quinta-feira, 12 de julho de 2007

Gajo que é gajo é Garganeiro

Diz a Laura Abreu Cravo indignada que "Quando uma miúda quer “provocar os rapazes” não cita os clássicos russos, não se dá ao trabalho de construir aforismos e não perde horas em exercícios metafóricos. Limita-se a pôr o melhor decote que encontrar no roupeiro lá de casa e um par de sapatos muito altos.", a indignação leva-nos a pensar que preferia que fosse ao contrário. Fernada Câncio - que até gosta de ler Laura Abreu Cravo - chama-lhe negacionista, o que nos leva a pensar que acha muito bem que o decote prevaleça sobre os clássicos russos.
Meninas, permitem que me intrometa? Eu parece-me que vocês não percebem muito de gajos. Ora acontece que, mais por força das circunstâncias (que é o eufemismo para dizer que tenho um cromossoma Y em cada uma das minhas célulazinhas) do que por escolha, percebo alguma coisa de gajos. Posso garantir-vos o seguinte: Gajo que é gajo é garganeiro, é lambão, quer tudo e mais umas botas. Porquê ter que optar entre o sexy e o intelecto? Quem disse que as duas são mutuamente exclusivas? Há lá coisa que dê mais tesão a um gajo do que uma gaija sendo podre de boa que cita clássicos russos (e gregos)? Uma gaija que usa metáforas e aforismos (e hipérboles, e parábolas) com um decote até ao umbigo? Porquê algodão quando se pode ter algodão e seda?
P.S. - Já os sapatos muito altos não sei...

1 comments:

cinico&contraditorio disse...

Concordo plenamente com o artigo.
A inteligência de uma mulher vê-se nos clássicos que lê (russos ou não), nos aforismos de usa, na roupa que usa, no cuidado com o cabelo e nos cremes que põe antes de se deitar. Mulher (homem ou metrosexual) que desvalorize o poder da imagem pode revelar principios, mas seguramente não revela inteligência.