quarta-feira, 18 de março de 2009

“O papa vive no Céu, mas nós vivemos na Terra” (atualizado)

aids São estas algumas das reações de ONGs e governos às declarações de Bento 16 sobre o uso do preservativo como profilaxia da SIDA/AIDS: O Papa Bento 16 tem todo direito de expressar sua oposição ao uso do preservativo com base em princípios morais, de acordo com a posição oficial da Igreja Católica Romana. Mas ele não merece crédito quando distorce descobertas científicas sobre o valor dos preservativos em diminuir a disseminação do vírus da Aids. A análise mais recente dos melhores estudos sobre o assunto, publicada pela Cochrane Collaboration, concluiu que os presevativos podem reduzir a transmissão do vírus da Aids em até 80%”. (Editorial do The New York Times).

- “As pessoas não vão seguir o que o Papa diz. Ele vive no céu, mas nós vivemos na Terra” (Alain Fogué, do Mopcat, movimento para o maior acesso dos doentes aos tratamentos da doença).

- “Retire as suas declarações. É uma negação da epidemia. E fazer essas declarações no continente onde vivem 70 por cento das pessoas infectadas pela doença é absolutamente inacreditável” (Michael Kazatchine, do Fundo Mundial de Luta contra a Sida, a tuberculose e o paludismo).

- “A nossa posição é a de que a abstinência é uma parte importante do conjunto das medidas, mas a abstinência por si só não vai impedir a transmissão do vírus HIV” (Judith Melby, da Christian Aid).

- “A França exprime a sua viva preocupação quanto às consequências das declarações de Bento 16. O nosso papel não é o de emitir julgamentos sobre as doutrinas da Igreja, mas consideramos que estas observações põem em risco políticas públicas de saúde e os imperativos quanto à proteção da vida humana” (Eric Chevalier, porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros francês).

- “A posição de Bento 16 reflete uma visão doutrinária perigosa, que podem demolir anos de prevenção e educação e colocar em risco muitas vidas humanas” (Laurette Onkelinx, ministra da Saúde da Bélgica).

“Ao se pronunciar dessa forma, está passando uma mensagem contrária à evidência científica. O papa Bento 16 está muito mal aconselhado e deveria se retratar e fazer mea culpa” (Martínez Olmos, secretário geral de Saúde da Espanha).

5 comments:

Daniel Melo disse...

Só para se perceber até que ponto são nefastas e anacrónicas as declarações do Papa, a OMS (entidade da ONU para a Saúde) divulgou que cerca de 27% das instituições de combate à SIDA estão ligadas à Igreja Católica (vd. António Marujo, «Um falso problema», Público, 18/III/2009, p.12).

Manolo Piriz disse...

É verdade, Daniel.

Além de tratar dos infectados (física e mentalmente), elas também são veladamente contra a pregação oficial da Igreja católica quanto ao uso da camisinha neste caso. Padres, freiras e leigos que atuam em pastorais e ONGs católicas vêm desafiando essa orientação há muito tempo e, sem muito alarde, distribuem preservativos à população de risco e aos portadores do HIV. Só o sr. Ratzinger não sabe disso. Aliás, informação não é o ponto forte dele. Ele é apenas um tagarela desesperado que deve ter sérios distúrbios mentais. Não há outra explicação.

Daniel Melo disse...

E para se perceber como o consenso interno nesta matéria já foi chão que deu uvas atente-se na seguinte recente declaração:
"D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas [de Portugal] considerou hoje que proibir o preservativo é consentir em muitas mortes e criticou a imprensa por não aproveitar bem o poder do Papa para denunciar a corrupção em África. Aproveitou ainda para criticar os conselheiros de Bento XVI que, nesta matéria, deviam ser mais cultos".
(in «D. Januário Torgal Ferreira: proibir preservativo é consentir em muitas mortes», http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1370240&idCanal=62).

Daniel Melo disse...

E aditou ainda o dito sacerdote:
"É claro que há circunstâncias, e do ponto de vista médico não tenho qualquer dúvida, em que proibir o preservativo é consentir na morte de muitas pessoas", acrescentou, considerando que, neste sentido, "as pessoas que estão aconselhar o Papa deveriam ser mais cultas".

Manolo Piriz disse...

Como se vê, nem todos suportam mais tanta asneiras desse papa. É Igreja versus Igreja. Aliás, o teólogo Leonardo Boff foi certeiro ao afirmar, creio que em junho de 2007 (logo depois da visita de Bento 16 ao Brasil), que a violência usada pelo Vaticano é “simbólica, que não é militar mas é igualmente grave, porque mata realidades concretas.” Ele disse isso num outro contexto, mas ela cabe como uma luva neste caso Depois de tantos “equívocos”, o melhor seria esse senhor renunciar ao papado.