terça-feira, 24 de março de 2009

Vaticano se faz de vítima e recorre ao Conselho de Direitos Humanos (?)

papa_bento16[1][1] A Santa Sé levou até o Conselho de Direitos Humanos da ONU a sua “preocupação” pelo aumento da “intolerância contra os cristãos”. E contra-ataca. “Não toleraremos que o papa seja ofendido e se transforme em piada pela mídia e políticos”, disse o cardeal Angelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana, que também acusou alguns países europeus e órgãos internacionais de fazerem uma “análise superficial e juízo precipitado” sobre a polêmica que envolveu o não-uso dos preservativos no controle da Sida/Aids. “A Igreja se sente marginalizada pelo laicismo agressivo de alguns países europeus”, disse também Silvano M. Tomasi, observador do Vaticano na ONU. Oras bolas, creio que o Vaticano está a inverter a situação. Quem deveria responder por qualquer atentado aos direitos humano é o sr. Bento 16, que não deixou de ser um criminoso ao dizer o que disse em África. Quem diz o que quer houve o que não quer e pode ser vítima do próprio veneno. E tem mais: o sr Ratzinger não é mais humano que os demais pobres mortais. Como figura pública e chefe de Estado, este papa tem sim de responder pelos seus atos irresponsáveis, entre eles destaco:

- Reabilitou o bispo Richard Williamson, que nega o Holocausto e recentemente teve sua excomunhão suspensa.

- Questionou se os protestantes formam de fato uma Igreja.

- Chamou os muçulmanos de desumanos.

- Disse que salvar a humanidade dos comportamentos homossexual e transsexual é tão importante quanto combater o desmatamento, a guerra e a poluição ambiental.

2 comments:

Daniel Melo disse...

«Virar o bico ao prego», como se usa dizer e, ainda por cima, num tom descabelado de virgem ofendida.

Sobre a questão do negacionsimo do Holocausto por Williamson, uma grande embrulhada, parece que o Papa está a tentar salvar a face, obrigando o bispo a um inequívoco arrependimento público, que tarda...

Sobre a questão dos preservativos, a ONG internacional AVAAZ lançou uma petição oportuna, separando bem a questão religiosa da questão da saúde pública, num tom correcto, que se resume no seguinte:
«Para sua Santidade Papa Bento XVI: Apelamos para vossa imensa compaixão pedindo que considere os homens, mulheres e crianças - especialmente os pobres - que sofrerão com o alastramento do HIV e AIDS/SIDA. Pedimos que vossa Santidade exerça extremo cuidado nas declarações públicas e que se abstenha de desprezar programas de educação pública e de prevenção à AIDS/SIDA que salvam vidas incentivando o uso de preservativos».
Para quem estiver interessado, pode assinar aqui:
http://www.avaaz.org/po/pope_benedict_petition.

Manolo Piriz disse...

É exatamente isso, Daniel.

Separar as questões dogmáticas das questões republicanas é uma coisa que o papa não faz, principalmente no caso dos preservativos em África. Falta-lhe sensibilidade pra isso, o que é profundamente lamentável e contraditório. Se ele é incapaz de perceber os grandes flagelos humanos, não sei então a que veio. Boa lembrança essa da petição da AVAAZ.