sexta-feira, 27 de julho de 2007

O pungente drama da perseguição à bola-de-berlim na costa lusitana

Imbuídos do saudável espírito de quebrar barreiras, como diria o outro, resolvemos fornecer aos nossos leitores uma nova rubrica, esta de arquivo temático de textos saídos na imprensa nativa. São textos de especial calibre, marcados pela sua pertinência e urgência de última hora. Começamos por esse drama pungente que dá pelo nome de bola-de-berlim com creme vendida no estio em alguns areais cá do burgo. É que parece que anda por aí uma entidade pública embirrenta, obcecada com problemas de saúde pública e a querer impingir condições de salubridade para a venda de produtos alimentares, vá-se lá saber porquê. Então, aqui vai.
Bibliografia selecta sobre bolas-de-berlim com creme vendidas por vendedores ambulantes nos meses de estio em praias selectas, acompanhada por excertos históricos:
*Rosa Lobato Faria, "Um rasto de hortelã", JL, 4-17/VII/2007, p. 44.
"E havia a praia, o mar, as bolas de Berlim. (as bolas de Berlim são uma espécie de ex-libris da Infância e nunca mais na vida houve fosse o que fosse que nos soubesse tão bem)".
*Vasco Pulido Valente, "Má educação", Público, 15/VII/2007.
"As bolas têm hoje de estar em malas térmicas com uma temperatura de, pelo menos, 7 graus, têm de ser servidas com pinças (suponho que para evitar o pernicioso contacto da mão humana) e os vendedores têm, como é natural, de tirar um curso especial de "manuseamento". As multas vão até aos 3740 euros; coisa que se percebe muito bem quando se trata de combater a bactéria e a toxina e, sobretudo, de proteger a infância".
*Helena Matos, "Bola-de-berlim com creme", Público, 23/VII/2007.
"A bola-de-berlim tornou-se a gota de água que me fez perder a paciência. Descrer que algum tino ou vergonha restem entre nós. De agora em diante o meu propósito é simplesmente descobrir como sobreviver num país que persegue nas praias os vendedores de bolos, enquanto nas falésias se alinham os mais monstruosos projectos urbanísticos saídos da mente humana".
Nb: imagem retirada daqui.

5 comments:

Zèd disse...

Deve ser distracção minha, mas escapou-me a lógica da Helena Matos. Qual é o elo entre as Bolas-de-Berlim e os projectos urbanísticos?
Ou como dira o outro, o qu'é que tem o cú a ver com as calças?

gr disse...

desde a queda do muro que o creme que intermeava os dois lados passou a ser muito duvidoso

Anónimo disse...

entremeava, miava, miava

Zèd disse...

Jà a lógica do VPV é linear. O que é bom é Bolas de Berlin com Vespas e Salmonelas!, assim se ocorrer uma intoxicação alimentar duns quantos veraneantes là poderà o VPV escrever uma crónica bem pungente a dizer mal deste pais atrasadinho que nem servir Bolas de Berlin em condições de higiene consegue.

cinico&contraditorio disse...

Acontece o mesmo com as colheres-de-pau. São difíceis de lavar bem, acumulam bactérias e (penso que) foram proibidas. Alguns revoltam-se contra a proibição do tradicional - mexe com as memórias de infância - enquanto outros chamam-lhe progresso, evolução e incremento da qualidade de vida.