quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

E a classe social?

.......................................Clinton Obama
Less than $50,000 (32%)...60%....36%
$50,000 or more (68%).....53%....45%


Lá continuo eu a armar-me em analista... Mas ao ler os dados das sondagens (exit polls) em função das características sociológicas dos eleitores, retenho este quadro que cruza o rendimento familiar com a opção de voto em Obama e Clinton. Normalmente refere-se as variáveis 'género', 'idade' e 'raça', como sendo as mais polarizadoras entre os dois democratas. No entanto, não deixa ser significativa a diferença na capacidade de penetração em relação aos estratos mais desfavorecidos da população. Hillary demonstra ter um discurso mais eficaz e credível para os trabalhadores de colarinho azul (60% para 36%). Seria interessante averiguar as causas desta enorme diferença. Afinal, em termos sociológicos, qual destes candidatos se encontra mais à esquerda?

7 comments:

Zèd disse...

De facto é um pouco surpreendente, não me parece que os programas sejam muito diferentes para justificar a vantagem de Clinton entre os que têm menos rendimentos. Eu teria tendência a pensar que o perfil de Obama, sobretudo os seus dotes oratórios o iriam favorecer nas classes mais baixas. Mas uma amiga americana sugeriu-me uma explicação bastante plausível: o facto de Clinton ter muitos anos na política em que fez muitas acções populares juntos dos mais desfavorecidos e das minorias dá-lhe popularidade entre essas classes. Obama será de certo modo um desconhecido, ainda não tem obra que o torne popular. A mesma amiga diz que seria bom que ele se tornasse governador do Illinois, no caso de não ser presidente. Dá-lhe experiência 'in office', e sistematicamente os presidentes são ex-governadores (ser senador, em geral, é um handicap).

Renato Carmo disse...

Não sei se não será algo mais substancial como, por exemplo, a confiança depositada no regresso à 'health care reform' concebida por Hillary e que foi perdida no congresso nos anos 90. Não devemos paternalizar as classes mais desfavorecidas, como se estas se deixassem levar mais facilmente por campanhas populares.

Zèd disse...

Não se trata de paternalizar, acho que não me expliquei bem, trata-se de ter obra feita. Hilary Clinton tem algo para mostrar, e a reforma do sistema de saude - apesar de ter fracassado - é um exemplo, e não será o unico.

Anónimo disse...

Talvez a Clinton tenha a seu favor o facto de na presidência do Clinton terem sido melhoradas as condições de vida dessas mesmas classes sociais, não?

Renato Carmo disse...

Caro anónimo é uma boa hipótese que também se aplica às classes médias. Contudo, não deixa de ser curioso o facto dos estratos sociais menos favorecidos não se deixarem convencer por Obama que teoricamente terá um discurso (ou uma postura) mais à esquerda.

Manolo Piriz disse...

Olá, Reanto e Zèd.

Também fiquei surpreso com a "imigração" de votos dos trabalhadores de menor renda e imigrantes, sobretudo na Califórnia, onde as sondagens que antecederam a superterça apontavam vitória (ou no mínimo, empate) de Obama, principalmente entre os latinos. Não creio que o seu apoio à reforma do sistema de saúde (que exige que os hospitais ofereçam atendimento de emergência a todas as pessoas que estão em solo americano, independentemente de renda ou status migratório - proposta "engavetada" há 13 anos) tenha sido preponderante neste caso, pois ela dá com uma mão e tira com a outra. por exemplo: votou a favor do projeto de lei para construir barreiras na fronteira entre Estados Unidos e México. Credito a vitória dela a dois fatores preponderantes. O primeiro é temor da crise econômica que se avizinha, pois estão "comprando" a idéia de que ela é mais preparada e experiente para resolvê-la (aliás, a tônica de seu discurso). O segundo é a popularidade de seu marido entre estas camadas, que, quando presidente, aumentou a renda mínima real do trabalhador em mais de 1 dólar/hora (hoje é de $ 5,15 - mínimo nacional -, mas pode chegar até $7,50, dependendo do estado e das circunstâncias mercadológicas.

m. disse...

Caro Renato,
Por um lado, talvez os estratos sociais mais desfavorecidos prefiram jogar pelo seguro, votando Billary Clinton...
Por outro, apesar de o discurso e, sobretudo, a postura de Obama serem muito sedutores, tendo em conta o que conheço dos programas e das campanhas de ambos os candidatos, não tenho a certeza que esteja mais à esquerda do que Hillary... e talvez por isso tenha maior capacidade de atracção nos círculos "às-vezes republicanos" do que Clinton. (Ou será por ser não ser mulher?)

Anónimo quando se esquece de fazer login