segunda-feira, 16 de julho de 2007

Lisboa ficou a ganhar

Olhando a quente para os resultados destas eleições, Lisboa ficou a ganhar (ao contrário do que disse Carmona em tom demagógico). Neste caso, por a esquerda estar melhor representada, é inegável.
Costa subiu a votação de Carrilho, mas não muito, c.3%, obtendo apenas mais um vereador. Para quem foi levado ao colo como edil pré-ungido, dá que pensar, não é? No seu discurso inicial, Costa começou a elencar o que iria fazer. Na tal lista omitiu-se o que causa maior gula a certos interesses: os controversos projectos urbanísticos atrás do biombo... Todavia, a cidade tem agora melhor capacidade de fiscalização, valha-nos isso. Costa deu ainda a entender que iria governar sem coligações pós-eleitorais. É melhor assim. Esperemos só que não se alie a Carmona (ou a Negrão) para fazer passar certas medidas… É que também consegue ter maioria à esquerda, com Roseta, Ruben e/ou Sá Fernandes. A ver vamos.
Para os liberais portugueses que tanto gostam de se mostrar apologistas do checks and balances, não se percebe a sua repulsa face à actuação de Sá Fernandes nestes 2 últimos anos e, prevê-se, de Roseta. É que isso é o coração da democracia no modelo anglo-saxónico. Enfim, idiossincrasias.
Roseta consegue ficar em 4.º lugar (com uns bons 10%) e obter 2 vereadores, logo atrás dos PSD’s, o mendista e o populista, o que é um feito. Fez o melhor discurso de hoje: abertura, responsabilidade e esperança.
Ruben e o PCP seguraram os 2 vereadores, mas descem. Julgo que, em parte, por culpa própria: quem era o 3.º candidato a vereador do PCP, alguém se lembra? Pois é.
O que é extensivo ao Bloco de Esquerda, aqui ainda mais flagrante. É que o BE só tinha um vereador, devia ter apresentado com mais força o 2.º. Fica a perder o BE, a esquerda e Lisboa, pois um 2.º vereador do BE (Pedro Soares, salvo erro) teria todas as condições para diversificar e aprofundar uma intervenção que teve de se ater em demasia, por força das circunstâncias, à questão da fiscalização nestes 2 anos, prejudicando um maior trabalho de contacto junto das comunidades e associações e de divulgação e debate das propostas concretas incluídas no seu extenso e alternativo programa político.
Nos 2 anos que medeiam até às próximas eleições autárquicas, haverá tempo para ponderar consensos programáticos e para trabalhar melhor as eventuais pontes à esquerda. Isto tanto no caso do mandato de Costa decorrer bem, como no caso de haver um balanço insuficiente e, portanto, de se revelar necessário uma coligação (pré ou pós-eleitoral) da restante esquerda.
Resta Marques Mendes, que marcou uns pontos: falou bem, com correcção e acerto, ao convocar um encontro extraordinário para clarificar se o seu partido lhe mantém a confiança política.
Para o fim, o melhor pedaço: vejam o post em baixo…

6 comments:

disse...

A análise aos resultados das eleições na CML, com os principais derrotados e também vencedores!
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Obrigado!

Hugo Mendes disse...

Se Lisboa precisava de governabilidade e responsabilidade, não me parece que tenha ficado a ganhar.

Zèd disse...

Lisboa já foi governável e governada antes com entendimentos à esquerda. Não pode voltar a sê-lo no contexto actual? A esquerda à esquerda do PS é fatalmente irresponsável?

Hugo Mendes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Hugo Mendes disse...

"A esquerda à esquerda do PS é fatalmente irresponsável?"

Isso é uma resposta que a ela cabe; de qualquer forma, a esquerda à esquerda do PS disse sem perder tempo que não aceitava coligações (agora parece já nao ser bem assim).
E no passado as coligações eram pré-eleitorais e bem mais sólidas (e eram com o PC, não com o BE nem com a Roseta, a tal do "bate pé" :)), não como poderão vir a ser agora.

muguele disse...

Este post por acaso até nem é nada "cor-de-Roseta", não senhora...