domingo, 9 de março de 2008

IU é o maior perdedor. E brazucas não terão refresco.

O PSOE venceu as eleições gerais realizadas hoje na Espanha e fez 169 deputados (43,64%), número bem próximo dos 176 que precisava para obter a maioria absoluta. Se Zapatero é grande vencedor, o mesmo não se pode dizer de Gaspar Llamazares, do Izquierda Unida (IU), que das 5 cadeiras que obteve em 2004 passará agora a ter somente 2. Já o partido de direita, PP, elegeu 153 (40,11%) e deverá ficar nos calcanhares dos socialistas. Ou seja, dos 350 deputados que é composto o Parlamento Espanhol, 322 são representantes de apenas 2 facções, resultado que consolida o bipartidarismo espanhol.

Para os brazucas, a vitória dos socialistas não deve alterar muito o impasse diplomático criado entre Brasil e Espanha. Ao contrário, deve significar a continuação da política de imigração adotada nos últimos anos pelo governo espanhol. Para as dezenas de brasileiros deportados ao desembarcar em Madrid, isso pode servir de pouco alento. Mas uma eventual vitória do líder de direita, Mariano Rajoy (PP), resultaria, com certeza, num controle ainda maior da imigração. Ruim com ZP, pior sem ele.

Adendo:

1) A primeira vítima

Gaspar Llamazares, candidato da Izquierda Unida à presidência do governo espanhol, reconhece o fracasso no 9-M e anunciou que não se candidatará à reeleição de coordenador geral da IU na próxima Assembléia Federal Ordinária do partido, que se realizará nos próximos meses.

2) Rouco reza por ZP

A Conferência Episcopal Espanhola (CEE) enviou uma carta a Zapatero felicitando-lhe pela vitória no 9-M. Além da missiva, Antonio María Rouco também garantiu que fará uma oração "para que el Señor le conceda su luz y su fuerza en el desempeño de las altas responsabilidades que le encomienda el pueblo español". Yo no creo en brujas, pero que las hai... las hai.


3 comments:

Manolo Piriz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ruy Blanes disse...

Obviamente, é uma derrota para Llamazares. No entanto, convém recordar que a IU teve quase um milhão de votos - ou seja, mais do dobro que a CiU (que ficou com 10 deputados) e bem mais do que o novo partido de Rosa Díez (UPyD, ou qualquer coisa assim), que teve um deputado (surpreendentemente, a própria Rosa Díez)...
No seu discurso, Llamazares reconheceu a derrota, mas também referiu a injustiça do sistema eleitoral, que prejudica partidos de âmbito nacional como a IU. Se a IU aparecesse como "partido regional" (tipo CiU, PNV, etc.), teria por exemplo o triplo de deputados.
Que sistema eleitoral é este? (Não é uma pergunta retórica, estou mesmo a perguntar).

Manolo Piriz disse...

Olá, Ruy.

O sistema eleitoral espanhol adota a representação proporcional. Mas uma proporcionalidade bem maluca e atípica. A Constituição estabelece que o número total de deputados será distribuído de maneira que cada circunscrição (o território espanhol é dividido em circunscrições eleitorais, que vale dizer número de províncias: 50 no total) garanta uma representatividade mínima inicial e que a distribuição dos deputados seja feita de maneira proporcional ao número de habitantes.

Assim, cada província tem um mínimo de duas cadeiras no Parlamento, mais uma cadeira adicional para cada 145 mil habitantes ou fração acima de 70 mil. Detalhe, um partido, no entanto, deve obter, no mínimo 3% dos votos para obter uma cadeira.

Em suma, a lei eleitoral espanhola pretende fazer com que a distribuição dos votos seja mais equitativa e dá oportunidade a legendas menores regionais de ter espaço no Parlamento, principalmente os partidos nacionalistas. E o resultado disso é a provável extinção dos pequenos partidos nacionais. E assim PSOE e PP reinam livres e soltos num bipartidarismo que não acrescentará absolutamente nada à democracia espanhola.