sábado, 16 de fevereiro de 2008

A desigualdade segundo Gilberto Gil

Há algo que me perturba quando os artistas de verdadeiro talento são capazes de emprestar beleza ao que de belo não tem nada. Acho mal! Sou frontalmente contra, e devia ser proibido. Era preciso um Idanov para tratar do assunto. O Gilberto Gil, sendo um grande artista, é useiro e veseiro nestas prevaricções. Veja-se por exemplo o tema "A Novidade" (pode ouvir-se ali em baixo), o poema é dele. Um/a gajo/a ouve isto e fica a pensar: "...lindo!, é lindo!". Ou seja a desigualdade social é linda! A guerra entre ricos e pobres é linda. Repare-se:"Ó, mundo tão desigual / Tudo é tão desigual / Ó, de um lado este carnaval / Do outro a fome total", e depois canta aquilo com guitarrinha em ritmo de samba-reaggae, e arranjo tropicalista, como se falasse da coincidência mais feliz do mundo. E eu pergunto: Onde anda a escola urbano-depressiva? Onde anda o negativismo constitutivo? Onde anda o pessimismo sistémico? Sei lá, não se arranja pelo menos um faduncho? Temos que levar com esta alegria incorrigível? Eu acho mal! Sou contra!
Pode ler-se a letra completa, e umas notas do Gilberto Gil sobre a estória deste poema aqui.


P.S. - Lifelogger rocks! Thanx Shyz!

4 comments:

Sofia Rodrigues disse...

Olá Zéd. Tens um comentário do Manolo perdido no meu videoclip.

Manolo Piriz disse...

(pronto, cá esta o comentário que se "perdeu" lá pelos lados da Sofia)


Boa, Zèd.

concordo contigo em gênero, número e grau. este teu post é um retrato fiel do que vem acontecendo com a produção artística e cultural de Pindorama, desde os anos 80. uma produção prêt-à-porter (mas de qualidade duvidosa), onde a glamourazição da miséria é o principal ingrediente de uma receita de sucesso e facilmente deglutida pelo mercado de consumo (nacional e internacional). Detalhe, todos os produtores culturais deste Brasil Varonil se dizem de esquerda, pois ser de esquerda por estas bandas está na moda, principalmente no meio artístico. é fashion.

Nuno Góis disse...

Pois eu sou completamente a favor desta fantástica composição que, não creio que perca força pela alegria com que se apresenta, antes pelo contrário. É a chamada ironia. Funciona muito bem...
Gosto de fado, gosto de morna, e também gosto de ouvir fado e morna alegres. Ou também é obrigatório que sejam todos nostálgicos para nos pôr a chorar?
Não sejamos mais papistas que o Papa... E o Gilberto Gil é um génio raro que sabe pôr a chorar como ninguém e se calhar com uma letra bem simples...
Não sejamos simplistas.

Shyznogud disse...

Não tem nada que agradecer, ora essa..
Ah! Esqueci-me de te avisar que de vez em qdo precisas ter um bocadinho de paciência, depois de fazeres o upload, até aparecer o que "uploadaste" no lifelogger..