porque é que quando se fala em violência doméstica se fala sempre em violência contra as mulheres?"

Por causa das estatíticas e dos estereotipos. Isto é uma campanha de publicidade, tem que jogar com os estereotipos que existem na sociedade. Não é que a violência contra os homens ou crianças não exista, mas é menos significativa em termos de estatística. Se usassem um homem ninguém ia perceber. Porque para a mentalidade social é que é "suposto um homem saber defender-se de uma mulher".

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

O pior é que os estereótipos têm consequências. É o homem violento na publicidade, é o homem desajeitado e trapalhão nas sitcoms... Esta publicidade e estes estereótipos levam, entre outras coisas, a que em alguns estados americanos, como o Maine, os departamentos policiais sejam legalmente obrigados a presumir, perante casos de violência recíproca, que o "agressor preponderante" foi o homem - mesmo que tenha sido a mulher.

Ana disse...

Sim eu sei... os estereotipos e a publicidade alimentam-se mutuamente...é um mundo imperfeito...

Manolo Piriz disse...

Caro José Luiz

Não há violência mais importante do que a outra. E isso a AI tem denunciado exaustivamente.

O que se passa com a violência de gênero é que ela ganha contornos dramáticos, uma vez que a maioria dela não é denunciada, tanto pela vítima (por temor ou porque muitas vezes é refém do marido por dependência econômica) como pelos parentes, amigos e vizinhos dos casais, que partem do princípio de que na briga de homem e mulher, ninguém tem de por a colher. Infelizmente, essa é a pura realidade e a diferença entre uma situação e a outra.

Mas concordo contigo que todo o tipo de violência (parta ela de quem quer que seja contra quem quer que seja) tem dê ser coibida e denunciada.

Manolo Piriz disse...

Olá, jrd.

é a selvageria pós-moderna

Manolo Piriz disse...

Olá, Ana.

Creio não se tratar de coisas estereotipadas. Ela de fato existe e deixa marcas, sobretudo, no corpo. Já quanto as estatísticas, elas passam a contar só depois do fato denunciado às autoridades policiais. Tem muito mais mulher apanhando por aí do que dizem os números estatísticos.